Os Estados Unidos, o Canadá, o Reino Unido e a França são dos poucos países do mundo que adotam o sistema de voto distrital puro. O país é dividido em distritos, e cada distrito elege um único deputado por votação majoritária. Na França, é necessária maioria absoluta. Nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, maioria simples basta.
É um processo eleitoral aparentemente simples: mas é bom?
Na última eleição para a Câmara dos Estados Unidos, o grande vencedor foi o... ... desenhista de distritos. Os democratas tiveram mais votos que os republicanos. O total de votos nos candidatos democratas foi 59.645.387. O total de votos nos candidatos republicanos foi 58.283.036. Ainda assim, os republicanos obtiveram 234 cadeiras e os democratas obtiveram 201.
Obama não pode realizar políticas defendidas pela maioria da população porque está refém de uma Câmara controlada pelo partido de oposição que teve minoria no voto popular e só conseguiu formar uma maioria de deputados por causa da maneira com que os distritos foram desenhados.
Ah, mas os Estados Unidos, o Canadá e o Reino Unido são países bastante desenvolvidos. Por algum motivo, o sistema de representação distrital pura deve funcionar. Bom, mas a Alemanha também é um país bastante desenvolvido e tem um sistema de representação distrital subordinada à representação proporcional. Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Áustria e Espanha são países bastante desenvolvidos e têm representação proporcional.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Realinhamentos opostos na política do Brasil e dos EUA: PT popularizou, Partido Democrata elitizou
Brasil e Estados Unidos são
países continentais com república presidencialista e forma federativa de
estado. A forma de eleger o presidente é diferente, pois aqui ganha quem tem
maioria absoluta de votos e lá ganha quem tem mais delegados no colégio eleitoral.
Mesmo assim, é possível fazer comparações sobre como os votos se distribuem
geograficamente e socialmente em eleições presidenciais.
Eu já havia abordado este tema antes da
eleição de 2010 no Brasil e a de 2012 nos Estados Unidos neste post, mas como
as tendências de distribuição geográfica e social de votos se mantiveram nos
dois países, vale apena retomar o assunto.
No Brasil, há um padrão de
distribuição geográfica e social de votos que teve início em 2006 e se manteve
em 2010. Nos Estados Unidos, há um padrão de distribuição geográfica e social
de votos que teve início em 1988, se acentuou em 2000 e se manteve na mais
recente eleição presidencial, em 2012.
Não há como fazer analogias entre
esses padrões atuais. No Brasil, o PT nas eleições presidenciais de 2006 e 2010
foi mais forte nos estados mais pobres (com exceção de Rio de Janeiro e
Distrito Federal em um lado, e Acre e Roraima em outro) e entre as pessoas mais
pobres. Não houve diferença importante de desempenho do PT entre cidades
grandes e cidades pequenas. Nos Estados Unidos, desde 2000, o Partido Democrata
ganha na Costa Oeste, no Nordeste, e nos Grandes Lagos, e o Partido Republicano
ganha no oeste interiorano e no Sul. Ou seja, o Partido Democrata ganha nos
estados mais ricos e o Partido Republicano ganha nos estados mais pobres. Isto
é um paradoxo, pois o Partido Democrata é mais forte entre as pessoas mais
pobres e o Partido Republicano é mais forte entre as pessoas mais ricas. Outro padrão
é o do Partido Democrata ser mais forte em cidades grandes e o Partido
Republicano ser mais forte em cidades pequenas. O único padrão recente é a
divisão democrata:estados ricos/republicano:estados pobres. Porque a divisão
democrata:pessoas pobres/republicano:pessoas ricas existe desde o início do século
XX e a divisão democrata:cidades grandes/republicano:cidades pequenas existe
deste a eleição de 1960.
Quer dizer que os padrões de
distribuição de votos no Brasil e nos Estados Unidos nunca foram semelhantes?
Não, pois em tempos diferentes, houve grandes semelhanças. A divisão eleitoral
norte-americana atual lembra muito a divisão eleitoral brasileira vigente até
2002. Nas eleições presidenciais de 1989, 1994, 1998 e 2002 o PT foi mais forte
em estados mais ricos (com exceção de São Paulo e Paraná) e em cidades grandes,
e mesmo assim, não foi um partido de elite, porque teve melhor desempenho entre
as pessoas mais pobres dos estados mais ricos e das grandes cidades. A divisão
eleitoral brasileira atual lembra muito a divisão eleitoral norte-americana vigente
no tempo do New Deal (1932-1960) e revivida em 1976. O Partido Democrata era
mais forte entre as pessoas mais pobres e nos estados mais pobres,
principalmente os do Sul. Os democratas tinham votos dos trabalhadores do Norte
e dos segregacionistas do Sul.
Em resumo: a divisão geográfica e
social dos votos do Brasil do presente é parecida com a divisão dos Estados
Unidos do passado, e a divisão geográfica e social dos votos dos Estados Unidos
do presente é parecida com a divisão do Brasil do passado. Em ambos os países,
houver realinhamento eleitoral, e os realinhamentos ocorreram em sentidos
opostos.
Houve uma elitização do voto do Partido Democrata e uma popularização
do voto do PT. O Partido Democrata continua tendo maior preferência dos
pobres do que dos ricos, mas esta divisão de classe foi suavizada. Somente
desta maneira foi possível que, paradoxalmente, o Partido Democrata pudesse ter
maior preferência nos estados mais ricos. O PT já era preferido por segmentos
do eleitorado mais pobre e rejeitado por segmentos do eleitorado mais rico, mas
esta divisão social era bastante suave para que fosse possível que,
paradoxalmente, o PT tivesse maior preferência nos estados mais ricos. A
divisão social foi acentuada, e dessa maneira, o PT passou a ser preferido
também nos estados mais pobres.
Artigo de Jacob, Hees, Waniez eBruslein (2009) trata do realinhamento eleitoral brasileiro. Vincula a perda de
apoio do PT entre as classes médias urbanas com os escândalos de corrupção do
primeiro mandato de Lula e o ganho de apoio do PT entre as classes baixas
rurais com os programas sociais. André Singer também aborda o realinhamento
eleitoral brasileiro.
O realinhamento eleitoral
norte-americano é explicado por Gelman (2009). Segundo este autor, o
realinhamento foi causado pela polarização dos partidos em questões morais e
culturais. Até 1980, tanto o Partido Democrata, quanto o Partido Republicano,
tinham apoiadores com posições liberais e conservadoras em temas como aborto,
sexo, religião e militarismo. O que separava o Partido Democrata do Partido
Republicano era o papel do Estado na economia. Depois dessa data, os liberais em
questões morais e culturais se concentraram no Partido Democrata e os
conservadores nessas questões se concentraram no Partido Republicano. Como as
elites dos estados ricos são, geralmente, liberais nesses temas, essas elites
passaram a apoiar o Partido Democrata, mesmo tendo este partido posições sobre
economia mais favoráveis aos mais pobres. Enquanto isso, as elites dos estados
pobres são conservadoras nesses temas, e por isso, tornaram-se extremamente
republicanas.
Se os escândalos de corrupção do
primeiro mandato do Lula tornarem-se parte do passado, as classes baixas que se
tornaram média-baixa no governo Lula passarem a se enxergar como classe média,
e a sociedade brasileira passar por mudanças semelhantes às mudanças pelas
quais passou a sociedade norte-americana, com elites rejeitando conservadorismo
moral; é possível que ocorra um re-realinhamento, e que o mapa eleitoral
brasileiro retorne ao período pré-2002. As eleições municipais de 2012 já foram
um sinal, pois o PT ganhou em São Paulo, São José dos Campos, Niterói e Uberlândia,
e teve várias derrotas no Norte e no Nordeste.
Usarei mapas do meu Atlas dasEleições Presidenciais no Brasil e do Atlas das Eleições Presidenciais dos EUAdo Dave Leip para ilustrar as observações presentes no texto. Dave Leip
facilitou meu trabalho ao usar as “cores certas” (vermelho para os democratas e
azul para os republicanos). O resto da mídia usa as “cores erradas”.
Semelhanças entre a reeleição de Lula em 2006 e a de Roosevelt em 1936. Ambos tiveram derrotas ou vitórias apertadas em estados ricos (Sul no Brasil, Nordeste nos EUA) e vitórias arrasadoras em vermelho escuro em estados pobres (Nordeste no Brasil, Sul nos EUA)
Semelhanças entre as vitórias de
Collor em 1989 e Bush em 2004. Ambos pintaram os estados mais pobres e rurais de
azul escuro. Em vermelho, a favor de Lula e Kerry, ficaram estados mais ricos e
mais urbanizados (Pernambuco seria exceção, mas é dos estados mais ricos e
urbanizados do Nordeste)
Mapa da eleição de 1989 no Brasil
por microrregião e da eleição de 2004 nos EUA por condado. Foram ambas eleições
apertadas (53% Collor X 47% Lula, 51% Bush X 48% Kerry), mas os mapas ficaram
bastante azuis em área, mostrando a dispersão dos votos em Collor e Bush no
interior e a concentração dos votos em Lula e Kerry em grandes centros urbanos
Mapas das eleições presidenciais
de 2002 e 2006 por microrregião. Em ambas as eleições, Lula teve
aproximadamente 60% dos votos. Mas o mapa de 2006 tem área vermelha maior por
causa do melhor desempenho de Lula no interior
Divisão de votos por zona
eleitoral no município de São Paulo em 2002 e em 2006. A polarização por classe
social aumentou muito em 2006, mas já existia em 2002, antes do mensalão, do
Bolsa Família e dos grandes aumentos do salário mínimo. Em 2002, o Jardim
Paulista votou da mesma maneira que o interior miserável de Alagoas, o único
estado em que Serra teve maioria.
Mapa eleitoral da Califórnia por
condado em 2012. Obama venceu Romney por 60% a 37%, mas perdeu no Orange County,
indicado pelo círculo na figura, onde moram os ricaços da Califórnia. Até 1988,
a Califórnia, um dos estados de maior PIB per capita dos EUA, era republicana.
Passou a ser ininterruptamente democrata desde 1992. Mas o Orange County
continuou republicano.
domingo, 11 de novembro de 2012
Os Estados Unidos e o Reino Unido se divorciaram
Em 40 dos 55 anos que se passaram entre o final da Segunda Guerra Mundial e o final do século XX, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido foram alinhados em relação aos partidos - presidente democrata / primeiro-ministro trabalhista ou presidente republicano / primeiro-ministro conservador. Tratava-se de uma incrível sincronia. Houve muitas duplas alinhadas como Truman/Atlee, Eisenhower/Churchill, Johnson/Wilson, Reagan/Thatcher, Clinton/Blair.
Dos 12 anos que se passaram de século XXI, apenas em 2009 os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido estiveram alinhados. Este desalinhamento vai durar no mínimo até 2015, quando o Reino Unido elegerá novamente a Câmara dos Comuns.
E como coloquei em postagem anterior, Estados Unidos e Reino Unido tiveram estratégias diferentes depois da crise econômica internacional, e resultados também diferentes. O keynesianismo moderado de Obama foi mais bem sucedido do que a tentativa de Cameron de realizar a "austeridade expansionista".
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
Breves comentários sobre as eleições
1. Assim como em 2008, é possível dizer que os maiores vencedores das eleições municipais foram os aliados não-petistas do governo federal. Em 2008, o PMDB. Em 2012, o PSB.
2. São Paulo não é tudo. Apesar da vitória na maior cidade do Brasil, o PT perdeu as prefeituras de Fortaleza e Recife, não fez nem apoiou o vencedor em Belo Horizonte depois de muito tempo, e teve uma importante derrota simbólica: perdeu em Diadema. Além disso, venceu o menor número de capitais desde 1996.
3. Houve uma inversão em relação às duas últimas eleições para presidente. O PT teve muitas vitórias no "Brasil azul" e muitas derrotas no "Brasil vermelho". Nas quatro capitais em que o PT ganhou, três (São Paulo, Goiânia e Rio Branco) deram maioria confortável para Serra em 2010. Em Recife, Salvador e Fortaleza, lulistas desde 1989, o PT perdeu. Isto é um sinal de que o julgamento que o eleitor faz das administrações locais conta mais do que apoio do Lula, da Dilma, do Aécio, do Alckmin ou do Eduardo Campos.
4. O PT teve vitórias em cidades de alta renda. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ganhou apenas em Niterói. No Estado de São Paulo, passou pelo inusitado de perder em Diadema, mas também pelo inusitado de ganhar em São José dos Campos. Foi importante o apoio do eleitor de baixa renda dos municípios de alta renda.
5. O PSOL sempre foi estilingue, e agora vai ter pela primeira vez a oportunidade de ser vidraça, em Itaocara e em Macapá.
6. Fernando Haddad teve votação maior que qualquer votação do Lula na cidade de São Paulo. Em comparação com outros candidatos do PT, Haddad foi apenas um pouco menos votado que a Marta em 2000, que teve 58%. A maior votação de Lula em São Paulo (e única vez que ele teve maioria) ocorreu em 2002, quando atingiu 51%. Ou seja, o apoio do Lula não explica sozinho a vitória de Haddad.
7. Mesmo com kit-gay, Fernando Haddad teve maioria esmagadora na periferia, atingindo 80% em algumas zonas. Isso mostra que o temor de perder votos do eleitor de baixa renda se desagradar igrejas é superestimado, e que as concessões a religiosos foram maiores do que o necessário.
8. O apoio de Maluf não impactou negativamente a candidatura de Haddad, mas também não impactou positivamente. Serra ganhou com confortável maioria nas zonas onde o Maluf era forte: Mooca, Tatuapé e Vila Maria.
9. Márcio Pochmann em Campinas foi outra aposta do PT em novatos em eleição, que participaram do governo federal e que tem ligação com as universidades. Perdeu por larga vantagem para Jonas Donizette porque, ao contrário de Haddad, não conseguiu formar maioria esmagadora na periferia. Na zona mais periférica da cidade, teve 52,5%. Nas zonas centrais, não foi pior do que Haddad foi nas zonas centrais de São Paulo.
10. Enquanto o voto do PT é forte na periferia, o voto no PSOL ainda vem de eleitores com renda mais alta. No Rio, Marcelo Freixo teve 28% no total, e 40% na Zona Sul.
11. Fechadas as urnas e apurados os votos hoje, foi possível ver que muitos candidatos do PT tiveram de 2 a 3 pontos percentuais a menos do que o que foi indicado pelas pesquisas divulgadas sábado à noite. Quando o erro persiste na pesquisa boca de urna, o problema é da metodologia da pesquisa. Quando o erro não persiste na boca de urna, é possível perceber que muitos indecisos optam pelo anti-PT na última hora. Isso já aconteceu com Lula em 2002 e 2006 e Dilma em 2010. O PT tem que observar isso.
12. Nenhum candidato vai ter tempo de tomar posse, porque o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012.
2. São Paulo não é tudo. Apesar da vitória na maior cidade do Brasil, o PT perdeu as prefeituras de Fortaleza e Recife, não fez nem apoiou o vencedor em Belo Horizonte depois de muito tempo, e teve uma importante derrota simbólica: perdeu em Diadema. Além disso, venceu o menor número de capitais desde 1996.
3. Houve uma inversão em relação às duas últimas eleições para presidente. O PT teve muitas vitórias no "Brasil azul" e muitas derrotas no "Brasil vermelho". Nas quatro capitais em que o PT ganhou, três (São Paulo, Goiânia e Rio Branco) deram maioria confortável para Serra em 2010. Em Recife, Salvador e Fortaleza, lulistas desde 1989, o PT perdeu. Isto é um sinal de que o julgamento que o eleitor faz das administrações locais conta mais do que apoio do Lula, da Dilma, do Aécio, do Alckmin ou do Eduardo Campos.
4. O PT teve vitórias em cidades de alta renda. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ganhou apenas em Niterói. No Estado de São Paulo, passou pelo inusitado de perder em Diadema, mas também pelo inusitado de ganhar em São José dos Campos. Foi importante o apoio do eleitor de baixa renda dos municípios de alta renda.
5. O PSOL sempre foi estilingue, e agora vai ter pela primeira vez a oportunidade de ser vidraça, em Itaocara e em Macapá.
6. Fernando Haddad teve votação maior que qualquer votação do Lula na cidade de São Paulo. Em comparação com outros candidatos do PT, Haddad foi apenas um pouco menos votado que a Marta em 2000, que teve 58%. A maior votação de Lula em São Paulo (e única vez que ele teve maioria) ocorreu em 2002, quando atingiu 51%. Ou seja, o apoio do Lula não explica sozinho a vitória de Haddad.
7. Mesmo com kit-gay, Fernando Haddad teve maioria esmagadora na periferia, atingindo 80% em algumas zonas. Isso mostra que o temor de perder votos do eleitor de baixa renda se desagradar igrejas é superestimado, e que as concessões a religiosos foram maiores do que o necessário.
8. O apoio de Maluf não impactou negativamente a candidatura de Haddad, mas também não impactou positivamente. Serra ganhou com confortável maioria nas zonas onde o Maluf era forte: Mooca, Tatuapé e Vila Maria.
9. Márcio Pochmann em Campinas foi outra aposta do PT em novatos em eleição, que participaram do governo federal e que tem ligação com as universidades. Perdeu por larga vantagem para Jonas Donizette porque, ao contrário de Haddad, não conseguiu formar maioria esmagadora na periferia. Na zona mais periférica da cidade, teve 52,5%. Nas zonas centrais, não foi pior do que Haddad foi nas zonas centrais de São Paulo.
10. Enquanto o voto do PT é forte na periferia, o voto no PSOL ainda vem de eleitores com renda mais alta. No Rio, Marcelo Freixo teve 28% no total, e 40% na Zona Sul.
11. Fechadas as urnas e apurados os votos hoje, foi possível ver que muitos candidatos do PT tiveram de 2 a 3 pontos percentuais a menos do que o que foi indicado pelas pesquisas divulgadas sábado à noite. Quando o erro persiste na pesquisa boca de urna, o problema é da metodologia da pesquisa. Quando o erro não persiste na boca de urna, é possível perceber que muitos indecisos optam pelo anti-PT na última hora. Isso já aconteceu com Lula em 2002 e 2006 e Dilma em 2010. O PT tem que observar isso.
12. Nenhum candidato vai ter tempo de tomar posse, porque o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Márcio Pochmann no segundo turno em Campinas
O PT parecia estar queimado na cidade. O primeiro prefeito do PT em Campinas foi Jacó Bittar em 1988, que deixou o partido no meio do mandato. O segundo foi Toninho, no qual a população tinha grandes esperanças, mas foi covardemente assassinado em 10 de setembro de 2001. A administração da vice Izalene não foi bem avaliada pela maioria da população. Posteriormente, o Vilagra, o vice petista de Dr. Hélio que assumiu a prefeitura por causa do impeachment deste, também sofreu impeachment por estar vinculado a escândalos de corrupção.
Além disso, Márcio Pochmann era um desconhecido para não acadêmicos. Nunca havia disputado uma eleição. E não são todos os cidadãos que sabem o que é o IPEA. E nem mesmo sabem o que é Unicamp, que não é acessível para todos.
A maior aparição de Márcio Pochmann na grande mídia foram os temores de que ele ia colocar um monte de comunista para comer criacinha dentro do IPEA.
E o principal adversário de Pochmann à prefeitura era Jonas Donizette, um conhecido político local, que concorria pelo PSB em aliança com o PSDB. Era aliado do governo estadual sem ser oposição ao governo federal.
Na primeira pesquisa do Ibope, realizada em meados de julho, o petista tinha 1% das intenções de voto.
Apesar de tudo isso, Márcio Pochmann cresceu, obteve 28,56% dos votos válidos no primeiro turno e vai disputar o segundo turno contra Jonas Donizette, que teve 47,60%, depois de passar semanas sendo favorito para ganhar no primeiro turno.
Outra surpresa em Campinas foram os 2,39% no candidato do PSOL e os 2,16% na candidata do PSTU, em uma cidade que teve candidato do PT.
Além disso, Márcio Pochmann era um desconhecido para não acadêmicos. Nunca havia disputado uma eleição. E não são todos os cidadãos que sabem o que é o IPEA. E nem mesmo sabem o que é Unicamp, que não é acessível para todos.
A maior aparição de Márcio Pochmann na grande mídia foram os temores de que ele ia colocar um monte de comunista para comer criacinha dentro do IPEA.
E o principal adversário de Pochmann à prefeitura era Jonas Donizette, um conhecido político local, que concorria pelo PSB em aliança com o PSDB. Era aliado do governo estadual sem ser oposição ao governo federal.
Na primeira pesquisa do Ibope, realizada em meados de julho, o petista tinha 1% das intenções de voto.
Apesar de tudo isso, Márcio Pochmann cresceu, obteve 28,56% dos votos válidos no primeiro turno e vai disputar o segundo turno contra Jonas Donizette, que teve 47,60%, depois de passar semanas sendo favorito para ganhar no primeiro turno.
Outra surpresa em Campinas foram os 2,39% no candidato do PSOL e os 2,16% na candidata do PSTU, em uma cidade que teve candidato do PT.
O maior herdeiro dos votos no Maluf foi Russomanno? Não!
O maior herdeiro dos votos no Maluf foi José Serra.
A maior fortaleza do Maluf era a "zona leste de dentro", de classe média média e classe média baixa. As zonas onde ele ia melhor era Mooca, Tatuapé e Vila Maria. Na "zona leste de fora" e na "zona sul de fora", as partes mais petistas e de renda mais baixa de São Paulo, Maluf tinha as piores votações, mais baixas até do que nos bairros nobres.
Pois foi na "zona leste de fora" e na "zona sul de fora" que Russomanno teve sua maior votação, embora tenha ficado atrás de Haddad nesses lugares. Quem ganhou disparado na Mooca, Tatuapé e Vila Maria foi José Serra, que teve bem mais que os 31% que teve na cidade como um todo.
Parece que o aperto de mão Lula-Maluf não ajudou muito o Haddad.
A maior fortaleza do Maluf era a "zona leste de dentro", de classe média média e classe média baixa. As zonas onde ele ia melhor era Mooca, Tatuapé e Vila Maria. Na "zona leste de fora" e na "zona sul de fora", as partes mais petistas e de renda mais baixa de São Paulo, Maluf tinha as piores votações, mais baixas até do que nos bairros nobres.
Pois foi na "zona leste de fora" e na "zona sul de fora" que Russomanno teve sua maior votação, embora tenha ficado atrás de Haddad nesses lugares. Quem ganhou disparado na Mooca, Tatuapé e Vila Maria foi José Serra, que teve bem mais que os 31% que teve na cidade como um todo.
Parece que o aperto de mão Lula-Maluf não ajudou muito o Haddad.
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