domingo, 3 de maio de 2015

Meu pitaco sobre a Reforma Política

Como se fala muito de Reforma Política, aqui vai meu pitaco: o sistema de representação que eu considero ideal é o sistema de representação distrital mista, como ocorre na Alemanha. Não é tão complicado. Cada estado é dividido em distritos de população semelhante, que podem englobar tanto várias cidades pequenas, quanto vários bairros de uma cidade grande. Cada distrito elege seu deputado. Mas além de votar para o candidato a deputado do seu distrito, cada eleitor também vota... em um partido. Esta votação no partido é o que define quantas cadeiras cada partido vai ter na Câmara. Quando o número de deputados eleitos nos distritos não é suficiente para preencher as vagas a que o partido tem direito, o restante das vagas é preenchido pela lista do partido. Este sistema reúne as vantagens da representação distrital com as vantagens da representação proporcional.
O atual sistema brasileiro de representação proporcional com lista aberta favorece a formação do Congresso BBB (Bíblia, Boi, Bala) porque exige custos altíssimos de campanha para poder ser eleito, uma vez que um mesmo candidato pode ter votos tanto em Ubatuba quanto em Presidente Prudente (cidades muito distantes uma da outra). Aí ganha quem tem dinheiro. Além disso favorece candidatos fanfarrões porque quem mais polemiza mais é lembrado no meio de milhares de candidatos e ainda favorece a prática de usar celebridades pra puxar votos. O sistema de representação distrital pura tem o perigo de dificultar o pluripartidarismo e favorecer apenas candidatos que tratam de questões locais. O sistema de representação proporcional com lista fechada dificilmente se adaptaria ao Brasil porque muitos brasileiros gostam de votar em pessoas e 75% dos brasileiros não têm partido preferido. E o distritão reúne o pior de todos os sistemas.

Eu entendo que possa existir preocupação sobre quem e como vai desenhar os distritos. Não nego a possibilidade de haver desenhos feitos para beneficiar determinados políticos. Mas isto seria mal menor em comparação com os defeitos dos outros sistemas. E dizer que não é bom adotar a representação distrital porque é difícil desenhar os distritos é igual dizer que não é bom adotar as cotas porque é difícil definir quem é negro e quem é índio.
 E óbvio, também é importante tratar do fim do financiamento de campanha por pessoas jurídicas e estabelecimento de limites de valores para pessoas físicas.

sábado, 25 de abril de 2015

Por que eu não escrevo crítica de filme neste espaço

Tenho Twitter e Facebook, mas como sou jurássico e mantenho uma nostalgia com a saudosa década de 2000, preservo ativo este Blog, enquanto que alguns ex-blogueiros viraram feicebuqueiros e tuiteiros. Um dos critérios que eu utilizo para definir se eu posto algo no Twitter, no Facebook ou aqui no Blog é o tamanho. Posto frases no Twitter, imagens ou textos de um parágrafo no Facebook e textos de mais de um parágrafo aqui. Uso o Twitter e o Facebook também para dar link para textos aqui do Blog, e também de outros textos que eu acho interessante. Fotos minhas de encontros com familiares e amigos eu posto no Facebook com a função de torna-las visíveis somente para quem está nos meus contatos. Não apenas o tamanho é critério para definir o meio de postagem. Público alvo também conta. Twitter e Blog são os extremos em termos de tamanho, mas têm em comum o fato de serem mídias em que somente quem está interessado em ler o que eu escrevo vê. O que eu escrevo no Facebook é lido por colegas e ex-colegas de trabalho, colegas e ex-colegas de estudo, familiares próximos e distantes (só não é lido por quem me acha um chato e deu unfollow, mas não sei se tem tanta gente assim). Portanto, o que eu não tenho interesse que pessoas que não têm interesse específico no assunto leiam, eu posto no Twitter ou no Blog. Ou seja, mensagens políticas mais pesadas é para o Twitter e para o Blog, amenidades é para o Facebook, embora eu politize também o Facebook de vez em quando.
E quanto a escrever sobre filmes? Eu gosto de ir ao cinema. Mesmo morando no Rio de Janeiro, eu faço de vez em quando um programa típico paulistano: ir ao cinema sozinho. Mas não sou especialista do assunto. A crítica de cinema é uma atividade profissional, e desta área, eu não sou profissional. Ninguém merece ler textão de leigo sobre filme, tentando "analisar" os aspectos técnicos. Sobre filmes eu escrevo no Facebook, basicamente dizendo se gostei ou não gostei e explicando o porquê, de acordo com o meu gosto. Como sou leigo, jamais saberia escrever um textão avaliando se outras pessoas gostariam do filme ou não.
Prefiro deixar este Blog para assuntos que eu tenho mais conhecimento por estudo ou experiência profissional: economia, política e administração pública.

E por falar em formas de se comunicar na Internet, sabe o que eu acho muito engraçado? Pessoas achando que seus perfis no Twitter e no Facebook são Jornal Nacional. Sentem-se obrigadas a postar algo sobre celebridade que morreu no dia ou postar algo em alguma data especial sobre o significado daquela data especial. Quando alguma celebridade morre, o Twitter e o Facebook inteiro fala do ocorrido e do significado desta pessoa. Não, pessoal, não precisa fazer isso. Podemos escrever apenas sobre as celebridades que admiramos.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O futuro da esquerda no Brasil

Não pretendo fazer neste post um julgamento de valor, apenas uma análise objetiva de conjuntura. Não vem ao caso se eu acho bom ou ruim, mas é fato:
Nos próximos anos, a esquerda nacionalista desenvolvimentista estruturalista cepalina anti-imperialista vai hibernar. Pode acordar algum tempo depois e retomar relevância, mas não no futuro muito próximo. A esquerda que terá mais relevância no Brasil nos próximos anos será aquela relacionada à democracia participativa, defesa do ...meio ambiente, defesa de políticas urbanas inclusivas, defesa de minorias étnicas e sexuais, repúdio à violência policial, modernização de valores e preocupada mais em responder à pergunta sobre "o que os movimentos sociais devem fazer" do que "o que o Estado deve fazer para atender as demandas dos movimentos sociais".
Daqui pra frente e pras gerações mais novas, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Guilherme Boulos e Fernando Haddad terão mais influência do que Lula, Mercadante e Marco Aurélio Garcia. Vladimir Safatle, Ricardo Antunes, Márcio Pochmann e Leonardo Avritzer terão mais influência do que Luiz Gonzaga Belluzzo, Carlos Lessa, Wilson Cano e Samuel Pinheiro Guimarães (o Professor Selfie de Pau seria outro influente da nova safra se não fosse aquela polêmica). Leonardo Sakamoto, Matheus Pichonelli, Gregório Duvivier e Laura Capriglione terão mais influência do que Mino Carta e Altamiro Borges.
No jogo da política, também ocorre de uns irem pro banco de reservas e outros entrarem em campo.

domingo, 5 de abril de 2015

Não sei como é que o Metrô do Rio de Janeiro consegue ser tão precário

Conheço o metrô de Viena, de Berlim e de Madrid. São muito melhores do que o do Rio de Janeiro. Mas não precisa ir para o Primeiro Mundo para ver metrô bem melhor do que o do Rio de Janeiro. Os de Budapeste, Santiago (Chile) e São Paulo também são.
Entre os que eu conheço, o metrô do Rio de Janeiro é o único em que mesmo nos horários de pico, não passa composição de dois em dois minutos. Na melhor das hipóteses, é de três em três minutos. E olha que eu estou falando do trecho entre as estações Botafogo e Central, onde as duas linhas se coincidem nos dias de semana. Se não há contratempo, passa nesse trecho, em horário de pico, composição da linha 1, três minutos depois passa composição da linha 2, três minutos depois passa composição da linha 1 e assim por diante. Ou seja, nos trechos em que as linhas não coincidem, passa composição de seis em seis minutos em horário de pico, e como eu disse, quando não há contratempo.
Os contratempos são bastante frequentes. De vez em quando a composição freia bruscamente no meio do túnel e fica algum tempo parada "aguardando a sinalização", de vez em quando anda bem devagar entre uma estação e outra, de vez em quando fica parada na estação muito mais tempo do que o normal. Quem procura no google "metrô rio intervalos irregulares" encontra uma lista enorme de notícias falando que o metrô do Rio estava operando com intervalos irregulares, em datas diversas e por motivos diversos.
Mesmo quando não há incidentes, o metrô do Rio de Janeiro é habitualmente mais lento do que o metrô em outras cidades do mundo. Às vezes, as composições da linha 2, quando trafegam entre a estação Maracanã e a Central, dão a impressão que andam sobre os trilhos puxadas por jegue.
Por causa da demora na espera, da demora na circulação, uma viagem entre as estações Cinelândia e Maracanã dura aproximadamente 20 minutos. Dada a não tão grande distância entre essas duas estações, não precisava demorar tanto assim.
Quando à lotação, eu sei que metrô nos horários de pico é lotado no mundo inteiro. Não seria economicamente viável ter metrô se só houvesse passageiros sentados. Mas a lotação do metrô da Cinelândia para a Central entre as 17 e as 19 horas de dias úteis bate qualquer recorde. As composições da linha 2 da Pavuna para o centro andam lotadas durante a manhã inteira, não apenas entre as sete e as nove horas.
Algumas estações não são adaptadas para receber um número muito grande de passageiros e, em alguns momentos, as filas são enormes até para passar na catraca.
Aos domingos, quando as linhas não coincidem, seria melhor até ter horário marcado, de tão pouca frequência que passam as composições. E não é por falta de volume de passageiros. As composições, que aparecem com tão pouca frequência, andam lotadas de pessoas indo para as praias.

E o precinho? R$3,70

sábado, 4 de abril de 2015

Sobre o Cabo Daciolo no PSOL

Não é errado que partidos de esquerda tenham alguns políticos que sejam religiosos, que gostem de falar de deus, que sejam contra a legalização da maconha e que sejam indiferentes às reinvindicações do movimento LGBT (mas não hostis a elas). Só vejo mais negativamente quem é anti-gay (até porque homofobia é um tipo de racismo) e quem é contra a legalização do aborto (até porque se trata de um tema que atinge diretamente mulheres pobres).
De qualquer forma, uma esquerda que foca apenas na questão da desigualdade e dos direitos dos trabalhadores, mas não defende bandeiras culturais pós-1968, tem direito de existir, mesmo que não concordemos com ela. Lideranças assim poderiam até ajudar o PSOL a lidar com um sério problema: a dificuldade deste partido se aproximar das classes mais baixas. Não é só com universidade e com sindicato de servidores públicos que se faz política de esquerda.
O problema é que o Cabo Daciolo não representa uma esquerda conservadora em valores morais. Representa esquerda nenhuma. Apenas o conservadorismo em valores morais. Falar de deus é uma coisa, propor que ele deva ter mais poder do que o povo é outra. Pode existir uma esquerda religiosa, mas não uma esquerda teocrata. Abraçar Bolsonaro é inadmissível para um político de um partido de esquerda. O mesmo vale para defender policiais que torturaram e mataram um morador de favela (que liderança "popular" é essa?). E como eu disse antes, uma coisa é ser indiferente às bandeiras do movimento LGBT, outra é ser hostil a essas bandeiras.
Portanto, o Cabo Daciolo já está fazendo hora extra no PSOL. Mantê-lo seria um puro realpolitik que o PSOL critica muito quando outros partidos fazem.

domingo, 22 de março de 2015

Meu site citado em uma monografia

Quando eu fiz o Atlas das Eleições Presidenciais no Brasil, eu divulguei-o no meu Facebook e no meu Twitter particular, em comunidades do Facebook e no site do Luís Nassif. Ou seja, um tanto de pessoas tomou conhecimento deste site.
Há alguns dias, eu tive curiosidade de saber se meu site passou a ser utilizado como referência. Procurei entre aspas no Google "Atlas das Eleições Presidenciais no Brasil". E não é que eu encontrei uma monografia de conclusão de graduação em Economia na Universidade de Brasília que utilizou dados do meu atlas e citou-o no final do trabalho?
O trabalho foi sobre a aplicação dos ciclos políticos-econômicos no Brasil. Apresentou os modelos de Nordhaus, Hibbs e Alesina sobre a influência da macroeconomia nas eleições e das eleições na macroeconomia, e depois testou estes modelos para o Brasil. Para isso, utilizou indicadores macroeconômicos do Brasil e resultados de eleições. Estes, foram obtidos do meu atlas.
Foi uma grande coincidência, sabem por quê? Porque eu também sou graduado em Economia (só que pela Unicamp) e também fiz minha monografia sobre modelos de ciclos políticos-econômicos, incluindo Nordhaus, Hibbs e Alesina. E passei a me interessar por geografia eleitoral, a ponto de fazer este atlas, justamente por ter feito esta monografia. Meu trabalho não tratou de geografia eleitoral, mas eu precisava encontrar dados sobre resultados das eleições presidenciais norte-americanas. Eu queria só os resultados nacionais, não estava interessado em votação por estado e por condado. Mas onde eu encontrei esses dados foi no Dave Leip's Atlas of US Presidential Elections, que tinha não só os resultados nacionais, como também os resultados por estado e por condado. Aí que eu fiquei fascinado pelo tema. Achei muito curioso os mapas eleitorais dos Estados Unidos de 1896 e 2004 serem praticamente o oposto um do outro, e o mesmo ter ocorrido em relação a 1956 e 1964. Passei posteriormente a estudar este tema por conta própria. Até que eu resolvi fazer o equivalente ao Dave Leip's Atlas para o Brasil, mas com menos recursos. Meu atlas é o primo pobre do Dave Leip's.
O trabalho da graduanda da Universidade de Brasília ficou bom, mas não posso deixar de mencionar um erro que ela cometeu justamente ao utilizar os dados do meu atlas. Elas apresentou os resultados eleitorais de capitais do Brasil de 2006 e 2010 colocando no título da tabela que eram de regiões metropolitanas. Não eram.

terça-feira, 17 de março de 2015

Como em algumas vezes os progressistas se auto-sabotam

Depois de tantos posts falando mal de conservadores, vale a pena fazer um falando mal de progressistas. Na maioria das situações, progressistas têm ideias iguais às minhas. Portanto, vou fazer crítica não às ideias, mas às formas através das quais elas são habitualmente defendidas. Isto porque eu desejo que as ideias progressistas sejam defendidas com maior potencial de alcance. Como a maré no Brasil está muito mais favorável aos conservadores na atualidade, os progressistas devem ter atenção redobrada

Muitas vezes, progressistas se sabotam. Isso ocorre tanto com colunistas de sites, jornais e revistas, quanto com comentaristas amadores que utilizam Facebook, Twitter e blogs.

Mudar a opinião das pessoas é saber dialogar com a turma do senso comum. Auto-sabotagem é gerar uma repulsa tão grande que impossibilita qualquer diálogo. Eis alguns exemplos de auto-sabotagem:

 
Tentar combater intolerância ao ateísmo utilizando intolerância ao teísmo

Ainda existe muita intolerância ao ateísmo no Brasil. Já houve candidato a presidente do Brasil em 2010 que usou ateufobia como mote de campanha. Em escolas públicas, existem aulas de ensino religioso “optatórias” e orações coletivas obrigatórias. Portanto, é importante um ativismo ateísta para demonstrar que ateus merecem ser respeitados. Ateus não são nem piores nem melhores do que crentes. O problema começa quando determinada militância ateísta na Internet resolve defender que ateus são melhores, que ateus são mais inteligentes, que quem tem religião é ignorante. Isso se vê em alguns memes de comunidades pró-ateísmo no Facebook.

O propósito do ativismo ateísta deveria ser mostrar que ateus não são nem melhores nem piores do que crentes, que mesmo se ateus fossem piores, Deus não existiria só por causa disso, e que ateus e monoteístas têm em comum a descrença em muitos deuses. Ateísmo sim, antiteísmo não. Um vídeo do Pirula trata muito bem desta questão https://www.youtube.com/watch?v=xcmNSgHuPRc

 
Exagerar

Às vezes, progressistas reagem indignados aos pronunciamentos da Rachel Sheherazade, principalmente aquele do rapaz no poste, e chamam a comentarista de nazista. Gente, calma lá. A Rachel Sheherazade não é nazista. Ela apenas reproduz o que qualquer tiozão reaça fala em almoço de família. É certo que no início, chocou ver uma pessoa dessas na televisão. Mas não por que ela é uma pessoa única, original. E sim porque ela é igual a muitas pessoas de determinada classe social, ela diz muita coisa que é lugar comum porque ela é um grande lugar comum. Ela é diferente porque ela é igual a muitos, e na televisão, o que habitualmente apareciam eram pessoas diferentes. Mais uma vez, o Pirula aborda muito bem a questão https://www.youtube.com/watch?v=d_e9juqBDis Ele critica o exagero os progressistas e destrói um por um os argumentos da Sheherazade na questão do rapaz no poste.

Quando alguém que expressa opiniões políticas adquire o estigma de exagerado, acaba pregando somente para os próprios fiéis.

 
Ser muito minucioso sobre as palavras que devem ser utilizadas para denominar minorias

É óbvio que não devemos falar “baitola” ou “queima-rosca”, mas pode ser um preciosismo muito grande considerar que temos que falar “gay” e não podemos falar “homossexual”. Alguém pode contra-argumentar: “ah, mas você não pertence a essa minoria, você nunca teve a experiência de viver como integrante desta minoria, então você não sabe como podem ser ofensivas algumas expressões que aparentemente são inofensivas”. Respeito este argumento, mas tenho outro. A vivência de compartilhar os mesmos ambientes com pessoas que vivem no senso comum. As pessoas do senso comum têm na cabeça a imagem dos “chatos do politicamente correto” e parecer um deles torna qualquer diálogo impossível. Eu posso estar errado nesta questão, e quem vive a experiência de ser um membro de minoria pode ter boas explicações para o rigor sobre o uso de palavras. Mas por enquanto, continuo pensando que denunciar situações de opressão é muito mais relevante do que cobrar o uso desta e daquela palavra.

 
Exaltar o consumo ilegal de maconha

Quem menos vai ser ouvido quando defende a legalização da maconha é quem exalta a droga, quem defende que devemos consumir ilegalmente a droga quando seu comércio legal não é permitido. A melhor pessoa para defender a legalização da maconha, que tem mais chance de ser ouvida, é aquela que não é identificada com o consumo da droga. Que é identificada mais pelo envolvimento em saúde pública, segurança pública. Óbvio que consumidores de droga também podem ser envolvidos em saúde pública, segurança pública. Mas é mais fácil combater diretamente a ideia de que a droga leve tem que ser proibida, do que a imagem muito negativa do consumidor ilegal.

 
Justificar ação de bandidos

Não é bom para a causa dos direitos humanos que ela seja defendida por alguém que considera aceitável uma pessoa ameaçar a tirar a vida da outra por causa de um par de tênis de grife, dizendo coisas como “ele nasceu na miséria, vive em uma sociedade consumista, cercado por propaganda por todos os lados”. Isso ajuda os inimigos dos direitos humanos, que querem retratar os defensores dos direitos humanos como simpatizantes de bandidos. As pessoas têm que saber claramente que repudiar tortura, execuções e prisões superlotadas não é ser a favor de bandido, não é justificar o que bandido faz.

 
Praticar iconoclastia desnecessária

Leonardo Sakamoto é um ótimo colunista e percebe bem como os progressistas não devem se sabotar, que gostando ou não, eles devem saber se comunicar com a turma do senso comum, porque é essa turma que tem a opinião a ser disputada. Mas acho que ele pisou uma vez na bola quando disse que o verdadeiro herói nacional é o brasileiro pobre que luta todos os dias pela sobrevivência sua e de sua família, e não o Ayrton Senna. Este ponto de vista é questionável. No Brasil, há muitas pessoas sofridas e batalhadoras, mas para ser herói precisa ser excepcional. Além disso, o Ayrton Senna é querido pela maioria dos brasileiros, e enfrentar a opinião da maioria é necessário quando esta opinião é ruim. Ter o Senna como ídolo não parece o caso. Quem pratica iconoclastia desnecessária passa a impressão de ser uma pessoa pedante e pretensiosa. Não é o caso de Sakamoto.


Considerar que todas as mulheres, e integrantes de minorias étnicas e sexuais devem necessariamente ser de esquerda

A política já teve ou tem mulheres como Margaret Thatcher, Angela Merkel, Sarah Palin, Kátia Abreu, Yeda Crusius e Roseana Sarney. O ministro das relações exteriores do governo de Angela Merkel já foi o gay assumido Guido Westerwelle. O governo Sarkozy já teve ministras árabes. Bush Senior já indicou negro para a Suprema Corte. Bush Junior teve Condoleeza Rica e Colin Powell em seu governo. Muitas vezes, progressistas têm dificuldade de entender a presença de minorias em governos conservadores. E alguns deles acabam fazendo comentários involuntariamente preconceituosos. Vide o caso do Joaquim Barbosa, que dá gancho para o próximo tópico...

 
Minimizar a importância da presença de políticos do PT em escândalos de corrupção

Até agora não estava falando de PT, estava discutindo abordagem de pautas que não têm a ver com PT, mas como muita gente pensa erroneamente que esquerda é igual a somente PT, não tem como não abordar este tema. Pega muito mal escritores reconhecidamente defensores do PT dizerem sobre escândalos de corrupção que “sempre foi assim, todo mundo fez”. Se sempre foi assim, sempre foi errado. Se todo mundo fez, todo mundo estava errado. Quem continua usando esta desculpa acaba ajudando a queimar mais ainda o filme do PT, pois passa a impressão de que a única defesa que se pode fazer do partido é dizer que os outros também fizeram coisa errada. Como muitos blogueiros/colunistas de esquerda são simpatizantes do PT, e isto ajuda a passar a impressão de que esquerda=PT, a desculpa do “todo mundo fez” ajuda a queimar o filme da esquerda.


Metralhar posts de política no Facebook
Isso, qualquer um que é muito envolvido em política, de qualquer orientação ideológica faz. É o melhor caminho para receber muitos unfollow. É sempre conveniente alternar política com amenidades.



Conservadores também se sabotam frequentemente, mas eu não vou dar dica para eles.