terça-feira, 8 de setembro de 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
A relação delicada entre a esquerda tradicional e os novos movimentos sociais
Quem é da esquerda tradicional, mais ligada às questões de classe, e quem é militante dos novos (e alguns nem tão novos) movimentos sociais como o negro, o indígena, o de imigrantes, o feminista, o LGBTT, o ambientalista, o pró-legalização de drogas leves e o vegan não precisa chegar a um acordo e passar a defender as mesmas ideias, não precisa convergir o pensamento. Basta ter respeito e compreensão pelo outro. Manter as diferenças, mas aceitar as diferentes e lutar junto naquilo que converge. No que diverge, ...cada um faz sua luta e o outro segue a máxima do Gregório Duvivier: "não quer ajudar OK, mas pelo menos não atrapalha".
Os militantes dos novos movimentos sociais têm que saber que os militantes da esquerda tradicional não têm necessariamente que concordar com todas as bandeiras dos novos movimentos. Os militantes da esquerda tradicional têm que respeitar o direito de uma feminista, mesmo sendo também de esquerda, se identificar mais como uma mulher do que como uma integrante da classe trabalhadora internacional, ou um militante negro se identificar mais como negro do que como um integrante da classe trabalhadora internacional.
Eu não concordo com tudo que os novos movimentos pregam. Se o movimento vegan quiser proibir consumo de carne ou uso de animais para desenvolver remédios eu vou lutar contra porque acho que isso seria prejudicial para a sociedade. Mas se o movimento feminista ou negro ou indígena pregarem coisas que não concordo mas que não causam danos, não vou ficar batendo só pra desqualificar esses movimentos.
Vi uma vez no blog do Luís Nassif um senhor escrevendo que se considerava esquerda old fashion e achava que era fashionismo a nova esquerda defender ambientalismo, feminismo, LGBTT. Disse que era contra o SUS pagar "cirurgia estética de troca de sexo". Ser contra tudo bem. Ele não tem obrigação de ser a favor. Mas chamar de "estética" mostra desconhecimento sobre o tema, ofende pessoas, gera adversidades contra quem poderia ser aliado em outras causas.
Os militantes dos novos movimentos sociais têm que saber que os militantes da esquerda tradicional não têm necessariamente que concordar com todas as bandeiras dos novos movimentos. Os militantes da esquerda tradicional têm que respeitar o direito de uma feminista, mesmo sendo também de esquerda, se identificar mais como uma mulher do que como uma integrante da classe trabalhadora internacional, ou um militante negro se identificar mais como negro do que como um integrante da classe trabalhadora internacional.
Eu não concordo com tudo que os novos movimentos pregam. Se o movimento vegan quiser proibir consumo de carne ou uso de animais para desenvolver remédios eu vou lutar contra porque acho que isso seria prejudicial para a sociedade. Mas se o movimento feminista ou negro ou indígena pregarem coisas que não concordo mas que não causam danos, não vou ficar batendo só pra desqualificar esses movimentos.
Vi uma vez no blog do Luís Nassif um senhor escrevendo que se considerava esquerda old fashion e achava que era fashionismo a nova esquerda defender ambientalismo, feminismo, LGBTT. Disse que era contra o SUS pagar "cirurgia estética de troca de sexo". Ser contra tudo bem. Ele não tem obrigação de ser a favor. Mas chamar de "estética" mostra desconhecimento sobre o tema, ofende pessoas, gera adversidades contra quem poderia ser aliado em outras causas.
O debate sobre o financiamento empresarial de campanhas eleitorais
O financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas corrompem a democracia por três motivos
1. Empresas não doam, e sim investem. Empresas que fornecem bens e serviços a governos, como construção civil, limpeza, alimentação e material didático "doam" em troca de contratos muitas vezes superfaturados, feitos depois de pseudo licitações. Indiretamente é uma forma perversa de "financiamento público" de campanha, pois o dinheiro vai das empresas para os partidos, mas a origem deste dinheiro está nos cofres públicos. Esse esquema não precisa sequer de caixa dois para funcionar. Muitas vezes funciona no caixa um mesmo, com doação declarada. Por isso, a desculpa de que é melhor ser permitido o financiamento empresarial porque é mais transparente não passa de lorota. O que foi descrito até aqui trata do caso clássico de corrupção. Mas os dois motivos a seguir também têm a ver com corrupção.
2. Empresas dão dinheiro para campanhas em troca de legislação favorável ou outro tipo de atuação parlamentar favorável específica para a empresa que doou ou para o setor da empresa que doou. Exemplo mais evidente é a contribuição de uma empresa de plano de saúde para a campanha de Eduardo Cunha, que recebeu como troca o enterro da CPI dos Planos de Saúde. Também é a Câmara aprovando o fim da rotulação de transgênicos.
3. Se os dois motivos anteriores tratam de politicagem, este trata de política em um sentido mais amplo. Detentores do capital utilizam as doações para campanhas eleitorais como forma de mandar na política. Dessa forma, revertem a desvantagem numérica que decorrem do fato de eles serem minoria dentro da população. Com isso, o Congresso jamais aprova aumento de progressividade de impostos, que beneficiaria a esmagadora maioria da população, mas não os doadores. É um típico caso de conflito esquerda X direita. Basta ver como cada partido votou.
Os ativistas favoráveis ao fim do financiamento de campanhas por empresas falam com mais frequência do primeiro motivo, pois acham que corrupção é um tema que sensibiliza mais as pessoas. O terceiro motivo tem gente que nem vai querer ouvir, pois acha luta de classes uma coisa feia e boba.
Há dois problemas nesta tática. O primeiro é que parlamentares que têm interesse em manter o financiamento por empresas por causa do segundo e do terceiro motivo podem driblar o primeiro motivo e desarmar opiniões contrárias através da proibição de doações de empresas que fornecem diretamente bens e serviços para o governo. Se isto realmente ocorrer, o segundo e o terceiro motivo sobrevivem. O segundo problema desta tática é que muita gente despolitizada pensa que esquerda = petê. Confundem bandeiras da esquerda com bandeiras do petê. Aí não vão confiar em dicas do petê sobre como combater a corrupção.
Podemos pensar em abordar o segundo e o terceiro motivo. O entendimento é menos simples do que o primeiro. Mas não precisamos neste momento de assuntos fáceis. A próxima eleição está distante. Pensemos no trabalho de longo prazo de construção de consciência política.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Cadê os "libertários"?
Quem defende "liberalismo econômico" adora utilizar as palavras livre, liberdade, liberal, libertário. Costuma dizer que defende a autonomia do indivíduo, que é contra o Estado decidir o que o indivíduo deve ou não deve fazer. É um jeito bonito de pregar eliminação de direitos sociais. Fala como se direitos sociais e individuais fossem excludentes. Que para ter mais direitos individuais, é necessário eliminar direitos sociais.
É isso mesmo?
Bom, vamos aos acontecimentos recentes do Brasil
> 19 indivíduos foram assassinados na periferia da Região Metropolitana de São Paulo. Os maiores suspeitos são agentes do Estado que no momento não usavam uniforme
> Indivíduos moradores de favela foram impedidos por agentes do Estado do Rio de Janeiro de ir à praia, um lugar teoricamente público
> Um palhaço foi preso por agentes do Estado do Paraná por falar mal deles. Na prática, esses agentes confirmaram o conteúdo da fala do palhaço.
> Há um projeto de lei que prevê que o Estado pode prender professores por causa daquilo que eles falam em sala de aula.
Quem se indignou com esses abusos do Estado contra indivíduos? Foram os mencionados liberais libertários que falam tão bem do indivíduo e tão mal do Estado? Pelo que eu vi entre as opiniões das pessoas que eu conheço, NÃO.
Quem eu vi se indignando com este abuso do Estado contra indivíduos foi gente que gosta do John Maynard Keynes, do Joseph Stiglitz e do Paul Krugman, e não gente que gosta do Ludwig Von Mises, do Friedrich Hayek e do Milton Friedman.
A verdade é que quem não gosta de direito social gosta sim de direito individual. Direito individual para o dinheiro, não para seres humanos.
Analverkehr ein Mann und eine Ziege Analverkehr ein Mann und eine Ziege Analverkehr ein Mann und eine Ziege
É isso mesmo?
Bom, vamos aos acontecimentos recentes do Brasil
> 19 indivíduos foram assassinados na periferia da Região Metropolitana de São Paulo. Os maiores suspeitos são agentes do Estado que no momento não usavam uniforme
> Indivíduos moradores de favela foram impedidos por agentes do Estado do Rio de Janeiro de ir à praia, um lugar teoricamente público
> Um palhaço foi preso por agentes do Estado do Paraná por falar mal deles. Na prática, esses agentes confirmaram o conteúdo da fala do palhaço.
> Há um projeto de lei que prevê que o Estado pode prender professores por causa daquilo que eles falam em sala de aula.
Quem se indignou com esses abusos do Estado contra indivíduos? Foram os mencionados liberais libertários que falam tão bem do indivíduo e tão mal do Estado? Pelo que eu vi entre as opiniões das pessoas que eu conheço, NÃO.
Quem eu vi se indignando com este abuso do Estado contra indivíduos foi gente que gosta do John Maynard Keynes, do Joseph Stiglitz e do Paul Krugman, e não gente que gosta do Ludwig Von Mises, do Friedrich Hayek e do Milton Friedman.
A verdade é que quem não gosta de direito social gosta sim de direito individual. Direito individual para o dinheiro, não para seres humanos.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Apropriação cultural
Muitas pessoas que acompanham debates de variedades em Blogs, Facebook e Twitter muito provavelmente já se depararam com alguma discussão sobre o tema "apropriação cultural" https://pt.wikipedia.org/wiki/Apropria%C3%A7%C3%A3o_cultural , habitualmente exposto como algo negativo. Quem discute este tema critica as populações urbanas ocidentais do século XXI que utilizam como enfeite no vestuário algum objeto decorativo ameríndio, polinésio, chinês, africano ou indiano, se fantasiam de pessoas dessas culturas em festas e imitam rituais como forma de entretenimento.
Muita gente que toma contato recente com essa discussão considera-a tão fútil que acaba fazendo chacota dela. É uma reação natural reagir com chacota a causas e movimentos que acabam de conhecer, antes de ter mais tempo de refletir sobre o assunto. Quando ouviram falar de casamento gay pela primeira vez, há duas décadas, alguns perguntaram "e qual dos dois vai se casar de fraque, qual dos dois vai se casar de véu?". Quando ouviram falar de cotas pela primeira vez, alguns perguntaram "então se eu tomar sol, eu vou ter mais chance de entrar na universidade?". Atualmente, tanto casamento gay, quanto cotas são bem compreendidos.
Sinceramente, não acredito que o mesmo vai acontecer com a apropriação cultural. Não vejo crescer o número de pessoas que compreendem esta discussão. Vejo sim crescer o número de pessoas que fazem piada sobre essa discussão, pessoas que já tiveram tempo suficiente para pensar. Acredito que causas que fazem mais sentido mais pessoas compreendem com mais facilidade.
Eu sou um dos que ainda não entenderam a gravidade da apropriação cultural. Mas também não vou fazer chacota. Respeito as pessoas que acham importante esta bandeira. Mas não é por isso que vou virar militante anti apropriação cultural. Vou apenas, a partir do momento em que terminar de escrever este texto, seguir o conselho do Gregório Duvivier sobre movimentos em geral: não quer ajudar, pelo menos não atrapalhe.
Só não vou deixar de ser crítico daqueles que acham que a humanidade inteira tem a obrigação de entender a apropriação cultural de um dia para outro. São reprováveis atitudes como esculacho virtual de pessoas brancas que se fantasiaram de índio ou de mãe de santo em comemoração de carnaval. Essas pessoas talvez nem sabiam o que era apropriação cultural na hora que escolheram a fantasia, nem tinham a obrigação de saber. Essas pessoas podem sim ser introduzidas ao debate. Mas a pior forma de fazer isso é com esculacho virtual.
Muita gente que toma contato recente com essa discussão considera-a tão fútil que acaba fazendo chacota dela. É uma reação natural reagir com chacota a causas e movimentos que acabam de conhecer, antes de ter mais tempo de refletir sobre o assunto. Quando ouviram falar de casamento gay pela primeira vez, há duas décadas, alguns perguntaram "e qual dos dois vai se casar de fraque, qual dos dois vai se casar de véu?". Quando ouviram falar de cotas pela primeira vez, alguns perguntaram "então se eu tomar sol, eu vou ter mais chance de entrar na universidade?". Atualmente, tanto casamento gay, quanto cotas são bem compreendidos.
Sinceramente, não acredito que o mesmo vai acontecer com a apropriação cultural. Não vejo crescer o número de pessoas que compreendem esta discussão. Vejo sim crescer o número de pessoas que fazem piada sobre essa discussão, pessoas que já tiveram tempo suficiente para pensar. Acredito que causas que fazem mais sentido mais pessoas compreendem com mais facilidade.
Eu sou um dos que ainda não entenderam a gravidade da apropriação cultural. Mas também não vou fazer chacota. Respeito as pessoas que acham importante esta bandeira. Mas não é por isso que vou virar militante anti apropriação cultural. Vou apenas, a partir do momento em que terminar de escrever este texto, seguir o conselho do Gregório Duvivier sobre movimentos em geral: não quer ajudar, pelo menos não atrapalhe.
Só não vou deixar de ser crítico daqueles que acham que a humanidade inteira tem a obrigação de entender a apropriação cultural de um dia para outro. São reprováveis atitudes como esculacho virtual de pessoas brancas que se fantasiaram de índio ou de mãe de santo em comemoração de carnaval. Essas pessoas talvez nem sabiam o que era apropriação cultural na hora que escolheram a fantasia, nem tinham a obrigação de saber. Essas pessoas podem sim ser introduzidas ao debate. Mas a pior forma de fazer isso é com esculacho virtual.
Helio Gurovitz, seu amor por Eduardo Cunha e o Tea Party tupiniquim
Eu escrevi há alguns dias que é errado dizer que a grande mídia empresarial brasileira é "a favor do PSDB". Na verdade, a grande mídia empresarial brasileira é um partido próprio, um Tea Party tupiniquim. É o PSDB que é o partido com registro no TSE que mais se simpatiza com este Tea Party tupiniquim. Que por sua vez pode falar mal até mesmo do próprio PSDB se este der algum indício de "recaída" para a social democracia que nunca abraçou, mas que dá o nome ao partido.
Um dos maiores símbolos deste Tea Party tupiniquim é o colunista Helio Gurovitz. Em sua primeira coluna no G1, ele se autodenominou "liberal e contra o politicamente correto". Até aí não é novidade. Havia 22.624 colunistas que se definem como "liberal e contra o politicamente correto" na grande mídia empresarial brasileira. Com Hélio Gurovitz, o número passou a ser 22.625. Mas este se diferencia por escrever para o G1, um dos portais mais acessados do Brasil.
A orientação ideológica está presente com muita força no jornal O Estado de São Paulo, no jornal O Globo, nas revistas Veja e Época. Na Folha nem tanto, porque há uma grande diversidade de colunistas, para todos os gostos. O G1 era uma das ilhas não ideológicas na grande mídia empresarial brasileira, pois colocava colunas do Rodrigo Constantino, do Demétrio Magnoli, do Merval Pereira, do Marco Antônio Villa e do Denis Lehrer Rosenfield no cantinho da página, mas deixava o meio só com notícias, muitas delas redigidas de forma imparcial, é preciso reconhecer. O G1 abandonou essa política recentemente e se juntou ao bando do panfletarismo Tea Party, ao reintroduzir a seção de comentários das notícias (ai ai ai) e ao dar grande destaque para as colunas do Hélio Gurovitz. O texto dele de hoje mostra muito bem essa relação amistosa mas não sem atritos entre o Tea Party tupiniquim e o PSDB.
Qual a contribuição deste colunista para o engrandecimento cultural da humanidade? Pouca. Mais especificamente, muito pouca. Mais especificamente, nula. Como eu disse anteriormente, Hélio Gurovitz é apenas um dos 22.625 colunistas "liberais e contra o politicamente correto" que existem na imprensa brasileira. Mas ele não escreve apenas opinião. Ele também escreve notícias internacionais. Acessíveis para qualquer um que tem um computador ligado à Internet, sabe usar o Google, conhece os sites dos principais jornais do mundo e entende Inglês.
E como todo bom "liberal contra o politicamente correto", Hélio Gurovitz é apaixonado por Eduardo Cunha (não se trata de humor homofóbico, uma vez que valeria mesmo se tratasse de pessoas de gêneros opostos). Um dos argumentos utilizados pelo colunista a favor do presidente da Câmara foi a elevada produtividade, o número recorde de projetos de lei aprovados. Se fosse assim, eu depois de comer no rodízio de churrasco seria muito produtivo e digno de elogios, pois consigo fazer uma quantidade recorde de cocô.
O colunista do G1 atribui a aversão que parte da sociedade brasileira tem ao Eduardo Cunha à propaganda do PT. Isso explica porque ainda existem algumas pessoas que confiam no PT. Se precisar ser influenciado pelo PT para odiar alguém que tem histórico de ter trabalhado só para "gente boa" como Collor, PC e Garotinho, que mistura religião com política, que desrespeita quem luta pelos direitos dos gays, que fala que aborto só por cima do cadáver dele mesmo com tantos cadáveres de mulheres que tentam fazer ilegalmente, que tenta reduzir o debate sobre legalização da maconha, que é sério, a usuários de maconha, que usa expedientes podres para aprovar uma coisa podre, que é o financiamento empresarial de campanha, algumas pessoas podem pensar que mesmo com tantos podres, algo positivo o PT tem que ter. Eu acredito que repudiar Eduardo Cunha não depende do PT. Em qualquer país civilizado, se houvesse um líder de parlamento desse jeito, uma parcela da sociedade repudiaria. Certamente se a Casa dos Representantes dos Estados Unidos tivesse um "speaker" republicano igual o Eduardo Cunha, muitos democratas o odiariam. E que propaganda do PT é essa que faz apenas 7% dos brasileiros considerarem o governo Dilma ótimo ou bom? Muito mais do que 7% dos brasileiros rejeitam Eduardo Cunha.
O lado bom disso tudo é que com os acontecimentos recentes, o fã clube do Eduardo Cunha na imprensa brasileira pode ter levado uma queimadinha.
Mas uma coisa é certa: se Hélio Gurovitz ama o Eduardo Cunha tanto assim, quer dizer que ele não odeia tanto o PT. Afinal, o deputado carioca apoiou Dilma em 2010. hehehehehe
Um dos maiores símbolos deste Tea Party tupiniquim é o colunista Helio Gurovitz. Em sua primeira coluna no G1, ele se autodenominou "liberal e contra o politicamente correto". Até aí não é novidade. Havia 22.624 colunistas que se definem como "liberal e contra o politicamente correto" na grande mídia empresarial brasileira. Com Hélio Gurovitz, o número passou a ser 22.625. Mas este se diferencia por escrever para o G1, um dos portais mais acessados do Brasil.
A orientação ideológica está presente com muita força no jornal O Estado de São Paulo, no jornal O Globo, nas revistas Veja e Época. Na Folha nem tanto, porque há uma grande diversidade de colunistas, para todos os gostos. O G1 era uma das ilhas não ideológicas na grande mídia empresarial brasileira, pois colocava colunas do Rodrigo Constantino, do Demétrio Magnoli, do Merval Pereira, do Marco Antônio Villa e do Denis Lehrer Rosenfield no cantinho da página, mas deixava o meio só com notícias, muitas delas redigidas de forma imparcial, é preciso reconhecer. O G1 abandonou essa política recentemente e se juntou ao bando do panfletarismo Tea Party, ao reintroduzir a seção de comentários das notícias (ai ai ai) e ao dar grande destaque para as colunas do Hélio Gurovitz. O texto dele de hoje mostra muito bem essa relação amistosa mas não sem atritos entre o Tea Party tupiniquim e o PSDB.
Qual a contribuição deste colunista para o engrandecimento cultural da humanidade? Pouca. Mais especificamente, muito pouca. Mais especificamente, nula. Como eu disse anteriormente, Hélio Gurovitz é apenas um dos 22.625 colunistas "liberais e contra o politicamente correto" que existem na imprensa brasileira. Mas ele não escreve apenas opinião. Ele também escreve notícias internacionais. Acessíveis para qualquer um que tem um computador ligado à Internet, sabe usar o Google, conhece os sites dos principais jornais do mundo e entende Inglês.
E como todo bom "liberal contra o politicamente correto", Hélio Gurovitz é apaixonado por Eduardo Cunha (não se trata de humor homofóbico, uma vez que valeria mesmo se tratasse de pessoas de gêneros opostos). Um dos argumentos utilizados pelo colunista a favor do presidente da Câmara foi a elevada produtividade, o número recorde de projetos de lei aprovados. Se fosse assim, eu depois de comer no rodízio de churrasco seria muito produtivo e digno de elogios, pois consigo fazer uma quantidade recorde de cocô.
O colunista do G1 atribui a aversão que parte da sociedade brasileira tem ao Eduardo Cunha à propaganda do PT. Isso explica porque ainda existem algumas pessoas que confiam no PT. Se precisar ser influenciado pelo PT para odiar alguém que tem histórico de ter trabalhado só para "gente boa" como Collor, PC e Garotinho, que mistura religião com política, que desrespeita quem luta pelos direitos dos gays, que fala que aborto só por cima do cadáver dele mesmo com tantos cadáveres de mulheres que tentam fazer ilegalmente, que tenta reduzir o debate sobre legalização da maconha, que é sério, a usuários de maconha, que usa expedientes podres para aprovar uma coisa podre, que é o financiamento empresarial de campanha, algumas pessoas podem pensar que mesmo com tantos podres, algo positivo o PT tem que ter. Eu acredito que repudiar Eduardo Cunha não depende do PT. Em qualquer país civilizado, se houvesse um líder de parlamento desse jeito, uma parcela da sociedade repudiaria. Certamente se a Casa dos Representantes dos Estados Unidos tivesse um "speaker" republicano igual o Eduardo Cunha, muitos democratas o odiariam. E que propaganda do PT é essa que faz apenas 7% dos brasileiros considerarem o governo Dilma ótimo ou bom? Muito mais do que 7% dos brasileiros rejeitam Eduardo Cunha.
O lado bom disso tudo é que com os acontecimentos recentes, o fã clube do Eduardo Cunha na imprensa brasileira pode ter levado uma queimadinha.
Mas uma coisa é certa: se Hélio Gurovitz ama o Eduardo Cunha tanto assim, quer dizer que ele não odeia tanto o PT. Afinal, o deputado carioca apoiou Dilma em 2010. hehehehehe
terça-feira, 1 de setembro de 2015
A participação do PSOL nos debates televisionados e o realpolitik
O PL que visa estabelecer uma bancada mínima para poder participar de debates televisionados visa claramente atingir o PSOL, deixando-o fora dos debates. Mais especificamente, atingir o Marcelo Freixo, uma vez que os principais apoiadores deste PL são os deputados Índio da Costa e Rodrigo Maia, prováveis adversários do deputado do PSOL em 2016.
Portanto, a Luciana Genro está certíssima em ir atrás de apoios para derrubar este PL. Conversou com FHC e procurou o Lula. Mas uma v...ez que teve que recorrer (acertadamente) ao realpolitik, o PSOL poderia pegar mais leve na hora de falar do PT.
Por outro lado, seria ridículo o PT atacar o PSOL por causa disso, uma vez que neste ano o PT votou no Capez do PSDB para presidente da Alesp (só o PSOL não fez isso), e fez diversas alianças com o PMDB nos últimos 12 anos.
É aquela velha lição que vale para os dois partidos de esquerda: quem tem rabo comprido, mesmo que justificadamente, não fala mal do rabo do outro.
Portanto, a Luciana Genro está certíssima em ir atrás de apoios para derrubar este PL. Conversou com FHC e procurou o Lula. Mas uma v...ez que teve que recorrer (acertadamente) ao realpolitik, o PSOL poderia pegar mais leve na hora de falar do PT.
Por outro lado, seria ridículo o PT atacar o PSOL por causa disso, uma vez que neste ano o PT votou no Capez do PSDB para presidente da Alesp (só o PSOL não fez isso), e fez diversas alianças com o PMDB nos últimos 12 anos.
É aquela velha lição que vale para os dois partidos de esquerda: quem tem rabo comprido, mesmo que justificadamente, não fala mal do rabo do outro.
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