domingo, 22 de março de 2015

Meu site citado em uma monografia

Quando eu fiz o Atlas das Eleições Presidenciais no Brasil, eu divulguei-o no meu Facebook e no meu Twitter particular, em comunidades do Facebook e no site do Luís Nassif. Ou seja, um tanto de pessoas tomou conhecimento deste site.
Há alguns dias, eu tive curiosidade de saber se meu site passou a ser utilizado como referência. Procurei entre aspas no Google "Atlas das Eleições Presidenciais no Brasil". E não é que eu encontrei uma monografia de conclusão de graduação em Economia na Universidade de Brasília que utilizou dados do meu atlas e citou-o no final do trabalho?
O trabalho foi sobre a aplicação dos ciclos políticos-econômicos no Brasil. Apresentou os modelos de Nordhaus, Hibbs e Alesina sobre a influência da macroeconomia nas eleições e das eleições na macroeconomia, e depois testou estes modelos para o Brasil. Para isso, utilizou indicadores macroeconômicos do Brasil e resultados de eleições. Estes, foram obtidos do meu atlas.
Foi uma grande coincidência, sabem por quê? Porque eu também sou graduado em Economia (só que pela Unicamp) e também fiz minha monografia sobre modelos de ciclos políticos-econômicos, incluindo Nordhaus, Hibbs e Alesina. E passei a me interessar por geografia eleitoral, a ponto de fazer este atlas, justamente por ter feito esta monografia. Meu trabalho não tratou de geografia eleitoral, mas eu precisava encontrar dados sobre resultados das eleições presidenciais norte-americanas. Eu queria só os resultados nacionais, não estava interessado em votação por estado e por condado. Mas onde eu encontrei esses dados foi no Dave Leip's Atlas of US Presidential Elections, que tinha não só os resultados nacionais, como também os resultados por estado e por condado. Aí que eu fiquei fascinado pelo tema. Achei muito curioso os mapas eleitorais dos Estados Unidos de 1896 e 2004 serem praticamente o oposto um do outro, e o mesmo ter ocorrido em relação a 1956 e 1964. Passei posteriormente a estudar este tema por conta própria. Até que eu resolvi fazer o equivalente ao Dave Leip's Atlas para o Brasil, mas com menos recursos. Meu atlas é o primo pobre do Dave Leip's.
O trabalho da graduanda da Universidade de Brasília ficou bom, mas não posso deixar de mencionar um erro que ela cometeu justamente ao utilizar os dados do meu atlas. Elas apresentou os resultados eleitorais de capitais do Brasil de 2006 e 2010 colocando no título da tabela que eram de regiões metropolitanas. Não eram.

terça-feira, 17 de março de 2015

Como em algumas vezes os progressistas se auto-sabotam

Depois de tantos posts falando mal de conservadores, vale a pena fazer um falando mal de progressistas. Na maioria das situações, progressistas têm ideias iguais às minhas. Portanto, vou fazer crítica não às ideias, mas às formas através das quais elas são habitualmente defendidas. Isto porque eu desejo que as ideias progressistas sejam defendidas com maior potencial de alcance. Como a maré no Brasil está muito mais favorável aos conservadores na atualidade, os progressistas devem ter atenção redobrada

Muitas vezes, progressistas se sabotam. Isso ocorre tanto com colunistas de sites, jornais e revistas, quanto com comentaristas amadores que utilizam Facebook, Twitter e blogs.

Mudar a opinião das pessoas é saber dialogar com a turma do senso comum. Auto-sabotagem é gerar uma repulsa tão grande que impossibilita qualquer diálogo. Eis alguns exemplos de auto-sabotagem:

 
Tentar combater intolerância ao ateísmo utilizando intolerância ao teísmo

Ainda existe muita intolerância ao ateísmo no Brasil. Já houve candidato a presidente do Brasil em 2010 que usou ateufobia como mote de campanha. Em escolas públicas, existem aulas de ensino religioso “optatórias” e orações coletivas obrigatórias. Portanto, é importante um ativismo ateísta para demonstrar que ateus merecem ser respeitados. Ateus não são nem piores nem melhores do que crentes. O problema começa quando determinada militância ateísta na Internet resolve defender que ateus são melhores, que ateus são mais inteligentes, que quem tem religião é ignorante. Isso se vê em alguns memes de comunidades pró-ateísmo no Facebook.

O propósito do ativismo ateísta deveria ser mostrar que ateus não são nem melhores nem piores do que crentes, que mesmo se ateus fossem piores, Deus não existiria só por causa disso, e que ateus e monoteístas têm em comum a descrença em muitos deuses. Ateísmo sim, antiteísmo não. Um vídeo do Pirula trata muito bem desta questão https://www.youtube.com/watch?v=xcmNSgHuPRc

 
Exagerar

Às vezes, progressistas reagem indignados aos pronunciamentos da Rachel Sheherazade, principalmente aquele do rapaz no poste, e chamam a comentarista de nazista. Gente, calma lá. A Rachel Sheherazade não é nazista. Ela apenas reproduz o que qualquer tiozão reaça fala em almoço de família. É certo que no início, chocou ver uma pessoa dessas na televisão. Mas não por que ela é uma pessoa única, original. E sim porque ela é igual a muitas pessoas de determinada classe social, ela diz muita coisa que é lugar comum porque ela é um grande lugar comum. Ela é diferente porque ela é igual a muitos, e na televisão, o que habitualmente apareciam eram pessoas diferentes. Mais uma vez, o Pirula aborda muito bem a questão https://www.youtube.com/watch?v=d_e9juqBDis Ele critica o exagero os progressistas e destrói um por um os argumentos da Sheherazade na questão do rapaz no poste.

Quando alguém que expressa opiniões políticas adquire o estigma de exagerado, acaba pregando somente para os próprios fiéis.

 
Ser muito minucioso sobre as palavras que devem ser utilizadas para denominar minorias

É óbvio que não devemos falar “baitola” ou “queima-rosca”, mas pode ser um preciosismo muito grande considerar que temos que falar “gay” e não podemos falar “homossexual”. Alguém pode contra-argumentar: “ah, mas você não pertence a essa minoria, você nunca teve a experiência de viver como integrante desta minoria, então você não sabe como podem ser ofensivas algumas expressões que aparentemente são inofensivas”. Respeito este argumento, mas tenho outro. A vivência de compartilhar os mesmos ambientes com pessoas que vivem no senso comum. As pessoas do senso comum têm na cabeça a imagem dos “chatos do politicamente correto” e parecer um deles torna qualquer diálogo impossível. Eu posso estar errado nesta questão, e quem vive a experiência de ser um membro de minoria pode ter boas explicações para o rigor sobre o uso de palavras. Mas por enquanto, continuo pensando que denunciar situações de opressão é muito mais relevante do que cobrar o uso desta e daquela palavra.

 
Exaltar o consumo ilegal de maconha

Quem menos vai ser ouvido quando defende a legalização da maconha é quem exalta a droga, quem defende que devemos consumir ilegalmente a droga quando seu comércio legal não é permitido. A melhor pessoa para defender a legalização da maconha, que tem mais chance de ser ouvida, é aquela que não é identificada com o consumo da droga. Que é identificada mais pelo envolvimento em saúde pública, segurança pública. Óbvio que consumidores de droga também podem ser envolvidos em saúde pública, segurança pública. Mas é mais fácil combater diretamente a ideia de que a droga leve tem que ser proibida, do que a imagem muito negativa do consumidor ilegal.

 
Justificar ação de bandidos

Não é bom para a causa dos direitos humanos que ela seja defendida por alguém que considera aceitável uma pessoa ameaçar a tirar a vida da outra por causa de um par de tênis de grife, dizendo coisas como “ele nasceu na miséria, vive em uma sociedade consumista, cercado por propaganda por todos os lados”. Isso ajuda os inimigos dos direitos humanos, que querem retratar os defensores dos direitos humanos como simpatizantes de bandidos. As pessoas têm que saber claramente que repudiar tortura, execuções e prisões superlotadas não é ser a favor de bandido, não é justificar o que bandido faz.

 
Praticar iconoclastia desnecessária

Leonardo Sakamoto é um ótimo colunista e percebe bem como os progressistas não devem se sabotar, que gostando ou não, eles devem saber se comunicar com a turma do senso comum, porque é essa turma que tem a opinião a ser disputada. Mas acho que ele pisou uma vez na bola quando disse que o verdadeiro herói nacional é o brasileiro pobre que luta todos os dias pela sobrevivência sua e de sua família, e não o Ayrton Senna. Este ponto de vista é questionável. No Brasil, há muitas pessoas sofridas e batalhadoras, mas para ser herói precisa ser excepcional. Além disso, o Ayrton Senna é querido pela maioria dos brasileiros, e enfrentar a opinião da maioria é necessário quando esta opinião é ruim. Ter o Senna como ídolo não parece o caso. Quem pratica iconoclastia desnecessária passa a impressão de ser uma pessoa pedante e pretensiosa. Não é o caso de Sakamoto.


Considerar que todas as mulheres, e integrantes de minorias étnicas e sexuais devem necessariamente ser de esquerda

A política já teve ou tem mulheres como Margaret Thatcher, Angela Merkel, Sarah Palin, Kátia Abreu, Yeda Crusius e Roseana Sarney. O ministro das relações exteriores do governo de Angela Merkel já foi o gay assumido Guido Westerwelle. O governo Sarkozy já teve ministras árabes. Bush Senior já indicou negro para a Suprema Corte. Bush Junior teve Condoleeza Rica e Colin Powell em seu governo. Muitas vezes, progressistas têm dificuldade de entender a presença de minorias em governos conservadores. E alguns deles acabam fazendo comentários involuntariamente preconceituosos. Vide o caso do Joaquim Barbosa, que dá gancho para o próximo tópico...

 
Minimizar a importância da presença de políticos do PT em escândalos de corrupção

Até agora não estava falando de PT, estava discutindo abordagem de pautas que não têm a ver com PT, mas como muita gente pensa erroneamente que esquerda é igual a somente PT, não tem como não abordar este tema. Pega muito mal escritores reconhecidamente defensores do PT dizerem sobre escândalos de corrupção que “sempre foi assim, todo mundo fez”. Se sempre foi assim, sempre foi errado. Se todo mundo fez, todo mundo estava errado. Quem continua usando esta desculpa acaba ajudando a queimar mais ainda o filme do PT, pois passa a impressão de que a única defesa que se pode fazer do partido é dizer que os outros também fizeram coisa errada. Como muitos blogueiros/colunistas de esquerda são simpatizantes do PT, e isto ajuda a passar a impressão de que esquerda=PT, a desculpa do “todo mundo fez” ajuda a queimar o filme da esquerda.


Metralhar posts de política no Facebook
Isso, qualquer um que é muito envolvido em política, de qualquer orientação ideológica faz. É o melhor caminho para receber muitos unfollow. É sempre conveniente alternar política com amenidades.



Conservadores também se sabotam frequentemente, mas eu não vou dar dica para eles.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Como reagir a colunistas trolls raivosos da ultradireita

Depois de apresentar informações talvez pouco conhecidas sobre Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, exponho agora minha opinião sobre como devemos lidar com estes colunistas e outros que pertencem à mesma corrente de pensamento.
Alguns dizem que esse tipo de colunista deve ser completamente ignorado. Isto porque esses colunistas gostam de aparecer, são do tipo que amam ser odiados por alguns, e que, portanto, falar sobre eles, mesmo emitindo opinião negativa, é ajudar a divulga-los.
Concordo parcialmente com este argumento. É verdade que todos esses colunistas adoram aparecer, que falar deles ajuda a coloca-los em evidência. Mas o fato é que desde 2003, esse tipo de colunista vem ganhando muita evidência na mídia, seja escrita, seja televisiva, seja radiofônica, seja online. Alguns já são suficientemente conhecidos para não precisarem mais do "nosso" trabalho de divulgação. E existe o risco deles fazerem a cabeça de pessoas. Isto não seria nem um pouco bom. Pois haverá danos à saúde pública se as pessoas passarem a pensar que não há problema em não levar crianças para tomar vacina ou que campanhas governamentais de uso de preservativo são ruins. Haverá danos à tolerância às minorias se fosse padrão as pessoas pensarem que homossexualidade é uma doença ou que o cidadão mais oprimido é o homem, branco, heterossexual e cristão. Haverá danos à segurança pública se linchadores passassem a ser vistos como algo "até compreensível". Haverá danos aos conhecimentos do país sobre sua história se a mentira de que só "terroristas" foram assassinados durante a ditadura militar for vista como verdade. Haverá danos ao conhecimento dos brasileiros sobre ciência se as pessoas disserem que "o aquecimento global não existe" com base apenas no "eu acho que".
Portanto, esses colunistas merecem resposta, mas a resposta precisa ser bem feita. Caso contrário, as preocupações dos que defendem que esses colunistas devem ser ignorados tornam-se reais.
Escrevo aqui um conjunto de sugestões tanto para colunistas de revistas de esquerda e lideranças de esquerda (muito provavelmente eles nunca vão encontrar este texto, mas quem sabe...), quanto para críticos de Facebook, Twitter e Blog.

1) Colunistas muito conhecidos devem ser criticados. Colunistas pouco ou nada conhecidos devem ser ignorados.

2) Não é recomendável publicar em Facebook, Twitter ou Blog um texto de um ultradireitista preconceituoso acompanhado apenas de comentários como "absurdo, nojento". Porque isto ajuda apenas a divulgar. É importante responder aos argumentos do texto. É muito bom que especialistas em determinadas áreas de conhecimento respondam às "groselhas" proferidas por esses colunistas, como vemos aqui.

3) Quem deve responder a esses colunistas direitistas raivosos é uma questão importante. Pessoas com conhecimento acadêmico ajudam a desmentir patacoadas desses colunistas. Às vezes, nem é necessário tanto conhecimento assim. Só não é recomendável que acadêmicos muito conhecidos, lideranças muito importantes de partidos políticos e lideranças muito importantes de movimentos sociais escrevam críticas a colunistas ultradireitistas. Devem fazer isso apenas em réplica, quando atacados. Em situação normal, esses colunistas precisam ser criticados por pessoas menos conhecidas que eles. Quando o crítico é muito conhecido e importante, gera muita publicidade para quem não merece. Considero uma decisão equivocada a do Guilherme Boulos de ter escrito uma coluna inteira criticando o Reinaldo Azevedo. O MTST é um movimento muito mais importante do que o blog do Reinaldo Azevedo. Para o colunista da Veja, foi como um troféu ter recebido um texto do Guilherme Boulos. Bons acadêmicos desconhecidos são pessoas ideais para criticar colunistas ultradireitistas. A crítica a esses colunistas deve ser um trabalho horizontal e de formiguinha. Vale a pena divulgar no Facebook e no Twitter as boas críticas.

4) Colunistas direitistas trolls e colunistas que têm as mesmas posições políticas, escrevem para os mesmos periódicos, mas mantém aparência de sérios e respeitáveis devem ser tratados sem distinção, a não ser que critiquem abertamente os colunistas trolls. Da mesma forma que esperamos que islâmicos em geral expressem repúdio contra terroristas que utilizam o nome da religião islâmica para cometer atentados, para que o terrorismo não seja associado à religião; esperamos que os "sérios e respeitáveis" repudiem publicamente quem usa a trollagem para defender as mesmas posições políticas que as deles.

5) Nunca devemos caluniar ou difamar qualquer colunista. Nenhuma boa causa, no caso, o repúdio ao extremismo de direita, deve ser defendida por mentiras. Se defensores de determinada causa consideram que são necessárias mentiras para defender esta causa, muito provavelmente a causa não é tão boa assim.

6) Nunca fazer graça com a aparência física de qualquer colunista, nem fazer piadas sexuais.

7) Usar o naofo, isto é óbvio.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Minha TL do Twitter hoje

Dois tweets de autores completamente diferentes, um logo depois do outro. Que coincidência

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O PT e a extrema esquerda, o PSDB e a extrema direita


Não foi surpreendente a quase ausência de reação do PSDB à declaração do Jair Bolsonaro sobre o estupro. Este partido não teria razão para incomodar os fãs do militar deputado pelo Rio de Janeiro. Afinal, quem mais se envolveu na campanha de Aécio Neves para presidente não foram os apreciadores da obra "Dependência e desenvolvimento na América Latina" de Fernando Henrique Cardoso, nem dos artigos de economia de José Serra, nem das ideias de Franco Montoro, Magalhães Teixeira e Mário Covas. Quem mais se empenhou em defender a candidatura do Aécio no Facebook, nas páginas de comentários dos sites de notícias e nas ruas foram os fãs de Jair Bolsonaro. E, óbvio, leitores da Veja, ouvintes de Rachel Sheherazade e Danilo Gentili e todas essas excrecências aí. O PSDB não daria um pé na bunda em seus mais aguerridos apoiadores apenas um mês depois de uma tão concorrida eleição. Repara-se que no município do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro teve aproximadamente 10% dos votos para deputado federal. No segundo turno para presidente, Aécio teve perto de 50% dos votos. Como todos os que votaram em Jair Bolsonaro para deputado votaram em Aécio para presidente, aproximadamente 1/5 dos eleitores de Aécio no município do Rio de Janeiro votou em Jair Bolsonaro. Não é pouca coisa.
Muitos posicionamentos são feitos na política através do silêncio. Quando o PSDB manifestou-se sobre o assunto apenas com uma tímida nota, que não mencionou sequer nomes, e seus deputados se calaram, a mensagem implícita passada foi "fãs de Bolsonaro, defende-lo explicitamente não dá, mas enquanto outros partidos repudiaram o deputado querido de vocês, nós ficamos caladinhos porque estamos fazendo o possível para não abandonar vocês, uma vez que vocês deram grande contribuição na campanha".
Um gesto análogo foi o do governo Lula ao ter recusado a extradição do terrorista italiano Cesare Battisti. Lula agiu igual Mitterrand: usou Battisti como um prêmio de consolação para extrema-esquerda, insatisfeita com a política econômica do governo. Foi um recado como "esquerdistas remanescentes no PT e no PCdoB, não nos abandonem, não vão para o PSOL e para o PSTU, a militância de vocês nas campanhas é muito importante, olhem como nós fomos legais com vocês. Na política doméstica, só não vamos mais para a esquerda porque o Congresso não deixa".
Os dois grandes partidos de eleições majoritárias no Brasil têm relação ambígua com os extremos do espectro político. Nos discursos oficiais de campanha, gostam de se mostrar como próximos do centro. Mas através de comunicação em código e gestos simbólicos, o PT sempre procura manter canal de comunicação com a extrema-esquerda e o PSDB sempre procura manter canal de comunicação com a extrema-direita. Por dois motivos: primeiro lugar, porque se os extremos se veem completamente excluídos dos partidos majoritários, eles podem se organizar sozinhos e se tornar uma ameaça aos partidos majoritários. Caso emblemático se viu na França, em que Sarkozy foi obrigado a incorporar para do discurso dos Le Pen para que a Frente Nacional não se tornasse maior até mesmo do que a UMP. Em segundo lugar, os extremos são uma força de militância muito mais combativa do que a forças políticas próximas do centro.
Por causa disso, o PT é ao mesmo tempo o partido que lidera um dos governos da "esquerda responsável" na América Latina, "responsável" até demais muitas vezes, principalmente depois das medidas anunciadas neste segundo mandato de Dilma, que mostra pros banqueiros que não é contra a austeridade, que mostra pros religiosos que não é satanista; e também o partido que se aproxima dos outros "governos progressistas" da América Latina, que repudia o imperialismo norte-americano e europeu, que está junto dos sindicatos, dos movimentos sociais, das minorias. O PSDB é ao mesmo tempo o partido que criou os fundamentos do Bolsa Família e também o partido dos que acham que Bolsa Família só serve pra comprar voto de vagabundo que não deveria ter o direito de votar.
Dois textos recentes tratam muito bem deste tema. Em "A Grande Ilusão", Vladimir Safatle mostra  como o PT é ao mesmo tempo governo e oposição de esquerda ao seu próprio governo, ou seja, como procura tutelar a oposição de esquerda para não perder o controle. Em "O Perigo da Extrema Direita", Renato Janine Ribeiro mostra como a militância de extrema-direita pode ser útil eleitoralmente ao PSDB, mas como esta militância pode desfigurar o partido.
A relação do PT com a extrema esquerda é mais evidente para a maior parte dos observadores porque não é tão difícil de entender. O PT nasceu em 1980 ocupando o espaço mais à esquerda no espectro político brasileiro, e foi se moderando ao longo do tempo, chegando à Carta ao Povo Brasileiro de 2002. Por isso, sempre teve proximidade com movimentos sociais que estão mais à esquerda do que os governos Lula/Dilma. Já quando presidente, Lula usou um boné do MST como um gesto simbólico, para mostrar que mesmo com um Ministro da Agricultura ligado ao agronegócio, o PT não perdeu o contato com a luta pela reforma agrária. Atualmente, o PT ainda conta com uma rede de blogueiros e de comentaristas em comunidades virtuais do Facebook que criticam o PSOL não por ser radical demais, mas por "dividir a esquerda". Esses "formadores de opinião" gostam de passar a imagem de o PT continua tendo bandeiras tão esquerdistas quando o PSOL e que só não as implementa porque "a atual correlação de forças não permite". O PT não quer perder toda a militância de esquerda para o PSOL.
A relação do PSDB com a extrema direita, muitos conhecem só de atualmente, mas alguns laços não são tão recentes. Quando este partido foi fundado em 1988, alguns cientistas políticos consideram-no um partido de "centro-esquerda". Os fundadores foram antigos políticos do MDB, intelectuais com tendências esquerdistas no passado. Embora o partido tenha o nome de "social democrata", nunca teve relação com trabalhadores sindicalizados nem mesmo no ano de sua fundação. Diferente do que ocorre com partidos social democratas europeus. Mesmo nunca tendo sido muito esquerdista, o PSDB foi caminhando para a direita com o tempo, tendo como importante marco a coligação com o PFL em 1994.
Já na década de 1990, apareceu o primeiro sinal de aproximação do PSDB com a extrema direita. A Revista República, criada por Mendonça de Barros para ser um meio de comunicação paraoficial do partido, chegou a dedicar uma matéria de capa ao "filósofo" Olavo de Carvalho, quando ele ainda nem era conhecido. O redator chefe da revista, Reinaldo Azevedo, um simples tucano convencional no passado, tornou-se um imitador do "pensamento" de Olavo de Carvalho a partir do primeiro mandato do Lula. Isto ajudou a aproximar o tucanismo do olavismo. Isto eu expliquei com mais detalhes no meu post anterior. Importante lembrar que a Nossa Caixa, banco público paulista, patrocinava a revista de Reinaldo Azevedo.
O PSDB ainda contribui com a divulgação e o apoio financeiro ao "pensamento" de Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino assinando a Revista Veja para as escolas estaduais paulistas.
O Instituto Millenium, criado para divulgar ideias de direita no Brasil, reúne economistas do PSDB e colunistas raivosos da imprensa.
Outro fato importante a se considerar são as frequentes aparições de Luís Felipe Pondé na TV Cultura.
Em 2010, José Serra explorou ateufobia alheia na campanha presidencial e em 2012, explorou homofobia alheia na campanha municipal. Não se esqueceu nem mesmo do Foro de São Paulo. Nem viu problemas em incentivar a participação de pessoas em uma manifestação onde se sabia que haveria pedidos de golpe militar.
Verifica-se através destes exemplos que o PSDB não apenas vem contando com a militância de extrema direita, como vem ajudando a fomentá-la. Não sabemos se o criador terá controle sobre a criatura para sempre.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Por que eu bloqueio no meu Facebook quem posta texto do Reinaldo Azevedo

Em primeiro lugar, quem é Reinaldo Azevedo?
Alguns, que só conhecem-no recentemente, desde quando virou colunista da Veja, diriam que ele é um ultraconservador olavete que faz campanha para o Partido da Social Democracia (hahaha) Brasileira apenas porque não existe um partido mais conservador com chance de ganhar uma eleição majoritária. Certo ou errado?
Errado. Reinaldo Azevedo faz trabalho de public relations para o PSDB bem antes de ter virado olavete. Reinaldo Azevedo começou a despontar no jornalismo em 1996, quando Mendonça de Barros criou a revista República, uma publicação paraoficial do PSDB. Para não pregar apenas para os fiéis já convertidos, o time de colunistas da revista era variado, tinha até Franklin Martins. A revista entrevistava políticos de diferentes partidos, até mesmo do PT. Mas a linha editorial da revista era pró-PSDB. E Reinaldo Azevedo era o colunista puxa-saco de FHC, e logo virou redator chefe.
Durante o segundo mandato de FHC, quando ocorria a crise econômica e a crise energética, e a eleição de 2002 se aproximava, a revista, principalmente através de Reinaldo Azevedo, passou a defender a ideia de que existia um PSDB ruim, dos economistas monetaristas da PUC-Rio, que tinham forte influência sobre FHC, e o PSDB bom, dos economistas desenvolvimentistas da Unicamp e da FGV-SP, que teriam influência na candidatura de José Serra. Sim, isso mesmo, Reinaldo Azevedo, antes de ter virado olavete, defendia a "esquerda" do PSDB. Em 2002, a revista República mudou o nome para Primeira Leitura, e fez forte campanha para José Serra, não com o argumento de que Lula era comunista mau comedor de criancinha, e sim com o argumento de que José Serra era o candidato de centro-esquerda "mais preparado" do que Lula.
Bom, aí depois que Lula assumiu o governo, a revista Primeira Leitura deu uma súbita guinada ideológica, passando de tucana desenvolvimentista para ultraconservadora olavete. Depois da polêmica sobre o patrocínio da Nossa Caixa (sim, Reinaldo Azevedo, que tanto fala mal da Carta Capital, recebia patrocínio público), em 2006, a revista Primeira Leitura deixou de existir. E Reinaldo Azevedo tornou-se colunista da Veja. Daí pra frente, todos conhecem sua grande "obra".
E por que ele é nocivo?
Mesmo tendo virado olavete, ele nunca deixou de ser tucano. Até porque o PSDB está defendendo posições cada vez mais olavetes. O problema de Reinaldo Azevedo não é esse, nada há de errado em alguém defender um partido político. Abjeta é a maneira através da qual ele faz isso.
Todos nós sabemos que liberalismo econômico não ganha eleição. Pesquisas de opinião, como esta, mostram que a maioria dos brasileiros defende um Estado que intervenha na ordem econômica e social. Porém, estas mesmas pesquisas demonstram que em matéria de valores morais, os brasileiros são fortemente conservadores. As pesquisas não alcançam maior profundidade, mas sabemos que junto com conservadorismo veem muitos preconceitos. E o método Reinaldo Azevedo de propaganda política consiste em utilizar os preconceitos que muitos brasileiros têm como uma força anti-PT e consequentemente pró-PSDB. Como críticas ao estado inchado não mexem com muitas pessoas, apela-se a críticas a ONGs, movimentos sociais, movimentos favoráveis a minorias, feministas, ambientalistas, politicamente corretos e professores de universidades nas quais alguns leitores do colunista não conseguiram ingressar.
Muitas pessoas são preconceituosas, mas muitas pessoas rejeitam preconceitos. Por isso, expressar preconceitos abertamente é feio. Às vezes, causa problemas com a lei. Por isso, Reinaldo Azevedo utiliza a técnica do dog-whistle, que consiste passar mensagem implícita para determinados grupos. Ele não escreve textos abertamente racistas, machistas, homofóbicos, xenofóbicos e elitistas, mas agrada quem tem essas características.
Um exemplo disso pudemos perceber em sua coluna sobre o beijo gay da novela. Ele não escreveu "que horror, os gays vão destruir a família brasileira". Mas escreveu um textão desqualificando quem vê a exibição do beijo gay como um progresso social e falando como a novela foi ruim. Não há nada de errado em falar mal de uma novela, mesmo com o beijo gay, a novela pode ter sido ruim. Mas acontece que o tema das colunas de Reinaldo Azevedo não é novela, ele habitualmente não escreve sobre novela, aquele texto sobre novela foi uma exceção. A mensagem passada não foi explicitamente homofóbica. Mas quem é homofóbico adoraria ler um texto dizendo que a novela que teve um beijo gay foi muito ruim, um texto atacando o diretor. Adoraria divulgar este texto no Facebook. Escrevendo essas coisas, Reinaldo Azevedo passa a seguinte mensagem oculta aos homofóbicos: olhem, eu não ataco essas bichas diretamente porque pode pegar mal pra mim, mas eu sou alguém que olha por vocês, cidadãos de bem de família que odeiam viado. Pensem bem, Reinaldo Azevedo habitualmente não escreve sobre novela, mas um dia resolveu malhar pesado uma. Mesmo existindo tantas novelas, resolveu fazer isso sobre uma que teve beijo gay. Mais especificamente, no dia seguinte ao capítulo do beijo gay. Por que será?
Reinaldo Azevedo já chamou índios de pele vermelhas, uma expressão altamente pejorativa.
Há também insultos sobre a origem social das pessoas das quais o colunista não gosta. Ele já chamou a líder do Passe Livre de garçonete em tom depreciativo. Dá a entender que Reinaldo não gosta de pessoas que fazem trabalho braçal se metendo em política.
Ah, e óbvio, como não poderia faltar, Reinaldo Azevedo imita a mais retrógada direita norte-americana ao chamar o presidente dos Estados Unidos de Barack Hussein Obama, falando o nome do meio por extenso. Ninguém fala Franklin Delano Roosevelt, nem John Fitzgerald Kennedy, nem George Walker Bush. A intenção de falar Hussein é obviamente querer dizer que o fato de ter esse sobrenome torna o presidente dos Estados Unidos uma pessoa pior. Ou seja, xenofobia. Até mesmo o candidato republicano John McCain, em 2008, repudiou o uso dessa forma de falar.
Para ter uma base de leitores mais ampla, Reinaldo Azevedo usa escapatórias como defender a adoção de crianças por casais homossexuais ou participar da campanha somos todos macacos. Mas não há como negar que Reinaldo Azevedo, mesmo sem explicitar racismo, machismo, elitismo, homofobia e xenofobia, ele corteja pessoas que tem esses sentimentos.
Reinaldo Azevedo também quer ser aplaudido por quem pensa que sexo só deve ser utilizado para reprodução, ao tentar gerar ódio contra cartilhas de orientação sexual distribuídas em escolas. Provavelmente deve adorar a filha grávida de Sarah Palin.
Tudo isso fica muito evidente quando ele diz que o brasileiro mais oprimido é o homem, branco, cristão e heterossexual. É óbvio que não há qualquer dado para sustentar esta afirmativa. Estes grupos não são os que têm renda menor, não são os que sofrem mais homicídios. Eu sou homem, branco, heterossexual e filho de cristãos e não sinto qualquer opressão por causa disso. A única motivação para alguém a pensar assim é não se conformar em ver mulheres, negros e índios, homossexuais, seguidores de outras religiões e seguidores de religião nenhuma sendo cada vez menos oprimidos, ganhando espaço na sociedade. Um artifício muito utilizado por quem quer manter o grupo B oprimido é dizer que o grupo A, que é diferente do B, é o oprimido. É por isso que frequentemente Reinaldo Azevedo diz coisas como "nós, conservadores, não temos o direito de dizer isso, de dizer aquilo". Não Reinaldo, vocês, conservadores, têm o direito sim, assim como nós, que repudiamos os conservadores, temos o direito de refutar. Talvez este nosso direito o incomode.
O que Reinaldo Azevedo parece querer é fazer alguns brancos, cristãos, heterossexuais, que não ligam muito para os debates de economia entre PT e PSDB, mas são ressentidos com o aumento de visibilidade das minorias, pensarem que estão sendo vítimas de uma opressão a cidadãos de bem patrocinada por defensores de minorias e de direitos humanos. A intenção seria utilizar essa auto-vitimização dos grupos dominantes como uma corrente de ódio ao PT e, consequentemente, de apoio ao PSDB.
E esse costume de usar o preconceito dos outros tem intenção não apenas político-partidária, mas também de marketing pessoal. Isto ajuda o colunista ser bastante odiado por algumas pessoas, e Reinaldo Azevedo é o tipo de colunista que ama ser odiado.
Além de explorar ódio e preconceito alheio, Reinaldo Azevedo estimula a ignorância no debate de ideias. Habitualmente insinua que defensores da legalização da maconha consomem a droga mesmo quando ela não é legalizada. Ignora que isto é um debate sério, que há boas experiências no mundo a este respeito, como Holanda, Portugal, Colorado. Eu não consumo quiabo, mas se este alimento fosse ilegal, eu seria a favor da legalização. Reinaldo Azevedo é tão favorável à liberdade de expressão que defende a proibição das marchas da maconha.  Em outros momentos, ele sugere disfarçadamente que colunistas de esquerda deveriam ser demitidos. Defender liberdade de expressão para suas próprias ideias é moleza. O verdadeiro defensor da liberdade de expressão é quem defende este direito para quem tem ideias diferentes.
Para piorar, Reinaldo Azevedo parece, em alguns assuntos, ser intelectualmente limitado. Isto foi demonstrado no momento em que discutiu com a Professora Camila Jourdan, em que ele pareceu não saber a diferença entre exemplo e conteúdo.
Alguns semi-defensores do colunista poderiam dizer "tá, ele exagera em algumas coisas, não concordo com tudo que ele escreve, mas o país está com tanta corrupção que é bom ter alguém que bate pesado no PT". Sim, há muitos políticos do PT envolvidos em escândalos do PT, isto deve ser criticado, até eu, alguns dias atrás, critiquei o costume de blogueiros pró-PT relativizarem escândalos de corrupção. Mas mesmo em relação ao debate sobre ética na política, Reinaldo Azevedo não tem muito o que contribuir. Sua indignação é seletiva. Diz que todos devem ser investigados, e se comprovada culpa, punidos, independentemente de partido e ideologia. Dããã... Ninguém vai dizer abertamente o contrário. Ele diz que todos devem ser investigados e quem sabe, punidos. Isso fica apenas no abstrato. Quando, no concreto, algum agente público tenta realmente fazer algo contra alguém próximo a pessoas de quem ele tem simpatia política, já há logo a tentativa de desqualificar este agente. Basta ver suas posições em relação à Operação Satiagraha. O caso mais emblemático do comportamento hipócrita de Reinaldo Azevedo sobre corrupção foi mais recente. Haddad quis que houvesse investigação sobre os auditores fiscais corruptos que agiram no tempo de Kassab. Lula não quis que a investigação ocorresse porque poderia prejudicar um neo-aliado. Reinaldo Azevedo tinha tudo para defender a investigação, se realmente fosse indignado com a corrupção, e ainda teria mais um motivo para atacar Lula, algo que adora fazer. Mas não. Neste episódio, ficou do lado de Lula. E consequentemente e coincidentemente, do lado de Kassab, prefeito para o qual já fez campanha em suas colunas na Veja. Deu a entender que considera que teria sido mais correta a atitude de colocar um escândalo debaixo do tapete em nome da conveniência política.
E o pior de tudo: não viu problema algum em deixar passar um comentário em seu blog defendendo as milícias. Sim, um colunista tem responsabilidade sobre os comentários.
Reinaldo Azevedo culpa pela preservação da corrupção no Brasil quem, entre PT e PSDB, escolhe o PT. Já é absurda a ideia de que com PSDB não haveria corrupção. E também é absurda a ideia de que o único critério que deve existir na cabeça do eleitor é a corrupção. Mas esta regra que o colunista quer impor é quebrada por ele mesmo quando, no Rio de Janeiro, na disputa entre PMDB e PSOL, ele defende o PMDB. Afinal, até a tecla 5 da urna eletrônica sabe que PMDB tem muito mais envolvimento em escândalos de corrupção do que o PSOL, inclusive em parceria com o PT.
Em resumo, nós pudemos ver como Reinaldo Azevedo tem belos valores. Ele defende a liberdade de expressão... para quem concorda com ele. Ele defende o combate implacável à corrupção... de adversários políticos dele. E pelo PSDB vale tudo, até mesmo fomentar e explorar preconceito alheio. Aí eu penso: se o PSDB realmente fosse tão bom, não haveria ótimos argumentos para convencer as pessoas a teclar 45? Se o PSDB é tão bom, por que apelar para preconceitos para criar ódio antí-PT?
Ódios de cor, religião, sexo e origem devem ser repudiados e ponto final. Devem ser vistos como uma praga a ser extinta. Quem, mesmo não expressando esses ódios abertamente, utiliza-os para propósitos políticos, não tem o que contribuir no debate sobre como melhorar a política do Brasil. Quem utiliza indignação contra corrupção apenas como um mero instrumento para atacar adversários também não tem o que contribuir no debate sobre como melhorar a política do Brasil.
É por tudo isso que minha tolerância contra textos de Reinaldo Azevedo postados no Facebook é muito baixa. Eu paro de seguir quem posta mais de três textos do Reinado Azevedo. Quem acha que esse colunista tem muito a dizer muito provavelmente tem pouquíssimo a dizer. Não vale a pena que postadores de textos do Reinaldo Azevedo façam parte da minha timeline virtual. Nem mesmo da minha timeline real. Se algumas dessas pessoas já fizeram parte da minha vida, mesmo em algum momento do passado e sem muita importância, já não fazem mais. E nem vão voltar a fazer.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sobre as reações ao atentado

Os limites do humor são um tema delicado e devem ser discutidos sim. Lembrando que há poucos dias, o Renato Aragão reclamou que está mais difícil atualmente fazer piadas sobre negros e gays do que era no passado. Ele não é contra piadas sobre negros e gays, mas há cerca de um ano disse que é contra piadas sobre religião. Outros pensam diferente, inclusive eu. De qualquer forma é algo a ser discutido. Mas depois do que ocorreu na França há poucos dias, não é o melhor momento.
Logo depois de um atentado terrorista, é comum aparecer a turma do "nada justifica a violência, mas...". Não sei se percebem que o que é dito logo depois do "mas" é exatamente aquilo que os terroristas queriam que fosse dito. Dessa maneira, os terroristas acabam conseguindo o que queriam, ou seja, divulgar sua visão de mundo com o atentado.
Por isso eu prefiro dizer "nada justifica a violência ponto".
Manifesto repúdio total a quem está culpando as vítimas pela tragédia, mesmo quando isso é feito de forma sutil.

E sobre os que dizem: "estou preocupado porque isso vai fortalecer a islamofobia, vai fortalecer a extrema-direita". Sim, eu também estou preocupado com isso. Eu sei que islamofobia é algo perigoso, extrema-direita é algo perigoso. E também acho que terrorismo dos fundamentalistas islâmicos também é perigoso, estou muito preocupado com isso também.
O fascismo ocidental é perigoso. O jihadismo também.