Esta é uma expressão que aprendi recentemente em debates de Internet. O moderate hero é aquele que em todas as polêmicas em que dois lados defendem apaixonadamente pontos de vistas opostos, considera que a verdade está no ponto que fica exatamente no meio destes dois pontos de vista, a uma distância igual um do outro.
Todos nós temos visões intermediárias em alguns assuntos. Até porque, às vezes, existem posições extremas artificiais, que alguns colocam só para tencionar o debate para um lado e sua verdadeira posição parecer a do meio (e agradar moderate heroes). Quem lê este blog sabe que tenho posições intermediárias, moderadas, em alguns assuntos. Como escrevi ontem sobre a questão do "quem não faz parte da minoria não opina". Entendo os motivos de quem defende isso, considero válido algumas vezes, mas discordo de quem acha que deve ser regra absoluta. Em outras questões, defendo claramente um dos extremos. Por exemplo, o eventual impeachment da Dilma. Um dos extremos acha que é golpismo. Outro extremo acha que tem que ter impeachment. A posição intermediária é a de que "ainda não existem elementos jurídicos que embasam o impeachment, mas defender o impeachment não é golpe". Discordo até mesmo da posição intermediária, e defendo o extremo que o pedido de impeachment da Dilma é golpismo sim.
Já os moderate heroes, esses aí nem param muito para pensar antes de defender a posição intermediária. Eles têm fetiche pelo ponto do meio. Para eles, a moderação não é consequência do fato da própria opinião ser coincidentemente localizada entre os extremos mais falantes. Para eles, a moderação é um objetivo. Talvez, um objetivo intermediário para se alcançar um objetivo final: mostrar uma suposta superioridade intelectual.
O típico texto do moderate hero para todos os assuntos começa assim:
"De um lado há aqueles que pensam isso. Do outro há aqueles que pensam aquilo. Mas a verdade é que a questão não é tão simples assim. Os que pensam isso estão certos por causa disso, disso e disso, e os que pensam aquilo estão certos por causa disso, disso e daquilo".
A mensagem implícita seria
"De um lado tem uns imbecis, do outro também tem uns imbecis, e agora neste exato momento vocês lerão a voz da sabedoria".
Eu imagino os moderate heroes no tempo da Inquisição escrevendo.
"De um lado há os extremistas que querem colocar os judeus na fogueira. Do outro há outros extremistas que acham normal ser judeu e acha normal que eles fiquem impunes por terem crucificado Jesus Cristo. A verdade é que devemos evitar os extremos: os judeus devem ser punidos sim, mas fogueira é exagero"
Ou então falando sobre abolição da escravidão no século XIX.
"De um lado há os extremistas que querem manter a escravidão. Do outro há outros extremistas que querem que negros tenham direitos iguais aos dos brancos. A verdade é que devemos evitar os extremos: a escravidão deve ser abolida, mas não é por isso que os negros devem ter direito de votar".
Ou uma versão ainda mais caricatural, falando sobre a teoria conspiratória de que os aviões sozinhos seriam incapazes de ter derrubado as torres do World Trade Center em 11 de setembro de 2001, e que provavelmente havia explosivos dentro das torres, tendo sido premeditada a derrubada.
"A torre norte caiu somente por causa do impacto do avião, mas a torre sul caiu porque tinha explosivos dentro dela, uma vez que do jeito que o avião atingiu a torre sul, teria sido impossível derruba-la sozinho"
O moderate hero é aquele que gosta de ficar em cima do muro. Mas se um dia alguém chegar para ele e perguntar:
- Você gosta mais de ficar nos extremos ou em cima do muro?
Provavelmente ele vai responder:
- Devemos evitar os extremos, mas não é só por isso que devemos ficar em cima do muro.
Agora, para encerrar o texto, infelizmente eu terei que ser um pouco moderate hero. Por um lado, esse tipo de debatedor deve ser zombado. Por outro lado, temos que tomar cuidado com o mau uso do termo. Seria equivocado xingar alguém de moderate hero só porque esse alguém teve posição intermediária em um determinado assunto, coisa que é completamente normal. O moderate hero, conforme eu escrevi, é quem tem a posição intermediária em todos os assuntos.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Datena e Russomano não são "a cara de São Paulo"
Quando saiu a notícia de que Datena e Russomano seriam candidatos a prefeito de São Paulo, li na Internet algumas pessoas dizendo que eles eram "a cara de São Paulo". Não vejo assim. Os dois, assim como Feliciano, representam apenas alguns segmentos da população paulistana. O único deles que já concorreu foi Russomano, que nem pro segundo turno foi.
Em geral, a classe média paulistana é mais moderna que a média do Brasil (o que não é muita coisa) em questões de liberdades ind...ividuais e valores culturais. Há maior aceitação da independência das mulheres, tolerância aos gays, tolerância à diversidade religiosa, liberdade sexual, apoio à descriminalização de drogas leves e apoio a causas ambientalistas em um raio de três quilômetros saindo do Masp do que na média do Brasil. Há gente nessa área que aplaude a chacina na periferia igual a que ocorreu recentemente, mas há gente assim no Brasil inteiro.
O que faz a classe média paulistana votar bem mais na direita do que o resto do Brasil é que os valores da meritocracia estão muito arraigados, e, às vezes, é uma visão torta de meritocracia. A ideia de que cada indivíduo é responsável pelo seu próprio sucesso e pelo próprio fracasso. Que impostos punem quem trabalha e programas sociais premiam vagabundo. Filho ter amigos gays tudo bem, ter amigos pobres já é um pouco mais complicado.
O João Dória representa muito mais esses ideais do que Datena, Russomano e Feliciano.
Em geral, a classe média paulistana é mais moderna que a média do Brasil (o que não é muita coisa) em questões de liberdades ind...ividuais e valores culturais. Há maior aceitação da independência das mulheres, tolerância aos gays, tolerância à diversidade religiosa, liberdade sexual, apoio à descriminalização de drogas leves e apoio a causas ambientalistas em um raio de três quilômetros saindo do Masp do que na média do Brasil. Há gente nessa área que aplaude a chacina na periferia igual a que ocorreu recentemente, mas há gente assim no Brasil inteiro.
O que faz a classe média paulistana votar bem mais na direita do que o resto do Brasil é que os valores da meritocracia estão muito arraigados, e, às vezes, é uma visão torta de meritocracia. A ideia de que cada indivíduo é responsável pelo seu próprio sucesso e pelo próprio fracasso. Que impostos punem quem trabalha e programas sociais premiam vagabundo. Filho ter amigos gays tudo bem, ter amigos pobres já é um pouco mais complicado.
O João Dória representa muito mais esses ideais do que Datena, Russomano e Feliciano.
domingo, 30 de agosto de 2015
Opinião de homem sobre feminismo vale? Opinião de branco sobre movimento negro vale? Opinião de hétero sobre movimento LGBTT vale?
Como eu sou homem branco hétero, se eu me propus a escrever um texto sobre esse tema, é sinal de que eu não defendo a posição mais extremista de que "a opinião não vale". Mas também não defendo o outro extremo de que esses questionamentos são uma merda e a gente tem que ignorar. Não sou moderate hero profissional, não é só porque há duas opiniões extremas sobre determinado assunto que eu tenho que concordar sempre com o meio, mas neste assunto, eu concordo com o meio mesmo.
Essa ideia de que a opinião de quem não faz parte do grupo oprimido sobre questões relativas ao grupo oprimido não vale não veio de graça. Quem não pertence ao grupo oprimido pode até ser bem intencionado, mas cresce viciado involuntariamente em pensar como o dominante, muitas vezes como o dominante benevolente, e saber se colocar no lugar do oprimido, que é um longo aprendizado. Somos viciados em ouvir opiniões de homens brancos héteros sobre sexismo, racismo e homofobia. E quantos de nós nunca dissemos "sexismo, racismo e homofobia são coisas do passado" sem nunca ter perguntado para uma mulher, uma negra (por que eu teria que escrever um negro?), um gay, uma lésbica ou um transexual, ou seja, pessoas diretamente atingidas, se é isso mesmo? Escutar faz bem. Quando algum branco diz "no Brasil não existe mais racismo", devemos perguntar a ele "mas você perguntou aos negros com quem convive diariamente se é isso mesmo?", aí se ele responder "é que não há negros na minha vizinhança, no meu clube e no meu trabalho", a tréplica só pode ser "hmmmm".
Portanto, essa ideia de que opinião de quem não pertence ao grupo oprimido não vale é um grito de "ei, nos ouça!". Considero isso válido na maioria das vezes. Concordo que nós, homens, não temos qualificação para definir se o movimento feminista deve ser classista ou não, se a melhor onda do feminismo é a primeira, a segunda ou a terceira, se é melhor o feminismo radical, o liberal ou o socialista ou se as feministas devem aceitar que trans feminina é mulher ou não.
Agora, é aí que não aceito o extremo oposto, esta regra não pode ser absoluta. Sentir na pele não torna uma pessoa infalível em qualquer argumento. Se um discurso feminista se torna misândrico, é óbvio que os homens têm competência para discordar, até porque misandria não trata de mulher, e sim de homem, e como homem entende de homem, opinião de homem sobre misandria (de preferência negativa) é válida. O mesmo ocorre quando um discurso pró negros se torna brancofóbico. Ou quando pró LGBTT vira heterofóbico (embora essa última situação eu nunca tenha visto na prática).
Se a regra de que quem sente na pele está sempre certo for levada ao extremo, não poderíamos falar mal de uma ex-vítima de bullying na escola que resolveu se vingar eliminando fisicamente os praticantes do bullying e seus amigos porque nós nunca sentimos na pela a experiência de sofrer bullying.
A tentativa de transformar em princípio absoluto o de que "a opinião de quem não pertence ao grupo oprimido não vale" muito provavelmente não vai pegar no Brasil por uma simples questão de números. Os negros são aproximadamente metade da população brasileira. As mulheres são aproximadamente metade da população brasileira. Portanto, as mulheres negras são aproximadamente um quarto da população brasileira. Como estima-se que os homossexuais correspondam a 5% da população, provavelmente é próxima de 1,25% a participação das mulheres negras lésbicas no conjunto da população brasileira. Ou seja, 98,75% da população brasileira pertence a pelo menos um grupo opressor. E muitos desses aí não vão concordar com a ideia de "cala a boca que sua opinião não conta". Uma mulher branca que seja militante feminista que defende a regra muito provavelmente entende com facilidade que como ela é branca, ela não tem condição de opinar sobre movimento negro. Mas uma mulher branca não feminista (ou mesmo não defensora dessa regra) pode muito bem querer fazer críticas ao movimento negro.
E assim como os pertencentes aos grupos oprimidos devem ser compreendidos por quem nunca sentiu na pele ser parte desses grupos, seria muito bom que os que sentem na pele NÃO fazer parte de grupo oprimido também fossem compreendidos. Homens brancos héteros somos menos sensíveis com questões que afetem minorias, e, portanto, mesmo sem intenção, podemos pisar na bola. Portanto, temos que ter o direito (e o dever) de pedir desculpas. Caso isso ocorra, linchamentos reais e virtuais não são justificados. Por exemplo o Michel Teló, branco. Quando ele se pintou de preto, ele não sabia que isso era ofensivo.
Essa ideia de que a opinião de quem não faz parte do grupo oprimido sobre questões relativas ao grupo oprimido não vale não veio de graça. Quem não pertence ao grupo oprimido pode até ser bem intencionado, mas cresce viciado involuntariamente em pensar como o dominante, muitas vezes como o dominante benevolente, e saber se colocar no lugar do oprimido, que é um longo aprendizado. Somos viciados em ouvir opiniões de homens brancos héteros sobre sexismo, racismo e homofobia. E quantos de nós nunca dissemos "sexismo, racismo e homofobia são coisas do passado" sem nunca ter perguntado para uma mulher, uma negra (por que eu teria que escrever um negro?), um gay, uma lésbica ou um transexual, ou seja, pessoas diretamente atingidas, se é isso mesmo? Escutar faz bem. Quando algum branco diz "no Brasil não existe mais racismo", devemos perguntar a ele "mas você perguntou aos negros com quem convive diariamente se é isso mesmo?", aí se ele responder "é que não há negros na minha vizinhança, no meu clube e no meu trabalho", a tréplica só pode ser "hmmmm".
Portanto, essa ideia de que opinião de quem não pertence ao grupo oprimido não vale é um grito de "ei, nos ouça!". Considero isso válido na maioria das vezes. Concordo que nós, homens, não temos qualificação para definir se o movimento feminista deve ser classista ou não, se a melhor onda do feminismo é a primeira, a segunda ou a terceira, se é melhor o feminismo radical, o liberal ou o socialista ou se as feministas devem aceitar que trans feminina é mulher ou não.
Agora, é aí que não aceito o extremo oposto, esta regra não pode ser absoluta. Sentir na pele não torna uma pessoa infalível em qualquer argumento. Se um discurso feminista se torna misândrico, é óbvio que os homens têm competência para discordar, até porque misandria não trata de mulher, e sim de homem, e como homem entende de homem, opinião de homem sobre misandria (de preferência negativa) é válida. O mesmo ocorre quando um discurso pró negros se torna brancofóbico. Ou quando pró LGBTT vira heterofóbico (embora essa última situação eu nunca tenha visto na prática).
Se a regra de que quem sente na pele está sempre certo for levada ao extremo, não poderíamos falar mal de uma ex-vítima de bullying na escola que resolveu se vingar eliminando fisicamente os praticantes do bullying e seus amigos porque nós nunca sentimos na pela a experiência de sofrer bullying.
A tentativa de transformar em princípio absoluto o de que "a opinião de quem não pertence ao grupo oprimido não vale" muito provavelmente não vai pegar no Brasil por uma simples questão de números. Os negros são aproximadamente metade da população brasileira. As mulheres são aproximadamente metade da população brasileira. Portanto, as mulheres negras são aproximadamente um quarto da população brasileira. Como estima-se que os homossexuais correspondam a 5% da população, provavelmente é próxima de 1,25% a participação das mulheres negras lésbicas no conjunto da população brasileira. Ou seja, 98,75% da população brasileira pertence a pelo menos um grupo opressor. E muitos desses aí não vão concordar com a ideia de "cala a boca que sua opinião não conta". Uma mulher branca que seja militante feminista que defende a regra muito provavelmente entende com facilidade que como ela é branca, ela não tem condição de opinar sobre movimento negro. Mas uma mulher branca não feminista (ou mesmo não defensora dessa regra) pode muito bem querer fazer críticas ao movimento negro.
E assim como os pertencentes aos grupos oprimidos devem ser compreendidos por quem nunca sentiu na pele ser parte desses grupos, seria muito bom que os que sentem na pele NÃO fazer parte de grupo oprimido também fossem compreendidos. Homens brancos héteros somos menos sensíveis com questões que afetem minorias, e, portanto, mesmo sem intenção, podemos pisar na bola. Portanto, temos que ter o direito (e o dever) de pedir desculpas. Caso isso ocorra, linchamentos reais e virtuais não são justificados. Por exemplo o Michel Teló, branco. Quando ele se pintou de preto, ele não sabia que isso era ofensivo.
Como explicar a um gringo a piada do pavê
Pavê is a typical Brazilian pie. It is composed by multiple layers of sweet crackers, cream and cake. Pavê is eaten often as a dessert in December holidays.
Because of the spelling of the word, there is a very famous double meaning joke related to the pavê in Brazil. "Para" means "to" in Portuguese. "Ver" means "see" in Portuguese. In spoken language, people say "pa" instead of "para" and people say "vê" instead of "ve...r". That's why "pavê" means "to see" in a literal translation to English. "Comer" means "eat" in Portuguese. So, the joke is: when the hostess say that there is "pavê" for "dessert", someone who is invited to the dinner asks if it is "pavê" or "pacomê". It means: he is asking if it is "to see" or "to eat". This is funny because it is odd that a kind of food is "to see" and not "to eat" according to its name. That's why this joke exists.
Not everyone makes this joke. There is a stereotype of people who make this joke: it is usually men aged between 40 and 70. Young people consider this joke old and boring.
Because of the spelling of the word, there is a very famous double meaning joke related to the pavê in Brazil. "Para" means "to" in Portuguese. "Ver" means "see" in Portuguese. In spoken language, people say "pa" instead of "para" and people say "vê" instead of "ve...r". That's why "pavê" means "to see" in a literal translation to English. "Comer" means "eat" in Portuguese. So, the joke is: when the hostess say that there is "pavê" for "dessert", someone who is invited to the dinner asks if it is "pavê" or "pacomê". It means: he is asking if it is "to see" or "to eat". This is funny because it is odd that a kind of food is "to see" and not "to eat" according to its name. That's why this joke exists.
Not everyone makes this joke. There is a stereotype of people who make this joke: it is usually men aged between 40 and 70. Young people consider this joke old and boring.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Para divertir um pouco
Dois bons memes de Facebook, sobre a ignorância que olavetes têm sobre o ensino superior de Humanidades no Brasil
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Nem nem nem. Porque não sou governista, nem oposição de direita, nem oposição de esquerda
As atuais forças políticas no Brasil dão desânimo. Já fui favorável ao governo Lula, principalmente durante o segundo mandato. Atualmente, 71% dos brasileiros e eu estamos nada satisfeitos com o governo Dilma. Estou ainda mais insatisfeito com o partido do governo do que com o próprio governo. Isto não quer dizer que a oposição seja melhor. A oposição de direita nada tem a oferecer de melhor. A oposição de esquerda tem alguns méritos, mas também tem defeitos.
Por isso, faço um textão criticando o PSDB, que vale também para os outros partidos da oposição de direita, um textão criticando o PT, que vale algumas coisas também para o PCdoB, e finalmente um textão criticando o PSOL, que vale também para os outros partidos da oposição de esquerda.
Como o nome já diz, os textões são grandes, mas preferi mantê-los no mesmo post para evitar que alguém difunda separadamente, ou seja, escolha só um dos textos para difundir. Quer difundir, ótimo, mas faça com os três textões juntos.
Boa leitura
Se eu falei mal de partidos, quer dizer que eu odeio partidos, que partidos são ultrapassados, que política agora só dá para fazer com ação direta? Não, eu apenas estou insatisfeito com os partidos brasileiros na atualidade.
Na década de 1990, poderíamos dizer que era um luxo o brasileiro ter condição de escolher entre PT e PSDB. Eram dois partidos dois quais se podia falar bem. Muitos acreditaram que em 1994, escolher entre Fernando Henrique e Lula era escolher entre dois bons candidatos. O mesmo se podia falar em 2002, com Lula e Serra. Eu me lembro de que no meu primeiro voto para presidente, eu votei no Lula e não contra o Serra. Eu acreditava que se o Serra fosse eleito, também não seria ruim. Assim como muita gente que votou no Serra ficou com muita esperança de que o Lula pudesse fazer um bom governo.
Atualmente, é possível dizer que poder escolher entre PT e PSDB é uma desgraça. Um pouco porque os dois partidos pioraram, um pouco porque alguns defeitos desses partidos, que já existiam, vieram mais à tona.
O voto nulo em 2018 deve ser considerado como possibilidade. Sou contra campanhas por voto nulo em segundo turno, porque a neutralidade no momento torna-se impossível. Quem é de esquerda e prega o voto nulo ajuda o candidato de direita (porque só converte potenciais votos do candidato de esquerda em votos nulo) e quem é de direita e prega o voto nulo ajuda o candidato de esquerda. Por isso, é melhor que campanhas pelo voto nulo sejam feitas antes do primeiro turno.
Por isso, faço um textão criticando o PSDB, que vale também para os outros partidos da oposição de direita, um textão criticando o PT, que vale algumas coisas também para o PCdoB, e finalmente um textão criticando o PSOL, que vale também para os outros partidos da oposição de esquerda.
Como o nome já diz, os textões são grandes, mas preferi mantê-los no mesmo post para evitar que alguém difunda separadamente, ou seja, escolha só um dos textos para difundir. Quer difundir, ótimo, mas faça com os três textões juntos.
Boa leitura
Oposição de direita: mais especificamente, o PSDB
Quando se fala em
oposição à direita, o primeiro partido que vem à mente é o PSDB. Se já vou
pegar pesado com o PSDB, é dispensável falar também do DEM, do PMDB, do PP e do
PSD, que são piores, mesmo que os últimos três sejam governistas (ou principalmente
por causa disso).
Eu voto desde 2000 e
nunca apertei um 45 em uma urna eletrônica, nem pretendo fazer isso em breve.
Se eu fosse dois anos mais velho, teria feito isso no segundo turno de 1998,
dando o voto útil em Covas contra o Maluf. De lá pra cá, o PSDB só vem
piorando. Se eu fosse adulto em 1988, ano da fundação do partido, eu
provavelmente teria sido otimista quanto ao seu futuro.
Em 1994, muitos
eleitores que se consideravam de centro-esquerda votaram em Fernando Henrique
Cardoso, pensando que ele fosse fazer um governo social-democrata de verdade.
Grande decepção. Os programas sociais de transferência de renda só tiveram
início do sétimo ano de governo, e foram muito tímidos. O percentual de
brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza era de 35% em 1995 e 34% em
2002. O índice de Gini ficou estável neste período. A participação da renda do
capital na renda total aumentou, enquanto que a dos salários declinou. A
geração de empregos com carteira assinada teve desempenho ruim. O Plano Real
foi bem sucedido, mas pouco foi feito depois. O
governo FHC seguiu a ideologia de que basta o governo não atrapalhar que o
desenvolvimento vem. O governo, com tanta privatização e
desregulamentação, parou de "atrapalhar", mas o desenvolvimento,
mesmo oito anos depois, não veio.
Apesar de ter sido
decepcionante o governo FHC, o PSDB ainda era melhor naquele tempo do que nos
dias atuais. Se em termos de redução de pobreza e desigualdade o governo FHC
deixou a desejar, não se pode negar que houve progresso em direitos
humanos e Estado laico. Daquele tempo para o atual, o PSDB retrocedeu até
nessas áreas. Alckmin foi reeleito em 2002 utilizando na campanha um massacre
cometido pela Polícia Militar como prova de que a política de segurança estava
funcionando. O partido esculachou o III Plano Nacional de Direitos Humanos,
proposto pelo ministro Vannuchi, durante o segundo mandato do Lula, em 2009. A
campanha de Serra utilizou ateufobia em 2010 e homofobia em 2012. Em
2015, o PSDB indicou o Coronel Telhada para dirigir a Comissão de Direitos
Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, gesto simbólico que significa
dar uma banana para a comissão. Atualmente, há um deputado do partido, que
seguindo o lobby do Escola Sem Partido (???), propõe uma lei para censurar a
atividade docente.
Duas características
interligadas, muito marcantes no PSDB são o elitismo e o autoritarismo. Para o
PSDB, a opinião que conta é a opinião da classe média para cima. É muito comum
escutar políticos do PSDB dizendo "a sociedade pensa isso", "a
sociedade pensa aquilo", sendo que a "sociedade" à qual eles se
referem é o quinto mais rico da população brasileira. Por isso que o PSDB tem
ojeriza a criação de qualquer mecanismo de democracia direta, participação
popular. No ano passado, Alberto Goldman e Fernando Henrique Cardoso disseram
indiretamente que a eleição de Dilma vale menos porque ela dependeu dos votos
dos mais miseráveis (que seriam pessoas que valem menos?) Quando eu ouço alguém
dizendo que o PSDB vai começar uma campanha para se aproximar das classes mais
baixas, já é possível prever o que vem: demagogia religiosa e demagogia
policialesca. São estes discursos que aproximam o PSDB de alguns segmentos das
classes mais baixas, porque o social deste partido consta apenas no nome. O
único momento em que o PSDB se lembra da desigualdade da distribuição de renda
no Brasil é na hora de falar mal de universidades públicas, com o pretexto de
que elas são frequentadas por filhos de pessoas com alto poder aquisitivo.
Utiliza-se muito o discurso do "temos que priorizar a educação
básica", que seria muito bonito e não fosse pelo significado oculto de
"temos que sucatear o único nível de ensino que o setor público brasileiro
ainda fornece com alguma qualidade para quem sabe sobrar um dinheirinho pra dar
uma melhoradinha na educação básica". Bom, neste tema, o PT também não vem
tendo um bom desempenho, basta ver o triste estado em que se encontram as
federais no ano de 2015. Mas ao menos não é intenção deliberada. Ainda nesse
tema, o PSDB é o partido que se considera o inventor do Bolsa Família, mas
também é o partido favorito de quem considera que Bolsa Família só serve para
comprar voto de vagabundo.
Como não há elitismo
sem autoritarismo, não é difícil perceber as marcas deste vício no PSDB, mesmo
tendo sido este partido fundado por antigos opositores do autoritarismo.
Sabemos que a PM de São Paulo espanca manifestantes e mata morador de periferia
assim como a PM dos outros 25 estados e do Distrito Federal. Mas não se
verifica em outros estados caso semelhante de amor que se vê entre Alckmin e
PM. É marcante também a agressividade de José Serra com jornalistas, mesmo que
eles trabalhem para empresas de comunicação favoráveis a seu partido. E não
pode deixar de ser mencionada a tentativa do senador Aloysio Nunes agredir
fisicamente um engraçadinho ex-assessor de uma deputada do PT que fez apenas
uma provocação verbal. Quando acontece qualquer ato de hostilidade contra
qualquer integrante do PSDB ou contra qualquer aliado, seus líderes, junto com
os aliados nos meios de comunicação, já exigem que o PT se ajoelhe no milho e
peça desculpas, mesmo que o praticante do ato hostil não seja do PT. E
palavrinha dos tucanos contra a bomba no Instituto Lula ou contra as agressões
físicas sofridas por militantes petistas durante a campanha de 2014? Não vi.
Outra atitude recente de baixo nível cometida pelo PSDB foi aquela nota dizendo
que "jornalistas que corajosamente discordam do PT sofrem ataques em redes
sociais". Em primeiro lugar, esses jornalistas (aliados do PSDB) não
sofrem "ataques" em redes sociais porque falam mal do PT, e sim
porque são simpáticos a racistas, machistas e homofóbicos e exaltam o regime
militar. Em segundo lugar, "atacar" jornalistas em redes sociais
também faz parte da liberdade de expressão.
E quanto à corrupção?
Eu aceito a hipótese que o valerioduto praticado pelo PSDB em Minas Gerais
em 1998 não foi tão grave quanto o praticado pelo PT a nível federal em 2005. E
que o escândalo do Metrô em São Paulo tem uma diferença com o escândalo da
Petrobras: no de São Paulo, ainda não apareceram indícios tão evidentes de
políticos metendo diretamente a mão. Mas que algumas empresas obtiveram
contratos superfaturados para prestar serviços ao Metrô de São Paulo é fato, e
que estas empresas doaram para campanhas do PSDB também. Se tem focinho de
forco, orelha de porco, lombo de porco e pé de porco pode ser a feijoada ou a
porca, mas também é muito grande a probabilidade de ser porco. A mesma analogia
do porco vale para a blindagem do Daniel Dantas. Sabemos que Daniel Dantas foi
vencedor do leilão da privatização de telefonia, leilão em que ocorreram
irregularidades conforme gravações mostraram. A irmã de Daniel Dantas tinha uma
empresa em parceria com a filha de José Serra (o fato em si não é crime, mas
ter critérios mais rigorosos pra escolher parceiros de negócios faz bem).
Daniel Dantas se relacionava muito bem com Antônio Carlos Magalhães, do PFL. E
quando Daniel Dantas entrou na mira da polícia federal, quem fez a blindagem do
banqueiro baiano: Gilmar Mendes, o ministro pró PSDB/DEM, e jornalistas
pró PSDB/DEM. A relação de causa e efeito pode não ter sido essa, mas que é
coincidência não se pode negar.
Os defeitos que o PSDB tem, outros partidos também têm. Mas os defeitos do PSDB ficam menos aparentes quando o partido conta com uma blindagem feita pelas grandes empresas de comunicação. Não é a toa que há os que pensam que a crise energética nacional de 2001 e a crise hídrica paulista de 2014 foram causadas pela natureza. Como vocês lerão a seguir, o PT conta uma rede de jornalistas passa-pano. O PSDB também. A diferença é que os do PT estão em blogs, e os do PSDB estão nos jornalões.
Chegando perto do fim
do texto, acho desnecessário explicar mais uma vez a relação não muito
aparente, mas existente, entre PSDB e grupelhos de extrema-direita. Importante
destacar mais uma vez apenas que Reinaldo Azevedo é PSDB e PSDB é Reinaldo
Azevedo. O colunista da Veja não é simplesmente um reacionário que acha o PSDB
menos ruim por falta de outras opções à direita. A sua ligação com o PSDB é bem
mais antiga que seu olavismo. Já expliquei isso aqui no blog.
Outro feito do PSDB que não foi
igualado nem pelos governos arenistas de São Paulo foi ter transformado a TV
Cultura em um veículo de propaganda da direita, empregando gente da Veja e da nova safra de geradores de texto reaça.
Por fim, tento dar um
palpite para uma pergunta que algumas pessoas fazem. "Fernando Henrique
Cardoso e José Serra tiveram suas vidas acadêmicas ligadas à esquerda.
Atualmente, na política, estão ligados à direita. Será que eles mudaram de
ideia e passaram a acreditar na direita por convicção, ou eles apenas estão
ocupando um espaço anteriormente vago no espectro político brasileiro?" Eu
acredito que nos anos 90, quando eram governo, eles eram de
centro, liderando uma coalização que incluía partidos de centro e partidos
de direita. A parceria com a direita, representada pelo PFL que virou DEM, se
manteve quando foram para a oposição, e talvez o convívio com a direita por
mais de 20 anos acabou moldando suas mentes.
Governismo: mais especificamente, o PT
Votei
pela primeira vez em 2000, para prefeito de Campinas, no Toninho do PT,
assassinado no ano seguinte. Votei pela primeira vez para presidente em 2002,
no Lula. E vou ser sincero. Sabem o que o mensalão, revelado em 2005,
significou para mim? Pouca coisa, pois eu já estava muito irritado antes com o
partido, por causa da política econômica adotada por Lula no primeiro mandato.
Foi só depois, lá por meados de 2006, já perto da campanha da reeleição, eu fui
descobrir que a decisão de Lula quanto à política econômica havia sido
acertada. Mas não o mensalão, óbvio. Na eleição de 2006, eu anulei no primeiro
turno (voto em ninguém) e votei no Lula no segundo (veto ao Alckmin e sua base
de apoio). Naquele tempo, eu considerava ainda válido o manjado discurso
petista do "sempre foi assim, todo mundo fez, é que agora está sendo mais
investigado". Não por achar que os escândalos foram aceitáveis, mas por
achar que tinha que escolher o mal menor. Muitas decisões do PT e de Lula entre
junho de 2005 e outubro de 2006 caminharam na direção certa. Todos os
investigados foram afastados do governo. Delcídio, o deputado petista que
presidia a CPI, não criou empecilhos para as investigações. Delúbio foi
afastado do PT. Veio o segundo mandato, com o PIB do Brasil crescendo, a
miséria diminuindo, o Brasil se projetando no exterior com a diplomacia
sul-sul. Com o escândalo da Petrobras ainda escondido, os maiores escândalos aparentes
entre 2007 e 2010 ocorreram no Rio Grande do Sul, então governado pelo PSDB, e
no Distrito Federal, então governado pelo DEM. Voltei a me simpatizar com o PT,
mas não tanto quanto entre 2000 e 2002.
Aí a
partir de 2010, foi ficando cada vez mais difícil ser favorável ao PT. Em 2010,
último ano de euforia, aqueles problemas ainda eram invisíveis. A campanha
de Dilma foi irrigada com dinheiro de empresas que ganharam contratos
superfaturados com a Petrobras (ou seja, a campanha foi irrigada com dinheiro da
Petrobras). Fez alianças excêntricas no Paraná, no Rio de Janeiro, em Minas
Gerais, em Pernambuco e em Goiás, abrindo mão de ter candidatos a
governador para ter mais apoios na eleição para senador. Na época,
achávamos isso justificável, pois considerávamos que com um Senado mais
favorável, Dilma poderia fazer um governo mais progressista, o que acabou não
ocorrendo. O PT recorreu a Eduardo Cunha e Marco Feliciano para ter os votos de
evangélicos. Para os autores e receptores de cartilhas petistas, os dois
só viraram escrotos na hora que se voltaram contra o PT.
Veio o
governo Dilma, recuando em relação ao que Lula avançou. Substituiu a política
inovadora de Juca Ferreira na cultura por uma política pró gravadoras de Ana de
Hollanda (pelo menos nesta área a bobagem foi desfeita, e Juca voltou).
Negligenciou a questão indígena e teve seu ministro Cardozo parado frente a
assassinatos de índios. Acabou com o material didático anti-homofobia para não
promover "opção sexual". Demitiu um integrante do Ministério da
Justiça que havia declarado ser contra a guerra às drogas. A área em
que Dilma tentou se posicionar à esquerda de Lula foi a economia. Mas nem isso
conseguiu. Não considero uma atitude muito
esquerdista prolongar isenção de IPI para automóvel indefinidamente e
represar preços de serviços públicos para simplesmente eles aumentarem
depois. Alguns podem dizer: Dilma não é PT, é um alien dentro do partido.
Alguns diriam até que ela saiu do PDT, mas o PDT não saiu dela. OK, mas o
que ocorreu com o PT nos últimos cinco anos foi até pior do que o que ocorreu
com o governo Dilma.
Já em 2011, o PT
aceitou Delúbio de volta. Em 2012, preferiu atacar o Supremo Tribunal Federal,
ao invés de desligar do partido os membros condenados pelo tribunal. Alimentou
a teoria de que os condenados teriam sido vítimas de uma vingança das elites
por terem defendido o povão. Mesmo que oito dos onze ministros STF tenham sido
nomeados por Lula ou por Dilma. E que um dos condenados tenha tido o hábito de
dar consultoria para integrantes desta elite que supostamente estaria se
vingando dele. É estranha esta lógica do PT, que considera que não pode
defender legalização do aborto porque isso faz perder voto, não pode defender
legalização da maconha porque isto faz perder voto, e preservar políticos
condenados por corrupção também faz perder voto, mas isso o partido faz mesmo
assim.
Quando veio o
escândalo da Petrobras, acabou qualquer desculpa que era usada nos escândalos
anteriores. No tempo do mensalão, alguns diziam que se não fizesse isso, não
haveria base de apoio no Congresso, e, dessa forma, o país pararia. Os
delatores do escândalo da Petrobras disseram que não apenas o PMDB e o PP
receberam propina, mas que o próprio PT ficou com parte do dinheiro. Então, o
escândalo não se restringe a formar base de apoio no Congresso. A outra
desculpa, a de que o PT tem mais dificuldade de obter doações legais no meio
empresarial por causa de diferenças ideológicas, e por isso utilizaria meios
ilegais, também não é válida, pois em 2010 o Lula tinha 80% de aprovação.
A favor do PT há uma
rede de sites que têm como pretexto uma boa causa, que é fornecer um
contraponto à opinião transmitida pelos grandes meios de comunicação, mas
acabam sendo tão nocivos quanto esses grandes meios de comunicação (chamados de
PIG) quando criam uma massa de adestrados que acham que tudo que está a favor
do PT é bom e tudo que está contra o PT é ruim. Ensinam a ter lealdade somente
ao partido, e não a ideais. Dez anos depois da revelação do mensalão, que eles
adoram escrever entre aspas, ainda mantém o discurso do “sempre foi assim, todo
mundo fez, é que agora está sendo mais investigado”. Ora, porra, se sempre foi
assim, sempre foi errado. Se todo mundo fez, todo mundo fez errado. Se só agora
está sendo investigado, antes estava errado. A falta de discernimento que os
seguidores destes sites têm é tão grande que não sabem diferenciar Gilmar
Mendes, realmente comprometido com uma política conservadora, de Joaquim
Barbosa, jurista de opiniões progressistas que foi tachado de reacionário
simplesmente porque condenou ex-dirigentes do PT. Um dos sites chegou a
reprovar Joaquim Barbosa pelo fato dele ter uma esposa branca. Durante a
Operação Lava Jato, junto com a justa crítica à partidarização declarada de
alguns delegados da Polícia Federal, vemos uma tentativa infundada de desqualificar
todo o instrumento da Delação Premiada, a não ser, é claro, que sirva contra o
Eduardo Cunha. É justo criticar vazamentos seletivos, mas que a Delação
Premiada tem muitos efeitos positivos em desvendar escândalos, sobre isto não
há dúvida. Outra tentativa destes sites de defender o indefensável é
defender o "legado da Copa". Um destes sites chegou ao ridículo de
defender a realização de jogos da Copa em Cuiabá, Manaus e Natal, cidades sem
clubes fortes para manter os estádios, alegando que Lula tinha uma visão de
Brasil e que por isso ele não quis restringir o evento ao "sul
maravilha" (texto que criou um espantalho, uma vez que ninguém foi contra
fazer jogo em Salvador, Recife e Fortaleza, cidades com clubes mais fortes).
Quem gostou do fato da Copa ter tido doze, e não apenas nove estádios, foram as
empreiteiras.
Quando o governo
federal faz coisas que quem se considera de esquerda não tem a menor condição
de defender, apela-se à tentativa de separar o governo do partido. O problema
desta estratégia é que algumas das decisões indefensáveis são tomadas por
ministros do PT ou ministros não indicados pelos partidos "aliados",
como Joaquim Levy e Kátia Abreu, que estão lá porque a Dilma quis, e não por
solicitação do PMDB. Os adestrados mais delirantes também acham que o PSOL é
aliado do PSDB e do PIG. E não houve muita diferença de opinião de alguns sites
petistas e do PIG sobre os protestos pelo passe livre, protestos de índios e
protestos contra a Copa. Quanto ao posicionamento sobre o PSOL, tem os fanáticos
que acham que acham que o PSOL faz o jogo da direita e tem os um pouquinho mais
moderados, mas não muito menos piores, que querem cagar regra sobre o que pode
e o que não pode ser feito ao se fazer oposição ao governo e ao PT pela
esquerda. Esses aí dizem que criticar o PT por ter caminhado demais para o
centro tudo bem, mas que criticar o PT por causa de corrupção é coisa de
coxinha udenista médio-classista pequeno burguês. Dão um presente para a
direita, ao dar a ela o monopólio da defesa da ética, mesmo sendo muitos da
direita também completamente desprovidos de ética.
As redes de petistas fanáticos e de
direitista ignorantes se retroalimentam. Uma dificilmente seria tão forte
sem a outra. Como alguns dos que criticam corretamente os colunistas trolls
de direita defendem erroneamente petistas condenados, isto vira álibi para
defensores desses trolls de direita desqualificarem os críticos. Mesmo que
muitos desses trolls de direita defendam os corruptos do lado deles. Por outro
lado, esses trolls de direita viram ótimos espantalhos para o antipetismo, e
isto beneficia o petismo. A direita adora utilizar a despolitização de grande
parte da população brasileira que acha que esquerda = PT. Como o PT está
enrolado, isto é visto como uma oportunidade de jogar a crise no colo de toda a
esquerda. Quando as redes petistas alimentam a ideia de que anti PT = direita,
está colaborando com quem quer mostrar que esquerda = PT.
Outro costume muito
ruim do PT é o de deixar pautas progressistas em banho maria e mostrar empenho
em defende-las apenas quando são úteis para mobilizar militância em favor do
partido. Um dos exemplos é o do financiamento exclusivamente público de
campanha. É certo que como a esmagadora maioria dos deputados é eleita com
financiamento privado, é muito difícil obter uma maioria pró financiamento
exclusivamente público. Mas no tempo em que Lula tinha 80% de aprovação, o
Executivo poderia ter tentado mandar um projeto a este respeito para o
Legislativo, que o poder de pressão seria grande, e, talvez, o resultado final
poderia ter sido a aceitação do financiamento privado, mas com um limite bem
baixo. Recentemente, circulou uma PEC legalizando o financiamento privado,
e um dos autores desta PEC era um deputado do PT, que não foi expulso do partido.
Somente na campanha de 2014 e no decorrer de 2015 o PT ressuscitou o tema
financiamento exclusivamente público. Outra bandeira ignorada pelo PT durante
muito tempo foi a realização de uma reforma tributária que corrigisse a
distorção brasileira de tributar muito o consumo e pouco a renda e o
patrimônio, ou seja, de tributar muito o pobre e pouco o rico. Tanto o imposto
sobre grandes fortunas, quando a criação de uma alíquota de Imposto de Renda
superior a 27,5% para rendas muito altas, foram deixados em banho maria pelo
PT. Também não é possível utilizar como desculpa o excesso de conservadorismo
do Legislativo, porque o Executivo não enviou um projeto a esse respeito.
Quando a deputados fundamentalistas pentecostais se voltam contra o PT, e
a direita laica se une de forma oportunista a eles, os petistas alertam com
razão sobre os danos causados por esses religiosos. Mas quando os religiosos
estão na paz, os sites petistas comemoram quando a Record supera a Globo em
audiência. O PT também deve ser criticado por não ter feito esforço para
aprovar PEC proibindo a privatização da Petrobras e PEC constitucionalizando o
Bolsa Família, e usar privatização da Petrobras e esvaziamento do Bolsa Família
como fantasmas em campanha eleitoral.
Muitos dos que
votavam no PT antes de 2002 eram aqueles que valorizavam bastante a educação e
a saúde públicas, e consideravam que para ter educação e saúde públicas de
qualidade valia a pena até mesmo pagar imposto elevado. Doze anos depois, a
educação e a saúde públicas não deram um grande salto de qualidade. Parte disso
é responsabilidade de governos estaduais e municipais, mas se a precariedade
dos serviços é disseminada em todo o território nacional, o governo federal
também deve ser cobrado. Como antes de 2002 o PT tinha grande base de apoio em
universidades, esperava-se que com o PT no governo, o Brasil teria um grande
desenvolvimento intelectual. Não foi isso que aconteceu. A ampliação do acesso
dos jovens pobres à universidade é um fato que deve ser comemorado, mas não
podemos esquecer que quando se fala de qualidade, e não de quantidade, os
resultados não são os mesmos. A saída de milhões de pessoas da condição de
miséria e a expansão do emprego com carteira assinada também são fatos que não
podem ser desprezados. Ainda assim, mudanças mais profundas não ocorreram,
mesmo depois de doze anos. Não precisa ser revolucionário trotskista para notar
que houve frustração. Até mesmo para quem defende uma social democracia houve
frustração.
Existe um grande
abismo entre o discurso esquerdista de parte da militância da base da pirâmide
do PT, que é tão esquerdista quando o PSOL e só não saiu da nave mãe porque
considera que não pode dividir a esquerda, e as práticas de lideranças do PT de
composição com as forças políticas e econômicas conservadoras. Quando no debate
da eleição presidencial de 2014 a candidata Marina Silva disse que a palavra
"elite" pode ter significado positivo, a militância começou o
esculacho. Foi demonizada a pessoa de Neca Setúbal, que já trabalhou
para o governo federal e já apoiou o Haddad. Aí, no ministério do segundo
mandato, Dilma incluiu Joaquim Levy, representante da elite financeira, Kátia
Abreu, representante da elite agrária, e Armando Monteiro, representante da
elite industrial. Não há problema no fato do PT tentar manter bom
relacionamento com o empresariado. O problema é a hipocrisia, é fazer isso e
atacar os outros que fazem.
Muitas vezes, a
composição com setores conservadores da sociedade vai longe demais, e, às
vezes, o esquerdismo de fachada que preserva também vai longe demais. O governo
Lula perdeu tempo demais com Cesare Battisti. Isto não passou de um prêmio de
consolação para a militância esquerdista do partido. O resultado não foi dos
melhores. A revista Carta Capital, que faz muitas críticas pela esquerda ao
governo, concordou com os críticos à direita em considerar que o posicionamento
do governo sobre o ex-terrorista italiano foi uma grande bobagem. O petismo
comporta tanto o fornecimento de generosas verbas de publicidade para o PIG,
quanto a comemoração por causa de dificuldades financeiras do PIG e dos jornalistas
demitidos.
O discurso
classemediofóbico pró-povão e sulfóbico feito por interneteiros petistas de
classe média soa sinal de memória curta, uma vez que até 2002 os petistas se
orgulhavam de pertencer à classe mais culta do país e consideravam o povo
gaúcho mais politizado que a média dos brasileiros porque o PT era forte no Rio
Grande do Sul.
Alguns petistas
habitualmente perguntam "tudo bem, há integrantes do PT envolvidos em
esquemas de corrupção, mas por que essa raiva toda é só contra o PT, os outros
também não roubaram, por que não batem panelas para os outros também?"
Respondendo à pergunta de maneira muito simples: as pessoas que batem panelas
rejeitam o PT não só por corrupção, mas também por outros motivos. E...???????
Se petistas rejeitam outros partidos não só por causa de corrupção, mas também
por outros motivos, por que quem rejeita o PT teria que rejeitar só por causa
de corrupção? Alguns dos motivos de rejeitar o PT além de corrupção são justos
e já mencionei, outros não. Em muitos assuntos, considero que quem está errado
é quem bate panela, e não o PT. Mas de qualquer forma, petistas têm que
aprender que são coisas da vida existir pessoas que rejeitam seu partido
favorito. Ainda sobre "corrupção, mas só o PT, e uzotro?", também tem
que ser considerado que embora PSDB e DEM já tenham praticado atos ilícitos
quando eram governo federal e pratiquem ainda atualmente em estados e
municípios, e PMDB e PP pratiquem os atos ilícitos juntos com o PT, as pessoas
observam mais o presente do que o passado, mais o governo federal do que os
governos subnacionais, e mais o partido de quem ocupa a cadeira de presidente
do que os "aliados". Outro motivo de haver uma raiva muito grande
específica ao PT por causa de corrupção é que o partido da estrela tinha,
antes de ter virado governo, uma fama de partido honesto, e até quem não
gostava do partido acreditava nisso. Sempre quanto maior a expectativa, maior é
a decepção.
Outra atitude muito
decorrente de petistas muito fanáticos é a de achar que todo mundo que saiu do
PT é oportunista. Não conheço outro partido com tantas deserções. Grande parte
dos prefeitos e governadores do PT eleitos antes de 2002 deixaram o partido.
Incluem-se Jacó Bittar, Vitor Buaiz, Luíza Erundina, Cristóvam Buarque, Marta
Suplicy, Edmílson Rodriguez. Além disso, saíram outros nomes como os que foram
mais para a esquerda, para o PSOL, e os que foram mais para a direita, como
Eduardo Jorge, Marina Silva e Hélio Bicudo. Nem todos estes listados são ídolos
meus, mas quem diz que todo mundo que sai do PT é oportunista tem que admitir
então que antigamente o PT tinha muito oportunista, uma vez que a lista dos que
saíram é enorme.
Muita gente concorda
com todas essas críticas, mas sempre dá um 13 "crítico" no segundo
turno por causa do "mal menor". Eu mesmo fazia isso. Mas se o PT
souber que sempre vai contar com apoio incondicional no segundo turno, nunca
vai ter incentivo para corrigir seus erros. Chegou a hora de suspender este
hábito. Não é o simples votinho 50 no primeiro turno que vai fazer o PT
perceber que tem algo realmente errado. A reação do PT à prisão de Vacari foi
um sinal de que parece que mesmo em 2015 o PT ainda não aprendeu.
Eu compreendo porque
há algumas pessoas de bem que mesmo reconhecendo que o "PT cometeu alguns
erros", ainda são condicionadas a recusar a perceber a gravidade desses
"erros". Sabemos que nem todo mundo que odeia o PT é elitista,
racista, machista e homofóbico. Mas não há qualquer dúvida de que todo mundo
que é elitista, racista, machista e homofóbico odeia o PT. Muita gente que não
tem qualquer ética no dia a dia odeia o PT. Daí o subconsciente de algumas
pessoas dizem que, por causa disso, o PT é bom. Mas o mundo não se restringe a
bem versus mal. Muitas pessoas escrotas odeiam o PT. Mas isto não impede que
apesar de também ter feito muitas coisas boas, o PT também tenha feito muitas
coisas escrotas.
Mas depois de todas
as críticas ao PT, um lembrete: impeachment da Dilma seria um golpe sim.
Oposição de esquerda: mais especificamente, o PSOL
Este texto será
basicamente sobre o PSOL, o partido da oposição de esquerda pelo qual sou mais
favorável. Como já é um texto bem crítico, fica subentendido que minhas
objeções ao PSTU e ao PCB seriam ainda maiores.
Conforme eu escrevi
durante a campanha eleitoral de 2014, o PSOL, naquela campanha, marcou um
golaço em direitos e tomou um frango em economia. Alguns libertários também
disseram isso. Mas eu não estava defendendo uma posição libertária,
considerando que só é bom defender legalização do aborto e legalização da
maconha, e que ser socialista é ruim. Eu não sou libertário. Não sou contra ser
socialista. Sou contra apenas ser infantil.
Pelo que líderes e
militantes do PSOL falam, parece que orçamentos são ilimitados. A ideia básica
é "podemos definir arbitrariamente um padrão de vida ideal e os
governantes que não proporcionarem este padrão para toda a população são
maus". A luta política deve ser feita para melhorar a distribuição da
renda em favor das classes mais baixas, mas nenhuma luta política é capaz de
multiplicar a renda por mágica. Este discurso do "temos que aumentar o
gasto nisso, aumentar o gasto naquilo" pode até ser útil para mobilizar
militância, pois é o mais fácil para pessoas com pouca instrução entenderem.
Mas tenho dúvidas de que isso seja realmente politizante, pois apenas represa
futura decepção para quando o PSOL for governo. Não precisa nem falar de
situações hipotéticas. Isto já ocorre na realidade. A prefeitura de Macapá
percebeu que não dá para pagar o salário para os professores que considera
justo quando não tem dinheiro para isso. E não é verdade que o governo gasta
45% do "nosso dinheiro" com pagamento de juros da dívida, sei lá
quantas vezes mais do que gasta com saúde e educação. O governo não gasta
45%*(impostos) e sim 45%*(impostos+empréstimos). O dinheiro para pagar juros
dos títulos velhos vem da emissão de títulos novos, ou seja, empréstimos. Se o
governo resolvesse dar o calote na dívida e usar o dinheiro emprestado para a
saúde e educação, não haveria mais dinheiro emprestado.
A
esquerda erra quando foca sua luta política em defesa de déficits públicos
elevados e maior tolerância com inflação. Quem mais perde com déficit são os
pobres, que os favoráveis ao déficit dizem estar defendendo, porque mais
déficit implica juros mais altos, que prejudica tomadores de empréstimos e
beneficia emprestadores. E se um Estado fica endividado demais, fica
impossibilitado de prover serviços básicos. Se há déficit grande e os juros não
sobem, há inflação elevada, que come mais a renda do pobre do que a renda do
rico, pois o pobre tem menos acesso ao sistema financeiro. O que deve ser decidido
politicamente é de onde deve vir a receita e para onde deve ir a despesa, mas
não há política que permita fazer com que a despesa seja indefinidamente muito
maior do que a receita. Este costume de parte da esquerda de não conseguir
diferenciar alhos e bugalhos não é novo e já causou prejuízo anteriormente.
Durante o governo João Goulart, também havia déficit e inflação, e o governo
tentou fazer um ajuste, através do Plano Trienal. E ao contrário do que ocorre
hoje, quem chefiava a economia não era um Chicago Boy, era ninguém menos do que
Celso Furtado. O governo pretendia conciliar ajuste com reformas progressistas.
Parte da esquerda passou a hostilizar o Plano Trienal, contribuindo para o
enfraquecimento político de João Goulart.
Mesmo quando tenta
sofisticar um pouco mais o discurso sobre economia, a oposição de esquerda
comete erros básicos. Critica a desindustrialização do Brasil (perda de
participação da indústria de transformação no PIB e nas exportações), mas
reclama que os salários não aumentaram o suficiente, que são necessários mais
direitos trabalhistas. Ou seja, o que propõem é ligar o ar condicionado e o
aquecedor ao mesmo tempo. A desindustrialização do Brasil ocorreu justamente
porque os salários aumentaram, e tornou-se impossível alguns setores
industriais no Brasil concorrer com países asiáticos, que têm baixo custo do
trabalho. Comprimir salários não é a única opção para recuperar a indústria,
pois é possível investir em setores mais sofisticados
tecnologicamente, não intensivos em trabalho não qualificado. Mas para isso,
precisa capacitar melhor a força de trabalho brasileira. E para isso,
precisa melhorar e muito a proficiência dos estudantes brasileiros em leitura e
matemática. É aí que vem mais um defeito da extrema-esquerda: mania de sonhar
demais quando fala em Educação e ser hostil às políticas que no curto prazo
priorizem conteúdos mais tradicionais, como leitura e matemática. Poderemos ter
um ensino mais vanguardista somente quando sairmos da merda no mais básico.
Todos estes defeitos
comprometem os programas de governo do PSOL para o Poder Executivo. Por isso,
muita gente que vota no PSOL sabe que as propostas são inviáveis e que os
candidatos não desejam realmente exercer o cargo para o qual concorrem, mas
vota no 50 como um gesto simbólico, acreditando que um bom resultado para o
PSOL pressiona o PT voltar mais para a esquerda. As exceções foram Marcelo
Freixo concorrendo a prefeitura do Rio de Janeiro e o ex-prefeito de Belém
Edmílson Rodriguez concorrendo novamente ao cargo em 2012. Os dois elaboraram
programa viável com intenção de concorrer de verdade.
Considero que Luciana
Genro está cometendo um erro quando defende uma nova constituinte. O Brasil atual
não tem sindicatos e movimentos sociais tão fortes quanto tinha em 1988. As
forças políticas reacionárias estão muito mais fortes hoje do que estavam
naquele tempo. Uma Assembleia Constituinte eleita nos dias atuais não
escreveria uma Carta com os mesmos direitos individuais, sociais e trabalhistas
presentes na de 1988. Seria criada uma República Teocrática Evangélica, que de
liberal só seria na economia.
Por outro lado, os
deputados do PSOL têm atuação muito boa. Aí, no Legislativo, meu voto começa
com 50 sem qualquer indício de dúvida. Como agora eu moro no Rio de Janeiro e
transferi meu título, minha dúvida em 2014 foi apenas entre Jean Wyllys e Chico
Alencar, os dois muito bons. Quase que precisei decidir na moedinha.
Se eu falei mal de partidos, quer dizer que eu odeio partidos, que partidos são ultrapassados, que política agora só dá para fazer com ação direta? Não, eu apenas estou insatisfeito com os partidos brasileiros na atualidade.
Na década de 1990, poderíamos dizer que era um luxo o brasileiro ter condição de escolher entre PT e PSDB. Eram dois partidos dois quais se podia falar bem. Muitos acreditaram que em 1994, escolher entre Fernando Henrique e Lula era escolher entre dois bons candidatos. O mesmo se podia falar em 2002, com Lula e Serra. Eu me lembro de que no meu primeiro voto para presidente, eu votei no Lula e não contra o Serra. Eu acreditava que se o Serra fosse eleito, também não seria ruim. Assim como muita gente que votou no Serra ficou com muita esperança de que o Lula pudesse fazer um bom governo.
Atualmente, é possível dizer que poder escolher entre PT e PSDB é uma desgraça. Um pouco porque os dois partidos pioraram, um pouco porque alguns defeitos desses partidos, que já existiam, vieram mais à tona.
O voto nulo em 2018 deve ser considerado como possibilidade. Sou contra campanhas por voto nulo em segundo turno, porque a neutralidade no momento torna-se impossível. Quem é de esquerda e prega o voto nulo ajuda o candidato de direita (porque só converte potenciais votos do candidato de esquerda em votos nulo) e quem é de direita e prega o voto nulo ajuda o candidato de esquerda. Por isso, é melhor que campanhas pelo voto nulo sejam feitas antes do primeiro turno.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Cientista político deixa evidente o que escrevi há pouco: impicheiros são golpistas sim
Muito elucidativa a entrevista do cientista político Carlos Pereira na Folha de S. Paulo de hoje. Ele é defensor do impeachment. E ao apontar os motivos, deixa claro que o impeachment da Dilma seria sim um golpe.
Quando questionado sobre qual é o crime de responsabilidade da Dilma que justifica o impeachment, a resposta é equivalente a um "hmmm, sei lá, ah, foda-se, tem que ter impeachment e ponto final".
E sobre o fato da Constituição brasileira dizer expressamente que impeachment é para crime de responsabilidade cometido durante a vigência do mandato, a resposta foi algo como "ah, mas o Ives Gandra disse que não precisa ser assim"
Link para a entrevista
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/08/1669557-apelar-a-moderacao-para-evitar-impeachment-e-erro-diz-pesquisador.shtml
Quando questionado sobre qual é o crime de responsabilidade da Dilma que justifica o impeachment, a resposta é equivalente a um "hmmm, sei lá, ah, foda-se, tem que ter impeachment e ponto final".
E sobre o fato da Constituição brasileira dizer expressamente que impeachment é para crime de responsabilidade cometido durante a vigência do mandato, a resposta foi algo como "ah, mas o Ives Gandra disse que não precisa ser assim"
Link para a entrevista
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/08/1669557-apelar-a-moderacao-para-evitar-impeachment-e-erro-diz-pesquisador.shtml
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