quarta-feira, 14 de abril de 2010

Serra copiou o slogan de Steinmeier e não de Obama




Ao contrário do que foi dito pelo Lula, o slogan de Serra não foi copiado de Obama. "Nosso país pode mais" é bem diferente de "sim, nós podemos". Na verdade, Serra copiou o slogan de Steinmeier, o candidato do Partido Social Democrata da Alemanha na eleição do ano passado.
O slogan do político alemão era "unser Land kann mehr". A tradução literal é "nosso país pode mais".
Mas isto não tem nada a ver com afinidade ideológica. Ao contrário da "social-democracia" brasileira, a social-democracia alemã usa a bandeira vermelha e conta com militância de sindicatos de trabalhadores. O SPD ocupa no espectro político alemão o mesmo espaço que o PT ocupa no espectro político brasileiro. O PSDB é mais parecido com o CDU. E o DEM com o FDP (aliás, os nomes de ambos são perfeitos).

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Guarani Futebol Clube completa 99 anos



Obviamente se comemora mais aniversários múltiplos de 10, porque a data fica mais redonda. Mas aniversários de dígitos repetidos também têm seu charme.

No dia 2 de abril de 1911, foi fundado o Guarani Futebol Clube.

Campeão Brasileiro de 1978, Campeão da Taça de Prata de 1981, Vice-Campeão Brasileiro de 1986 e 1987, Terceiro no Brasileiro de 1982 e 1994, Vice-Campeão Paulista de 1988, Semifinalista da Libertadores da América de 1979.

Hoje amarga uma péssima fase.

Mas nada impede de dar parabéns ao clube por causa de toda sua história. E parabéns ao torcedores, que não viraram casaca mesmo depois de tantos rebaixamentos. É um dos poucos clubes do interior do Brasil que não tem torcida mista. Quem é Bugre é Bugre. Raros são os bugre-gambá, bugre-porco e bugre-bambi.

Infelizmente não vai passar o ano do centenário simultaneamente nas divisões principais do Brasileiro e do Paulista. Mas estar na principal do Brasileiro é o mais importante.

Agora tem uma missão quase impossível contra o Santos na Copa do Brasil.

E no ano que vem, no dia do centenário, farei um post maior.

Alerta!!! Cuidado com os infiéis!!!

A notícia é velha: é da Sexta-Feira Santa de nove anos atrás. Mas resolvi postá-la para mostrar que essas inacreditáveis manchetes já existem há muito tempo.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u26880.shtml

13/04/2001 - 15h19
Presos rebelados fazem churrasco em plena Sexta-Feira Santa

MILENA BUOSIda Folha Online
Em plena Sexta-Feira Santa os detentos rebelados do Presídio de Carumbé, em Cuiabá, realizaram um churrasco na hora do almoço. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o churrasco ocorreu no pátio do presídio. Os detentos teriam usado carne levada por familiares e armazenadas em freezers que existem em algumas celas, já que a alimentação e a energia foram suspensas.A rebelião já dura cerca de 24 horas. Familiares dos detentos e 4 agentes penitenciários são mantidos como reféns. Entre os familiares estão 107 mulheres, 7 homens e aproximadamente 50 crianças. Não há informação de feridos.O tenente-coronel da PM Antônio Moraes e o deputado estadual Gilney Viana (PT), da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa estão negociando com o rebelados. Eles exigem revisão de penas e a saída do comandante da PM do presídio, Major Faria, e do diretor do presídio, Elpídio Onofre Claro, que assumiu o cargo há cerca de 20 dias, segundo a Secretaria da Segurança. A secretaria informou que o governo não irá transferir o comandante da PM nem o diretor. Um dos líderes da rebelião é José Carlos do Nascimento, o 'JC', que seria integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que liderou a megarrebelião em 29 unidades prisionais de São Paulo em 18 de fevereiro.JC foi transferido de um presídio do Paraná para Curitiba há cerca de três meses. Segundo a secretaria, ele é goiano e tem condenações no Paraná e em Goiás.Anteontem a polícia frustrou a fuga de JC e de outros presos com a descoberta de um túnel que estava sendo escavado.O presídio abriga 386 presos, mas tem capacidade para 260.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O 15-30-40 do tênis pode estar com dias contados

Pouco depois da ATP ter apresentado a proposta de mudança da contagem de pontos do tênis, uma grande comoção contra e a favor foi criada em blogs e comunidades virtuais de fãs, sendo a grande maioria deles contra.
Duas mudanças são previstas: a primeira delas, apenas cosmética, visa acabar com o bizarro sistema 15-30-40-... . Os pontos em cada game seriam contados 1-2-3, sendo o vencedor quem fizer quatro primeiro. Neste caso, fora a tradição perdida, nenhuma modificação na forma de jogar seria criada, pois mesmo no atual sistema, é necessário fazer no mínimo quatro pontos para fechar um game. A mudança mais radical seria a segunda: mesmo com um empate em três a três, quem fizer quatro primeiro ganharia o game, sem ter que fazer dois de diferença.
A principal motivação da mudança é atender ao pedido das redes de televisão. Com games de 20 minutos de duração, sets de uma hora e dez minutos de duração, e partidas de quatro horas de duração, estava difícil encaixar os jogos nas grades de programação. O mesmo já aconteceu com o vôlei, que teve que acabar com a regra da vantagem para poder ter as partidas com tempo de duração mais previsível.
A acessoria de imprensa da ATP informou que a mudança não descaracterizaria o jogo, uma vez que continua sendo impossível haver uma situação em que um ponto pode decidir o jogo para os dois lados. Para o tie-brake, continua sendo necessário o mínimo de dois pontos de diferença. E para os Grand Slam e a Copa Davis, o quinto set continua exigindo uma diferença mínima de dois games. A nota também informou que o fim do 15/0, 15/15 e 30/15 serviria para tornar o esporte mais acessível a leigos.
Muitos dos fãs que se horrorizaram com a possibilidade de existir estas mudanças desconfiam que substitur o 15-30-40 pelo 1-2-3 seria apenas um bode para posteriormente ser eliminado, manter o 15-30-40, e criar menor resistência para a outra mudança: terminar o game depois que um dos jogadores fizer ponto depois do 40/40.
A maioria dos tenistas do topo do ranking é completamente contra as mudanças. O único tenista que se posicionou a favor foi um posicionado entre o 50 e o 100, que não quis se identificar. Ele disse que entende que os fãs sejam contra, mas que o esporte não pode viver só de fanáticos. O dinheiro da televisão é importante, e a televisão dependeria de uma audiência mais ampla.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O PIB brasileiro e a seleção brasileira na Copa do Mundo

Uma relação muito curiosa pode ser captada pela observação do gráfico demonstrado a seguir, em que o eixo X representa a classificacação da seleção brasileira em cada Copa do Mundo e o eixo Y representa o crescimento do PIB brasileiro no ano de cada respectiva Copa.

Se forem desconsiderados quatro pontos - os anos de 1934, 1966, 1998 e 2002 - verifica-se uma relação quase linear entre o futebol e a economia do Brasil. Anos em que o Brasil teve bom desempenho na Copa do Mundo corresponderam a anos de elevado crescimento do PIB, e anos em que o Brasil teve desempenho ruim na Copa do Mundo corresponderam a taxas baixas e até mesmo negativas de crescimento do PIB.
Vale lembrar que o Brasil foi campeão do mundo durante o Plano de Metas (1958), milagre (1970) e Plano Real (1994); e teve grandes fracassos em 1982, quando houve a crise da dívida, e em 1990, quando houve o Plano Collor.
Como o brasileiro tem por divertimento falar mal da seleção brasileira e do governo, o gráfico mostra que há anos em que existem bons motivos para fazer ambos.
Os pontos fora da curva, por sua vez, podem ser utilizados para fazer uma conclusão provocativa: com FHC na cadeira de presidente, a economia brasileira patinou mesmo tendo sido o Brasil segundo e primeiro, respectivamente, nas copas que coincidiram com tal governo. Com Getúlio Vargas e Castello Branco, o Brasil teve elevadas taxas de crescimento, mesmo havendo desempenho pífio da seleção brasileira, que em ambas as vezes, foi eliminada na primeira fase.
A diferenca é que na era FHC foi possível, tranquilamente, falar mal da seleção e do governo. Durante a era Getulio Vargas e Castello Branco, era mais seguro falar mal apenas da seleção.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os 30 anos de PT

Por causa do aniversário com numero redondo, surgiram muitas reflexoes sobre a historia e os rumos do Partido dos Trabalhadores. Pretendo dar uma contribuição de uma forma simples: responderei a algumas críticas de esquerda usualmente feitas ao partido. Não pretendo responder as criticas de direita, porque pra mim, isto seria como tentar argumentar que a água é molhada.

"O PT faz política economica neoliberal porque isto faz parte do seu DNA: quando nasceu, deu pouca importancia a criação de uma bandeira nacional-popular, ao papel do Estado-Nação; e se focou em temas mais superficiais, como cidadania e inclusão social"
Quando o PT surgiu em 1980, isto não era uma questão a ocupar o primeiro posto na agenda de lutas. 50 anos antes da crição do PT, o Brasil deu início ao seu projeto nacional de desenvolvimento. Este projeto foi bem sucedido ao dotar um país de uma infra-estrutura de energia e transportes e um parque industrial moderno. Mas este projeto foi incapaz de acabar com a exclusão, a miséria, o analfabetismo, as doenças típicas do subdesenvolvimento, a favelização, o clientelismo. Era contra isso que o nascente partido teria que se insurgir. Além do mais, em 1980, o socialismo real (rejeitado desde o inicio pelo PT) estava em crise. Defender o super-Estado seria um anacronismo. Nos anos 90, quando o modelo desenvolvimentista estava sendo esfacelado, o partido passou enfatizar a importancia da preservação e adaptação do Estado desenvolvimentista, e agora no governo, o PT adotou um nacionalismo moderado, adaptado aos tempos atuais: basta ver o que está sendo feito com o BNDES, com o marco regulatorio da exploracão do pré-sal.

"O PT de antes era autentico, hoje o partido foi corrompido. O partido traiu seus ideais"
O PT de antes infantilmente se opos a politicas que beneficiaram o Brasil, como o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT de antes, tirando Porto Alegre, não durava mais de um mandato onde era eleito. Alguns dos políticos eleitos pelo PT nos anos 80 e 90 deixaram o partido, durante ou depois de seus mandatos. Hoje o índice de reeleição do PT é bastante alto.

"O PT era o partido da mudanca e hoje é o partido da ordem"
O PT é o partido da mudança dentro da ordem. O PT é um partido social-democrata, do tipo europeu, criado 100 anos depois. Nasceu radical e depois passou a defender a conciliação da economia de mercado com o Estado social, e a disputar o poder nas urnas. A diferenca é que o processo de institucionalização do partido brasileiro foi bem mais rapido. E mesmo dentro da ordem, o PT mudou onde governou: com os governos municipais, fez o orçamento participativo virar referencia mundial. No governo federal, ampliou os programas sociais, ampliou o acesso dos pobres a univesidade publica e privada, retomou a elaboração de documentos de política industrial. Algumas mudancas são irreversíveis, mesmo se o proximo presidente for de outro partido.

"O PT foi auxiliado pelos neoliberais para acabar com a verdadeira esquerda, representada pelo PDT do Brizola"
Brizola é uma figura respeitavel por seu passado. Mas seriam Jaime Lerner, Francisco Rossi e César Maia a verdadeira esquerda?

"O PT tem idéias antiquadas. Esquerda moderna é o Bono, o Al Gore e o Gabeira"
O PT tem o mérito de ser moderno em questoes como o aborto (tirando alguns militantes catolicos do partido), a homossexualidade, o Estado laico; e ainda assim, manter o voto dos pobres, supostamente conservadores nesses assuntos. Os esquerdistas admirados pelos "modernos", como Heloisa Helena e Marina Silva, são muito mais conservadores que o PT nessas questoes.


Me desculpem pelos acentos. Meu computador nao os tem. Resolvi parcialmente no Ctrl C + Ctrl V, mas sempre sobram alguns erros.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Há MENOS racismo na Europa do que alguns brasileiros pensam

Alguns brasileiros que nunca estiveram na Europa, não lêem jornais europeus e não conhecem europeus pessoalmente, podem pensar que existe mais racismo na Europa do que realmente existe. Forma-se este juizo através de uma ou outra nota na mídia, e no depoimento do cunhado do vizinho que tem um sobrinho morando na Europa.
Quando existem casos de intolerancia e xenofobia na Europa, a mídia cumpre sua obrigação de informar. Mas cabe ao leitor/telespectador um pouco de discerninmento para não tomar o exepcional como o ordinário.
O lugar onde mais se atribui a existência de racismo/xenofobia na Europa são as arenas esportivas. Isto porque em alguns campos de futebol, existem casos de vaias a jogadores de origem africana, torcida portando bandeiras com suástica (principalmente a da Lazio), e mesmo na Fórmula 1 na Espanha no ano passado, já houve uma bandeira de dizeres racistas a Lewis Hamilton. Mas casos isolados não demonstram um comportamento padrão do torcedor europeu. Já vi duas vezes jogos de futebol em estádio na Alemanha, um em cidade pequena, outro em Berlim. Nos dois jogos que eu vi, jogadores brasileiros pretos marcaram gols, foram muito aplaudidos, e não houve uma manifestação racista sequer. Mesmo quando existem manifestaçoes racistas, não se pode tirar conclusoes de que se trata de um comportamento coletivo, uma vez que dentre 50000 pessoas, há uma grande possibilidade de existir um ou outro racista. A tolerancia da maioria com imigrantes e descendentes também existe em outros esportes. No Aberto de Paris do ano passado, o tenista Gael Monfils contou com o apoio de toda a torcida local, que portava bandeiras tricolores da França.
Na política, também se verifica que o racismo/xenofobia está bem longe de ser o padrão. Sarkozi, tido por alguns críticos como hostil a estrangeiros, tem uma ministra de origem árabe e outra de origem africana. A proporção de descendentes de estrangeiros no governo, portanto, se aproxima da proporção desses na população francesa. Na Alemanha, há um filho de turcos liderando o Partido Verde. E um político preto, filho de angolanos, no CDU (partido conservador) do estado da Turingia. Militantes do NPD (partido de orientação neonazista) chegaram a chamar este politico de Quotenneger. Mas o partido conta com o apoio de menos de 5% do eleitorado.
Em alguns países, os partidos de extrema-direita ocasionalmente conseguem mais que 20% dos votos, e muitas vezes, isto é voto de protesto e hostilidade contra a União Europeia. Mas em situação normal, a extrema-direita conta o apoio de menos de 10% do eleitorado.
Nesta semana, houve os tradicionais eventos em Dresden para relembrar o desnecessário bombardeio aliado em 1945 que matou milhares de civis. Como sempre, neonazistas aproveitam a ocasião para fazer suas marchas. Mas neste ano, houve uma grande contra-marcha, de repúdio aos neonazistas.
Alguns brasileiros formam juízos sobre o suposto racismo/xenofobia da Europa baseados em histórias de parentes/amigos que tiveram dificuldade de adaptação. Mas a verdade é que a maioria dos brasileiros que eu conheço que estudam ou trabalham na Europa ou já fizeram isso (incluindo eu) não passam por problema algum neste sentido. As vezes, a dificuldade de adaptação dos que reclamam pode estar relacionada a problemas da própria pessoa: incapacidade ou falta de vontade de viver de acordo com os costumes do país onde reside. Não sei como é nos demais paises, mas na Alemanha, os locais não costumam ver com bons olhos os estrangeiros que não observam os hábitos locais, como por exemplo, a pontualidade, a disciplina no trabalho, e o respeito a privacidade alheia. Porém, eles gostam menos ainda dos locais que não respeitam os costumes locais.
Se forem se basear apenas em impressoes, os europeus poderiam pensar que existe racismo no Brasil. Os não-brancos são metade da população brasileira, e em nenhum governo, eles foram metade do total de ministros.