Em 1 de maio de 2010 eu escrevi:
Alguém poderia ... dizer ... que a tendência mais natural prevista pelas leis econômicas seria a de convergência entre o PIB per capita da Europa Ocidental e o dos EUA, que estava ocorrendo de 1950 a 1980, e que a estagnação na faixa dos 70 ou 80% ocorrida deste então seria prova de fraqueza do modelo europeu continental.
Mas a verdade é que a diferença entre o PIB per capita dos EUA e o da Europa Ocidental é em sua maior parte explicada pelo maior número de horas trabalhadas nos EUA: os norte-americanos começam a trabalhar mais cedo, trabalham mais horas por semana, têm férias mais curtas e se aposentam mais tarde. A diferença de produtividade por hora trabalhada do norte-americano e do europeu ocidental é bastante pequena. Ou seja, o PIB per capita superior dos EUA não implica qualidade de vida superior. Trata-se de uma escolha social entre consumo e lazer. Os norte americanos preferem ter mais consumo, os europeus ocidentais preferem ter mais lazer. Consumo e lazer são indicadores indispensáveis do nível de qualidade de vida. E o PIB só mede consumo.
http://blogdomarcelobrito.blogspot.com/2010/05/verdades-inquestionadas-questionaveis-i.html
Em 28 de janeiro de 2011, Paul Krugman escreveu
So, here are some ratios of France to the United States:
GDP per capita: 0.731
GDP per hour worked: 0.988
Employment as a share of population: 0.837
Hours per worker: 0.884
So French workers are roughly as productive as US workers. But fewer Frenchmen and women are working, and when they work, they work fewer hours.
Why are fewer Frenchmen working? As I’ve pointed out, during prime working years they’re as likely to work as Americans. But fewer young people work (in part because of more generous college aid); and, mainly, the French retire earlier. The latter is arguably the result of misguided policies: Mitterand made early retirement alarmingly attractive. But it’s not a problem of weak productivity or mass unemployment.
And why do the French work shorter hours? Probably for the most part because of government policies mandating vacation time.
The bottom line is that France is a society with the same level of technology and productivity as the US, but one that has made different choices about retirement and leisure. Vive la difference!
http://krugman.blogs.nytimes.com/2011/01/28/gdp-per-capita-here-and-there/
sábado, 29 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Honduras poderá mudar a lei para permitir a reeleição
Bom texto de Bruno Ribeiro sobre o assunto, publicado no blog de Rodrigo Vianna.
http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/o-vexame-dos-brasileiros-que-defenderam-o-golpe-em-honduras.html#more-6141
O vexame dos brasileiros que defenderam o golpe em Honduras
por Bruno Ribeiro, no blog A Trincheira
Se tivéssemos uma imprensa séria e profissional de verdade no país, determinados “comentaristas políticos” já teriam sido despachados e as empresas que eles trabalham veiculariam desculpas públicas pelas asneiras que disseram ou escreveram. Como não são e ainda duvidam da inteligência de quem os lê, vê e ouve, fica tudo por isso mesmo e quem falou ou escreveu a sandice continua ocupando espaço, ignorando solenemente a necessidade de se explicar ao distinto público.
Poderia citar aqui vários jornalistas e comentaristas que usaram os mesmíssimos argumentos, e isso mostra como a maioria reza pela mesma cartilha, mas dentre todos os entoadores de mantra ninguém defendeu o golpe em Honduras com mais paixão e afinco do que Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor.
Quando em 2009 os milicos tomaram o poder em Honduras, expulsando o presidente eleito legitimamente, a opinião pública internacional condenou de imediato. O comportamento da imprensa nacional foi esquizofrênico, fazendo eco a princípio com a reação internacional, mas logo em seguida mudando lentamente de posição, até defender abertamente a “legalidade” de um vergonhoso golpe de estado.
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http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/o-vexame-dos-brasileiros-que-defenderam-o-golpe-em-honduras.html#more-6141
O vexame dos brasileiros que defenderam o golpe em Honduras
por Bruno Ribeiro, no blog A Trincheira
Se tivéssemos uma imprensa séria e profissional de verdade no país, determinados “comentaristas políticos” já teriam sido despachados e as empresas que eles trabalham veiculariam desculpas públicas pelas asneiras que disseram ou escreveram. Como não são e ainda duvidam da inteligência de quem os lê, vê e ouve, fica tudo por isso mesmo e quem falou ou escreveu a sandice continua ocupando espaço, ignorando solenemente a necessidade de se explicar ao distinto público.
Poderia citar aqui vários jornalistas e comentaristas que usaram os mesmíssimos argumentos, e isso mostra como a maioria reza pela mesma cartilha, mas dentre todos os entoadores de mantra ninguém defendeu o golpe em Honduras com mais paixão e afinco do que Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor.
Quando em 2009 os milicos tomaram o poder em Honduras, expulsando o presidente eleito legitimamente, a opinião pública internacional condenou de imediato. O comportamento da imprensa nacional foi esquizofrênico, fazendo eco a princípio com a reação internacional, mas logo em seguida mudando lentamente de posição, até defender abertamente a “legalidade” de um vergonhoso golpe de estado.
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Feminismo e Prostituição
A prostituição é um tema que divide opiniões não apenas entre conservadores e progressistas, mas também dentro do campo progressista.É muito lúcida a visão da feminista Martha Nussbaum a respeito da prostituição. Para ela, a prostituição não é um mal que deve ser extirpado, e sim um trabalho remunerado que deve ser respeitado. O que deve ser eliminado é o estigma da prostituição e a falta de oportunidades que muitas mulheres pobres têm para escolher outros ofícios. A criminalização da prostituição, além de eliminar uma das poucas formas de sustento disponíveis para muitas mulheres pobres sem instrução, ainda dificulta o estabelecimento de normas de segurança e higiene para este trabalho.
Nussbaum considera que não há motivos racionais para defender a criminalização da prostituição consensual de mulheres adultas. Poderia se argumentar que muitas vezes a prostituição não é consensual porque as mulheres teriam sido “forçadas” a venderem seus corpos devido à situação social. Mas se for pensar nesta forma, quase todos os ofícios remunerados são “forçados” porque as pessoas precisam trabalhar para se sustentarem. E tendo em vista que todos os trabalhos são executados com o corpo, mesmo os mentais, todas as pessoas que exercem trabalho remunerado “vendem seus corpos”.
De acordo com a autora, as características da prostituição podem ser encontradas em vários outros ofícios. A operária, assim como a prostituta, geralmente ganha baixos salários e está submetida a riscos à saúde. A empregada doméstica, assim como a prostituta, ganha baixos salários, é obrigada a realizar uma sequência de tarefas listada pelo cliente e sofre com o estigma. A cantora de casa noturna, assim como a prostituta, usa o corpo para provocar prazer. A massagista, mesmo aquela cuja atividade nada tem a ver com sexo, proporciona prazer ao cliente através do contato corporal. A voluntária de testes de equipamentos médicos, assim como a prostituta, tem suas partes íntimas penetradas. O lutador de boxe, assim como a prostituta, está exposto a riscos à saúde. E ninguém sugere tornar ilegais as profissões mencionadas.
Para Nussbaum, as principais causas do preconceito contra a prostituição sãoduas: a aversão ao sexo sem fins reprodutivos e a repulsa à remuneração em algumas ocupações. No passado distante, cantores e atores remunerados eram considerados pervertidos. No passado não muito distante, o esporte profissional não era tolerado. Hoje, considera-se normal uma pessoa ganhar o pão de cada dia através da música, do teatro ou do esporte. É possível que no futuro, seja plenamente respeitada a pessoa que ganha o pão de cada dia através do sexo.
A posição de Martha Nussbaum sobre a prostituição é em grande parte compartilhada por Levitt e Dubner, autores do Superfreakonomics. Os dois autores consideram que a situação das prostitutas nos Estados Unidos era melhor antes da criminalização e que policiais aproveitam a criminalização para fazer sexo gratuito com prostitutas, em troca da vista grossa. A única diferença entre Nussbaum e Levitt e Dubner é que enquanto ela é contra a cafetinagem, eles pensam que tal prática melhora a condição de trabalho das prostitutas.
Entre os partidários do banimento da prostituição estão não apenas reacionários, por causa dos preconceitos mencionados anteriormente, mas também algumas feministas, por motivos diferentes. Estas feministas consideram a prostituição uma forma de subordinação da mulher ao homem. Trata-se de uma visão equivocada querer coibir a prostituição por causa disso, porque não se combate uma causa pelo seu efeito. Além disso, a prostituição ilegal seria uma submissão muito maior do que um contrato legal. Estas mesmas feministas geralmente têm objeções também à pornografia.
Impedir uma mulher adulta de por vontade própria fazer sexo em troca de dinheiro ou posar nua em cenas picantes para fotos em troca de dinheiro seria impedir uma mulher de ser dona do próprio corpo.
No Brasil, a prostituição felizmente não é criminalizada, e infelizmente não é reconhecida legalmente como um ofício igual qualquer outro.
Nussbaum considera que não há motivos racionais para defender a criminalização da prostituição consensual de mulheres adultas. Poderia se argumentar que muitas vezes a prostituição não é consensual porque as mulheres teriam sido “forçadas” a venderem seus corpos devido à situação social. Mas se for pensar nesta forma, quase todos os ofícios remunerados são “forçados” porque as pessoas precisam trabalhar para se sustentarem. E tendo em vista que todos os trabalhos são executados com o corpo, mesmo os mentais, todas as pessoas que exercem trabalho remunerado “vendem seus corpos”.
De acordo com a autora, as características da prostituição podem ser encontradas em vários outros ofícios. A operária, assim como a prostituta, geralmente ganha baixos salários e está submetida a riscos à saúde. A empregada doméstica, assim como a prostituta, ganha baixos salários, é obrigada a realizar uma sequência de tarefas listada pelo cliente e sofre com o estigma. A cantora de casa noturna, assim como a prostituta, usa o corpo para provocar prazer. A massagista, mesmo aquela cuja atividade nada tem a ver com sexo, proporciona prazer ao cliente através do contato corporal. A voluntária de testes de equipamentos médicos, assim como a prostituta, tem suas partes íntimas penetradas. O lutador de boxe, assim como a prostituta, está exposto a riscos à saúde. E ninguém sugere tornar ilegais as profissões mencionadas.
Para Nussbaum, as principais causas do preconceito contra a prostituição sãoduas: a aversão ao sexo sem fins reprodutivos e a repulsa à remuneração em algumas ocupações. No passado distante, cantores e atores remunerados eram considerados pervertidos. No passado não muito distante, o esporte profissional não era tolerado. Hoje, considera-se normal uma pessoa ganhar o pão de cada dia através da música, do teatro ou do esporte. É possível que no futuro, seja plenamente respeitada a pessoa que ganha o pão de cada dia através do sexo.
A posição de Martha Nussbaum sobre a prostituição é em grande parte compartilhada por Levitt e Dubner, autores do Superfreakonomics. Os dois autores consideram que a situação das prostitutas nos Estados Unidos era melhor antes da criminalização e que policiais aproveitam a criminalização para fazer sexo gratuito com prostitutas, em troca da vista grossa. A única diferença entre Nussbaum e Levitt e Dubner é que enquanto ela é contra a cafetinagem, eles pensam que tal prática melhora a condição de trabalho das prostitutas.
Entre os partidários do banimento da prostituição estão não apenas reacionários, por causa dos preconceitos mencionados anteriormente, mas também algumas feministas, por motivos diferentes. Estas feministas consideram a prostituição uma forma de subordinação da mulher ao homem. Trata-se de uma visão equivocada querer coibir a prostituição por causa disso, porque não se combate uma causa pelo seu efeito. Além disso, a prostituição ilegal seria uma submissão muito maior do que um contrato legal. Estas mesmas feministas geralmente têm objeções também à pornografia.
Impedir uma mulher adulta de por vontade própria fazer sexo em troca de dinheiro ou posar nua em cenas picantes para fotos em troca de dinheiro seria impedir uma mulher de ser dona do próprio corpo.
No Brasil, a prostituição felizmente não é criminalizada, e infelizmente não é reconhecida legalmente como um ofício igual qualquer outro.
Os recursos naturais e o limite ao crescimento do PIB
O limite que o estoque limitado de alguns recursos naturais existentes no Planeta Terra impõe ao crescimento do PIB mundial não deve ser interpretado de forma muito rígida. Não é possível dizer que para o PIB mundial crescer X%, o consumo de determinado recurso tem que crescer X%.
Por dois motivos: primeiro, o progresso técnico permite reduzir a quantidade de recursos naturais para produzir bens materiais. Segundo, o PIB não é composto apenas por bens materiais, aqueles que a gente pode pegar e apalpar. E a participação de bens não materiais no PIB é cada vez maior.
É possível demonstrar isso em um exemplo bastante simples: o país A produz cadernos, o país B produz livros. A quantidade de cadernos produzidos pelo país A é igual à quantidade de livros produzidos pelo país B. A área das folhas dos cadernos e dos livros é igual. A quantidade de folhas também é igual. Portanto, as duas economias utilizam a mesma quantidade de recursos naturais (tudo bem, a economia do país B gasta um pouco mais de matéria-prima necessária para fabricar tinta). Mas como os livros têm trabalho intelectual, o valor agregado dos livros é maior, e dessa forma, o PIB do país B é maior que o PIB do país A. Se a economia do país A se converter em uma economia igual à do país B, o país A terá tido um crescimento do PIB sem crescimento do consumo de recursos naturais (apenas aquele necessário para produzir um pouco mais de tinta). Para demonstrar a mesma ideia, outro exemplo utilizado poderia ter sido de um país C, que produz CDs graváveis, e um país D, que produz CDs de música.
Foram apenas exemplos simples. Mas ilustram o que ocorre no mundo real. O crescimento da participação do PIB não apalpável no PIB total permite que o PIB aumente mais do que o consumo de recursos naturais.
Pela tabela acima, é possível perceber que entre 1990 e 2006, o PIB mundial cresceu mais do que o consumo de diversas formas de energia.
Portanto, os limites ao crescimento impostos pela limitação do estoque de recursos naturais não deve ser interpretado de forma tão aterrorizadora.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Não sabia que o tecido social brasileiro tinha "estamentos"
Escreveu o deputado Otavio Leite, do PSDB-RJ
Navegar é preciso. Foram-se as eleições de 2010, com nossas derrotas e vitórias — que deixaram importantes lições — a indicar qual o nosso ponto de partida para a construção do futuro. Vale, portanto, uma reflexão para traçarmos metas e estratégias.
Inicialmente é preciso compreender a outra face dos 44% obtidos no segundo turno presidencial. Pois, se é certo que apontam um peso substancial do eleitorado (vide estamentos mais informados e autônomos em todo o tecido social), por outro lado, representam o que tem sido o nosso "teto", e, por mais eloquente que seja, ele é, e será sempre, insuficiente para a vitória.
http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2011/01/06/o-futuro-do-psdb-354806.asp
Definição de "estamento" na Wikipedia
Constitui uma forma de estratificação social com camadas sociais mais fechadas do que as classes sociais, e mais abertas do que as castas (tipo de estratificação ainda presente em algumas sociedades, como na Índia, segundo a qual o indivíduo desde o nascimento está obrigado a seguir um estilo de vida predeterminado), reconhecidas por lei e geralmente ligadas ao conceito de honra. Historicamente, os estamentos caracterizaram a sociedade feudal durante a Idade Média.
Na obra de Max Weber, o conceito de estamento é ampliado. Passa a significar não propriamente um corpo homogêneo estratificado, mas sim uma certa teia de relacionamentos que constitui um determinado poder e influi em determinado campo de atividade.
Podemos afirmar que, no estamento, cada estrato deve obedecer leis diferenciadas. Por exemplo, na sociedade feudal os direitos e deveres de um nobre eram diferentes dos direitos e deveres de um servo. E, embora a lei não preveja a mudança de status social, ela também não a torna impossível, como na casta. Por exemplo, um servo pode se tornar um pequeno comerciante ou um membro do clero. Isso dá ao sistema de estamentos uma mobilidade social maior do que nas castas, mas não tão alta quanto nas classes sociais, onde todos, em teoria, são iguais perante a lei.(carece de fontes)
Nas palavras de Raimundo Faoro: "O estamento burocrático comanda o ramo civil e militar da administração e, dessa base, com aparelhamento próprio, invade e dirige a esfera econômica, política e financeira. No campo econômico, as medidas postas em prática, que ultrapassam a regulamentaçao formal da ideologia liberal, alcançam desde as prescrições financeiras e monetárias até a gestão direta das empresas, passando pelo regime das concessões estatais e das ordenações sobre o trabalho. Atuar diretamente ou mediante incentivos serão técnicas desenvolvidas dentro de um só escopo. Nas suas relações com a sociedade, o estamento diretor provê acerca das oportunidades de ascensão política, ora dispensando prestígio, ora reprimindo transtornos sediciosos, que buscam romper o esquema de controle".
Seria um wishful thinking?
Navegar é preciso. Foram-se as eleições de 2010, com nossas derrotas e vitórias — que deixaram importantes lições — a indicar qual o nosso ponto de partida para a construção do futuro. Vale, portanto, uma reflexão para traçarmos metas e estratégias.
Inicialmente é preciso compreender a outra face dos 44% obtidos no segundo turno presidencial. Pois, se é certo que apontam um peso substancial do eleitorado (vide estamentos mais informados e autônomos em todo o tecido social), por outro lado, representam o que tem sido o nosso "teto", e, por mais eloquente que seja, ele é, e será sempre, insuficiente para a vitória.
http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2011/01/06/o-futuro-do-psdb-354806.asp
Definição de "estamento" na Wikipedia
Constitui uma forma de estratificação social com camadas sociais mais fechadas do que as classes sociais, e mais abertas do que as castas (tipo de estratificação ainda presente em algumas sociedades, como na Índia, segundo a qual o indivíduo desde o nascimento está obrigado a seguir um estilo de vida predeterminado), reconhecidas por lei e geralmente ligadas ao conceito de honra. Historicamente, os estamentos caracterizaram a sociedade feudal durante a Idade Média.
Na obra de Max Weber, o conceito de estamento é ampliado. Passa a significar não propriamente um corpo homogêneo estratificado, mas sim uma certa teia de relacionamentos que constitui um determinado poder e influi em determinado campo de atividade.
Podemos afirmar que, no estamento, cada estrato deve obedecer leis diferenciadas. Por exemplo, na sociedade feudal os direitos e deveres de um nobre eram diferentes dos direitos e deveres de um servo. E, embora a lei não preveja a mudança de status social, ela também não a torna impossível, como na casta. Por exemplo, um servo pode se tornar um pequeno comerciante ou um membro do clero. Isso dá ao sistema de estamentos uma mobilidade social maior do que nas castas, mas não tão alta quanto nas classes sociais, onde todos, em teoria, são iguais perante a lei.(carece de fontes)
Nas palavras de Raimundo Faoro: "O estamento burocrático comanda o ramo civil e militar da administração e, dessa base, com aparelhamento próprio, invade e dirige a esfera econômica, política e financeira. No campo econômico, as medidas postas em prática, que ultrapassam a regulamentaçao formal da ideologia liberal, alcançam desde as prescrições financeiras e monetárias até a gestão direta das empresas, passando pelo regime das concessões estatais e das ordenações sobre o trabalho. Atuar diretamente ou mediante incentivos serão técnicas desenvolvidas dentro de um só escopo. Nas suas relações com a sociedade, o estamento diretor provê acerca das oportunidades de ascensão política, ora dispensando prestígio, ora reprimindo transtornos sediciosos, que buscam romper o esquema de controle".
Seria um wishful thinking?
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Comentário sobre os cartazes da campanha dos ônibus ateus

A notícia deve ser conhecida, portanto, dispensa maiores explicações. A ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) decidiu fazer uma campanha contra o preconceito em relação aos ateus. Para isso, comprou o espaço dos ônibus urbanos de Salvador e Porto Alegre para colocar cartazes de propaganda. Porém, as empresas de transporte público das duas cidades recusaram ceder o espaço para a divulgação da campanha.
A iniciativa foi muito boa. Porém, dos quatro cartazes, apenas um deles cumpre o papel em transmitir uma mensagem correta, respeitosa, que não dá margem a interpretações equivocadas, e que ajuda a abrir a mente de quem não tolera pessoas que não acreditam em dogmas religiosos. Este cartaz é o "somos todos ateus com os deuses dos outros". Os outros três apresentam diversos problemas.
O "religião não define caráter" carrega uma mensagem correta. Pessoas religiosas não são nem melhores nem piores do que pessoas não religiosas. O objetivo da escolha de Chaplin e Hitler para ilustrar a campanha não é mostrar que acreditar em Deus torna as pessoas ruins, mas que acreditar em Deus não torna as pessoas necessariamente boas e não acreditar não as torna necessariamente ruins. Embora correta, a mensagem é mal divulgada, por três motivos: em primeiro lugar, observadores poderim interpretar erroneamente que o objetivo do anunciante foi demonstrar que religião criaria Hitlers e ateísmo criaria Chaplins. Em segundo lugar, muita gente acha equivocadamente que Hitler era ateu. Um Torquemada, um Franco, um Khomeini ou um Bin Laden criariam menos problemas de entendimento. Em terceiro lugar, a Lei de Godovin.
O "se Deus existe, tudo é permitido" não faz sentido. Não apenas quem não acredita, mas a grande maioria das pessoas que acreditam em Deus consideraram o atentado ao World Trade Center uma monstruosidade. A foto do atentado faria mais sentido com os dizeres "se a fé fosse sempre boa, atrocidades não seriam cometidas em nome dela".
O "a fé não dá respostas, só impede perguntas" ficou muito espalhafatoso com a foto da grade de uma prisão. Em vez de estimular a tolerância, estimula o conflito.
Conforme dito anteriormente, o "somos todos ateus com os deuses dos outros" ficou ótimo. É um convite à reflexão. A maioria das pessoas que acredita em Deus nos dias de hoje acredita em um Deus específico: no Deus descrito pelas três grandes religiões monoteístas. Quase ninguém acredita nos deuses dos egípcios antigos, dos gregos antigos, dos africanos, dos indianos, dos ameríndios. Durante muito tempo, crianças que pertenceram a estes respectivos povos aprenderam desde cedo a acreditar em seus respectivos deuses. Hoje quase todos nós não acreditamos em nenhum destes deuses. Por que o Deus no qual fomos educados a acreditar desde crianças tem necessariamente que existir? O que acharíamos se os mencionados povos nos considerassem pessoas sem moral ou sem caráter somente porque não acreditamos nos deuses deles?
domingo, 9 de janeiro de 2011
Valeu, Ricardo Mello!
O tenista campineiro e bugrino venceu pela quarta vez (terceira consecutiva) o Aberto de São Paulo.
Vamos esperar que neste ano ele se aproxime do número 50 do ranking da ATP.
Vamos esperar que neste ano ele se aproxime do número 50 do ranking da ATP.
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