terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Texto sobre o Bolsa Família

Na semana passada, saiu uma boa reportagem sobre o programa bolsa família na revista inglesa The Economist. Vale a pena ler http://www.economist.com/world/la/displaystory.cfm?story_id=10650663
A matéria diz que a experiência pioneira foi no México, com o Oportunidad, se espalhou pela América Latina, chegou a Nova York e vai ser implementado no Egito. Em seguida, é explicado o funcionamento do programa no Brasil, e depois, seus efeitos são destacados. Os principais são o aumento da freqüência escola e o alívio da situação de miséria absoluta de uma grande parcela da população brasileira, com uma modesta quantia de dinheiro gasta. Também destaca o fato do programa ser continuação do Bolsa Escola, implementado pelo governo anterior. A revista ainda apresenta as críticas ao programa, sem, porém, aderir a elas.
Programas de transferência direta de renda, como o Bolsa Família, são inofensivos para quase todas as correntes de pensamento econômico. Socialistas (moderados, é claro) gostam porque existe redistribuição de renda. Liberais gostam porque isto é feito com parcela pequena do orçamento e ainda por cima, o programa não cria distorções no sistema de preços relativos. Vale lembrar que The Economist é uma revista liberal no bom e no mau sentido.
Outro ponto importante destacado pela matéria é que a globalização facilita a difusão de boas idéias, no caso mencionado, programas sociais baseado em transferência direta de renda. Eu já havia presenciado isso no meu ambiente globalizado que é minha sala de aula. Meu professor de Introdução às Políticas Públicas, que morou no México, apresentou um caso a ser discutido sobre a implementação do Oportunidad. Além da discussão de casos, a aula conta com trabalhos individuais em que cada aluno escreve sobre um problema de seu país. Minha colega turca se propôs a falar sobre meninas da parte asiática da Turquia que não freqüentam a escola ou por extrama pobreza, ou por preconceitos culturais. Meu professor disse que uma simples e boa política a ser implementada é o governo pagar uma bolsa a cada família pobre com a condição de que as crianças freqüentem a escola, sendo maior o valor para meninas do que para meninos.
Enquanto isso no Brasil, tem gente com a convicção de que quem recebe o Bolsa Família é vagabundo e que a finalidade do programa é comprar votos. A maior tragédia não é este tipo de opinião em si, mas a preguiça de pensar, que faz pessoas repetirem idéias sem qualquer exame crítico. E como se resolveria este problema, investindo em educação? Não, não adianta. Os papagaios (ou ovelhas) do "Bolsa Família é pra comprar voto de vagabundo" pertencem à parcela mais instruída da população brasileira. Quase todos eles têm "deproma".

Um comentário:

Zé Ricardo M. disse...

Eu concordo com você.

Só tenho duas pequenas objeções:
1. Acho que algumas pequenas correções ao programa seriam bem-vindas. Entre elas, uma contrapartida maior de quem recebe

2. Existe um efeito voto sim no Bolsa-Família, Marcelo. É muito difícil não existir, já que antes as pessoas não recebiam essa quantia. Entretanto, concordo que o programa não é "eleitoreiro". Isto é, ele não foi feito para angariar votos, mas sim para tentar corrigir a principal deficiência da economia brasileira hoje, isto é, a distribuição de renda.

No mais, concordo com você. Aliás, até o FMI concorda nessa com você (risos)

Abraços
e divirta-se aí na Alemanha