http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/05/03/correcao-serra-nao-comparou-fumantes-ateus-diz-agencia-rbs-916485902.asp
Eu sei que a imprensa de vez em quando distorce o que os políticos dizem. Por isso que quando uma reportagem diz "fulano disse isso", eu procuro no corpo do texto da reportagem as aspas para saber o que fulano realmente disse, sem as interpretações.
Mas eu acreditei na notícia original porque a suposta fala de José Serra estava justamente nas aspas, como se a fala tivesse sido aquela, sem edições e interpretações.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Verdades inquestionadas questionáveis II: Margaret Thatcher e a prosperidade britânica
À ex-primeira ministra Margaret Thatcher costumam ser atribuídos os méritos da recuperação do status de superpotência do Reino Unido nas três recentes décadas.
A verdade é: quando Thatcher assumiu o governo em 1979, o Reino Unido tinha PIB per capita inferior ao da França e ao da Alemanha (observe o gráfico). Em 1990, quando Thatcher deixou o governo ..., ... o Reino Unido continuou tendo PIB per capita inferior ao da França e ao da Alemanha. As ultrapassagens ocorreram durante os governos de John Major e Tony Blair.

A verdade é: quando Thatcher assumiu o governo em 1979, o Reino Unido tinha PIB per capita inferior ao da França e ao da Alemanha (observe o gráfico). Em 1990, quando Thatcher deixou o governo ..., ... o Reino Unido continuou tendo PIB per capita inferior ao da França e ao da Alemanha. As ultrapassagens ocorreram durante os governos de John Major e Tony Blair.
Seria possível argumentar que o bom desempenho da economia britânica durante os governos de John Major e Tony Blair se deveu às reformas realizadas por Thatcher. Pode até ser verdade. Mas aí precisa ser lembrado um fato: outros países europeus como Espanha, Irlanda, Áustria, Holanda, Noruega, Suécia e Finlândia também tiveram ótimo desempenho econômico entre 1994 e 2007 (veja post). Perguntas que devem ser feitas são as seguintes: quem governou estes países nos anos 80? Quais políticas destes governantes permitiram o crescimento econômico destes países em período posterior? Estas políticas foram semelhantes às adotadas pelo Reino Unido? As políticas adotadas pelo Reino Unido nos anos 80 eram as únicas que poderiam ter levado à prosperidade?
Outro fato a ser lembrado: o crescimento econômico britânico foi mantido ininterruptamente durante o governo trabalhista por mais de 10 anos, desde sua posse em 1997 até a eclosão da crise mundial em 2008. Tony Blair e Gordon Brown mantiveram algumas políticas da era Thatcher, mas modificaram outras. A idéia de que Tony Blair foi simplesmente um conservador infiltrado no partido rival é mais adequada para compor textos panfletários de direita e de extrema esquerda do que para explicar a história verídica. Tony Blair imitou um conservador somente na política em relação ao Iraque.
sábado, 1 de maio de 2010
Verdades inquestionadas questionáveis I: a estagnação da Europa
É muito comum vermos jornais de economia e business dizendo que, nos últimos 30 anos, a economia da Europa Ocidental Continental encontra-se estagnada em comparação com as economias dos países de língua inglesa, e que os culpados pela suposta estagnação seriam a exessiva regulação do mercado de trabalho, o Estado de Bem Estar Social generoso demais e o imposto de renda muito alto para os ricos. Os defensores desta visão costumam dizer que a Europa Ocidental Continental deveria fazer reformas inspiradas no mundo anglo-saxão para incentivar mais a competição e o trabalho.
Seria possível utilizar muitas linhas para dizer que há outros fatores que explicam o maior crescimento das economias de países de língua inglesa, principalmente dos EUA, em comparação com alguns países europeus continentais, e também seria possível facilmente argumentar que o diferencial de crescimento do produto não implica diferencial de crescimento de qualidade de vida.
Mas para contrapor o argumento de que a Europa não pode manter o modelo do Estado Social e da economia social de mercado, há uma evidência ainda mais fácil de ser encontrada: o maior crescimento da economia do mundo anglo-saxão, principalmente dos EUA, não é tão relevante assim. Basta observar dados facilmente disponíveis.
A tabela a seguir mostra a relação entre o PIB per capita de cada um dos países que compuseram a União Européia em seu início e o PIB per capita dos EUA, em 1980 e em 2009. O gráfico mostra a evolução ano a ano desta relação para alguns países selecionados.
Lembrando que entre 1980 e 2009, o PIB per capita dos EUA cresceu aproximadamente 2% ao ano.
Relação PIB per capita do país obervado/PIB per capita dos EUA
Fonte: IMF World Economic Outlook Database
Evolução da relação PIB per capita do país selecionado/PIB per capita dos EUA
É possível observar pela tabela que o aumento da distância com o PIB per capita dos EUA(chamado de falling-behind) é um fenômeno restrito aos três grandes países da Europa Ocidental Continental: Alemanha, França e Itália. E mesmo na Alemanha, cuja relação caiu apenas sete pontos percentuais em três décadas, o falling-behind não é tão acentuado. Sete pontos podem ser revertidos em muito menos do que trinta anos e já estavam sendo revertidos, lentamente, entre 2006 e 2008. Porém a Alemanha foi muito mais duramente atingida pela crise do que os EUA (ver gráfico). E isto não tem a ver com o seguro-desemprego ou o maior gasto social, até porque o crescimento do desemprego nos EUA foi maior. A economia da Alemanha caiu mais que a dos Estados Unidos, porque é mais manufatureira e portanto, mais exposta ao comércio internacional.
Seria possível utilizar muitas linhas para dizer que há outros fatores que explicam o maior crescimento das economias de países de língua inglesa, principalmente dos EUA, em comparação com alguns países europeus continentais, e também seria possível facilmente argumentar que o diferencial de crescimento do produto não implica diferencial de crescimento de qualidade de vida.
Mas para contrapor o argumento de que a Europa não pode manter o modelo do Estado Social e da economia social de mercado, há uma evidência ainda mais fácil de ser encontrada: o maior crescimento da economia do mundo anglo-saxão, principalmente dos EUA, não é tão relevante assim. Basta observar dados facilmente disponíveis.
A tabela a seguir mostra a relação entre o PIB per capita de cada um dos países que compuseram a União Européia em seu início e o PIB per capita dos EUA, em 1980 e em 2009. O gráfico mostra a evolução ano a ano desta relação para alguns países selecionados.
Lembrando que entre 1980 e 2009, o PIB per capita dos EUA cresceu aproximadamente 2% ao ano.
Relação PIB per capita do país obervado/PIB per capita dos EUA
Fonte: IMF World Economic Outlook Database
Evolução da relação PIB per capita do país selecionado/PIB per capita dos EUA
É possível observar pela tabela que o aumento da distância com o PIB per capita dos EUA(chamado de falling-behind) é um fenômeno restrito aos três grandes países da Europa Ocidental Continental: Alemanha, França e Itália. E mesmo na Alemanha, cuja relação caiu apenas sete pontos percentuais em três décadas, o falling-behind não é tão acentuado. Sete pontos podem ser revertidos em muito menos do que trinta anos e já estavam sendo revertidos, lentamente, entre 2006 e 2008. Porém a Alemanha foi muito mais duramente atingida pela crise do que os EUA (ver gráfico). E isto não tem a ver com o seguro-desemprego ou o maior gasto social, até porque o crescimento do desemprego nos EUA foi maior. A economia da Alemanha caiu mais que a dos Estados Unidos, porque é mais manufatureira e portanto, mais exposta ao comércio internacional.
Se forem observados os pequenos países europeus continentais, verifica-se uma quase estável relação, nas últimas três décadas, entre o PIB per capita local e o PIB per capita dos EUA.
O gráfico mostra que, tirando a Itália, não há uma tendência de longo prazo irreversível de falling-behind. O distanciamento entre o PIB per capita da França e da Alemanha em relação ao dos EUA foi um acontecimento praticamente restrito todo ele aos anos 90. Na década de 1980 e de 2000, os crescimentos foram razoavelmente semelhantes.
Situação diferente ocorreu com a Áustria, a Holanda e os países escandinavos, que tiveram estagnação relativa somente na década de 1980 (tendo sido a Finlândia, além disso, atingida pelo fim da URSS). Nas décadas de 1990 e 2000, esses países tiveram desempenho até melhor que os EUA.
Portugal e Espanha tiveram ótimo desempenho econômico entre 1986 e 2000, tendo crescimento do PIB per capita bem superior ao dos EUA no período mencionado.
O Reino Unido é um integrante (e fundador) do mundo anglo-saxão e seu bom desempenho econômico nas últimas três décadas poderia ser visto como prova de sucesso do modelo anglo-saxão. Mas a verdade é que o Reino Unido não é um estado dos EUA. Seu modelo social e econômico é um intermediário entre o norte-americano e o europeu continental.
Agora vamos voltar um pouco à discussão mencionada no início do texto: a relação entre PIB per capita e qualidade de vida.
Alguém poderia contra-argumentar o que foi dito até então, dizendo que a tendência mais natural prevista pelas leis econômicas seria a de convergência entre o PIB per capita da Europa Ocidental e o dos EUA, que estava ocorrendo de 1950 a 1980, e que a estagnação na faixa dos 70 ou 80% ocorrida deste então seria prova de fraqueza do modelo europeu continental.
Mas a verdade é que a diferença entre o PIB per capita dos EUA e o da Europa Ocidental é em sua maior parte explicada pelo maior número de horas trabalhadas nos EUA: os norte-americanos começam a trabalhar mais cedo, trabalham mais horas por semana, têm férias mais curtas e se aposentam mais tarde. A diferença de produtividade por hora trabalhada do norte-americano e do europeu ocidental é bastante pequena. Ou seja, o PIB per capita superior dos EUA não implica qualidade de vida superior. Trata-se de uma escolha social entre consumo e lazer. Os norte americanos preferem ter mais consumo, os europeus ocidentais preferem ter mais lazer. Consumo e lazer são indicadores indispensáveis do nível de qualidade de vida. E o PIB só mede consumo.
Mesmo o economista Robert Gordon, que concorda com a tese de que o modelo social europeu inibe o crescimento econômico, mostra neste paper que grande parte do diferencial de PIB per capita do Atlântico Norte tem a ver com o número de horas trabalhadas. A diferença de produtividade da hora trabalhada, embora crescente desde 1995, tem importância menor.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Nessa teoria conspiratória, ele se superou
Disse Juca Kfouri hoje em seu blog
Coincidências
O que São Paulo, Inter e Flamengo têm em comum, além de estarem na Libertadores-2010 e, ontem, terem jogadores expulsos?
Os três votaram contra o candidato de Ricardo Teixeira no Clube dos 13…
A expulsão de Richarlyson, diga-se, foi corretíssima.
A de Michael foi discutível, questão de interpretação, ainda mais que o árbitro não expulsou Roberto Carlos que meteu a mão na bola já com cartão amarelo.
E a de Kléber foi um absurdo, coisa estampada também na imprensa argentina.
http://blogdojuca.uol.com.br/2010/04/coincidencias/
Coisas a serem lembradas
1. A Libertadores é organizada pela Conmebol e não pela CBF
2. Os três árbitros das expulsões mencionadas não eram brasileiros. Será que eles sabiam em que presidente do Clube dos 13 cada time votou?
3. Apesar do colunista discordar, a expulsão de Michael foi justa. Ou seja das três expulsões mencionadas, duas foram justas
4. Na expulsão injusta, o árbitro favoreceu um time argentino jogando na Argentina. O que seria corriqueiro por causa da pressão da torcida
Quem escreve esse tipo de teoria da conspiração é quem acha que Clube dos 13 brigado com CBF é a Chapeuzinho Vermelho e a CBF é o Lobo Mau. Tanto que fica horrorizado quando tem time convidado no Campeonato Brasileiro da CBF, mas acha que um torneio organizado pelo Clube dos 13, com times selecionados por convite, teve valor de Campeonato Brasileiro.
Coincidências
O que São Paulo, Inter e Flamengo têm em comum, além de estarem na Libertadores-2010 e, ontem, terem jogadores expulsos?
Os três votaram contra o candidato de Ricardo Teixeira no Clube dos 13…
A expulsão de Richarlyson, diga-se, foi corretíssima.
A de Michael foi discutível, questão de interpretação, ainda mais que o árbitro não expulsou Roberto Carlos que meteu a mão na bola já com cartão amarelo.
E a de Kléber foi um absurdo, coisa estampada também na imprensa argentina.
http://blogdojuca.uol.com.br/2010/04/coincidencias/
Coisas a serem lembradas
1. A Libertadores é organizada pela Conmebol e não pela CBF
2. Os três árbitros das expulsões mencionadas não eram brasileiros. Será que eles sabiam em que presidente do Clube dos 13 cada time votou?
3. Apesar do colunista discordar, a expulsão de Michael foi justa. Ou seja das três expulsões mencionadas, duas foram justas
4. Na expulsão injusta, o árbitro favoreceu um time argentino jogando na Argentina. O que seria corriqueiro por causa da pressão da torcida
Quem escreve esse tipo de teoria da conspiração é quem acha que Clube dos 13 brigado com CBF é a Chapeuzinho Vermelho e a CBF é o Lobo Mau. Tanto que fica horrorizado quando tem time convidado no Campeonato Brasileiro da CBF, mas acha que um torneio organizado pelo Clube dos 13, com times selecionados por convite, teve valor de Campeonato Brasileiro.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
10 razões para as administrações públicas utilizarem open source software
O texto está em espanhol, mas é bem fácil de entender, além de ser bem interessante. A razão dois é local. As outras se aplicam a qualquer administração pública.
10 razones para que la Administración libere software
El Centro Nacional de Referencia de Aplicación de las TIC basadas en Fuentes Abiertas (cenatic) ha publicado un decálogo con los motivos por los que las administraciones públicas deben liberar el software de fuentes abiertas y ponerlo a disposición de la sociedad. Las principales ventajas son que la Administración reduce su déficit, aporta valor al sector privado, favorece la competitividad y contribuye al desarrollo de una economía sostenible basada en el conocimiento y la innovación abierta.
1. Permite mayor eficiencia presupuestaria al ahorrar costes en el mantenimiento y en la evolución del software.
2. Cumple las recomendaciones de la Ley 11/2007, del Real Decreto de Interoperabilidad, y de las directivas europeas de la ISA.
3. Favorece la transparencia, la interoperabilidad, la independencia y la sostenibilidad de las aplicaciones de las Administraciones Públicas.
4. Desarrolla el ecosistema del sector TIC, garantizando la independencia de proveedores y su disponibilidad futura.
5. Pone conocimiento y activos a disposición de las empresas.
6. Contribuye a la reducción del déficit público, y fomenta el desarrollo de una economía basada en el conocimiento y la innovación.
7. Mejora la competitividad al fomentar la cooperación entre administraciones, universidades, centros de I+D+i y empresas, extendiendo buenas prácticas de conocimiento compartido, y fortaleciendo la innovación abierta.
8. Facilita la adaptación a las necesidades concretas de las administraciones, en materia lingüística, legislativa, de accesibilidad e imagen.
9. Garantiza la privacidad y la seguridad en el tratamiento de la información.
10. Permite Compartir, Reutilizar y Colaborar.
http://www.ogov.eu/10-razones-para-que-la-administracion-libere-software/
10 razones para que la Administración libere software
El Centro Nacional de Referencia de Aplicación de las TIC basadas en Fuentes Abiertas (cenatic) ha publicado un decálogo con los motivos por los que las administraciones públicas deben liberar el software de fuentes abiertas y ponerlo a disposición de la sociedad. Las principales ventajas son que la Administración reduce su déficit, aporta valor al sector privado, favorece la competitividad y contribuye al desarrollo de una economía sostenible basada en el conocimiento y la innovación abierta.
1. Permite mayor eficiencia presupuestaria al ahorrar costes en el mantenimiento y en la evolución del software.
2. Cumple las recomendaciones de la Ley 11/2007, del Real Decreto de Interoperabilidad, y de las directivas europeas de la ISA.
3. Favorece la transparencia, la interoperabilidad, la independencia y la sostenibilidad de las aplicaciones de las Administraciones Públicas.
4. Desarrolla el ecosistema del sector TIC, garantizando la independencia de proveedores y su disponibilidad futura.
5. Pone conocimiento y activos a disposición de las empresas.
6. Contribuye a la reducción del déficit público, y fomenta el desarrollo de una economía basada en el conocimiento y la innovación.
7. Mejora la competitividad al fomentar la cooperación entre administraciones, universidades, centros de I+D+i y empresas, extendiendo buenas prácticas de conocimiento compartido, y fortaleciendo la innovación abierta.
8. Facilita la adaptación a las necesidades concretas de las administraciones, en materia lingüística, legislativa, de accesibilidad e imagen.
9. Garantiza la privacidad y la seguridad en el tratamiento de la información.
10. Permite Compartir, Reutilizar y Colaborar.
http://www.ogov.eu/10-razones-para-que-la-administracion-libere-software/
Ui, que medo!!!
Hoje, cheguei em casa do almoço e liguei a Sportv para ver se estava passando o jogo de Thomaz Bellucci contra Isner. Mas o jogo transmitido era entre Tsonga e Troicki. Eis que um minuto depois de eu ter ligado a televisão, o locutor falou "para você que está ligando a televisão agora, avisamos que Bellucci venceu Isner por 7-6, 7-5 e joga contra Djokovic amanhã".
Fiquei agradecido por ter obtido a notícia que eu estava procurando, e ainda por cima, era uma ótima notícia. Mas parece que the Big Brother is watching you.
Fiquei agradecido por ter obtido a notícia que eu estava procurando, e ainda por cima, era uma ótima notícia. Mas parece que the Big Brother is watching you.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A inutilidade de discutir Cuba
Um dos temas mais quentes de discussões reais e virtuais é o regime comunista de Cuba. Mesmo em rodas de discussões, reais e virtuais, em que existam somente esquerdistas, há uma grande divisão: comunistas são a favor, social-democratas, anarquistas e socialistas utópicos são contra.
O que faz algumas pessoas serem a favor do regime é puramente a emoção. Não há argumentos racionais favoráveis para, nos dias de hoje, louvar aquela ditadura. Isto fazia sentido nos anos 60 e 70. Naquele tempo, o regime cubano, assim como hoje, não era democrático. Mas muitos outros regimes da América Latina também não eram. E Cuba tinha melhores níveis de educação e saúde. A imagem de um moço barbudo de 33 anos tomando o poder em uma época de muitos governantes idosos (Eisenhower, Kruchev, De Gaulle, Adenauer) tinha forte apelo emocional. Além disso, Cuba era um país sedutor: um paraíso tropical do rum e da salsa.
Isto criou um apego emocional de uma geração de militantes de esquerda na América Latina com o regime. E muitos destes militantes, mesmo velhos, não conseguem se livrar deste apego. Aí tentam escavar argumentos para defender uma ditadura velhaca.
O argumento da saúde e educação não funciona mais. Cuba continua tendo uma das maiores expectativas de vida do continente americano, e uma das menores taxas de analfabetismo. Mas por que uma ditadura é necessária para obter estas conquistas? O Brasil tem indicadores bem piores, mas vem melhorando muito. Chile e Costa Rica têm excelentes indicadores de saúde e educação.
Ao observarmos os dez países com melhor IDH do mundo - Noruega, Austrália, Islândia, Canadá, Irlanda, Holanda, Suécia, França, Suíça, Japão - podemos observar que estes países, apesar de serem muito diferentes entre si em muitos aspectos, partilham de uma característica comum: são países capitalistas. Nestes países, há excelentes indicadores de educação e saúde, e além disso, a renda per capita é alta. E as pessoas não têm que enfrentar racionamento de produtos básicos.
Um castrófilo provavelmente diria: "ah, mas estes países sempre foram ricos, Cuba teve o mérito de melhorar o padrão de vida da população mesmo sendo pobre". Não é verdade. Japão e Irlanda não eram países ricos nos anos 50. Mesmo a França também não era muito rica. Outros países muito desenvolvidos, como Portugal, Espanha, Itália e Finlândia eram pobres nos anos 50.
Outra estranheza dos defensores do castrismo é o fato de muitos deles não terem sido simpatizantes dos outros regimes comunistas (ufa, ainda bem). Mas Cuba não tinha o regime menos pior. O regime comunista cubano era mais linha-dura que o da Polônia, Tchecoslováquia e Hungria e se assemelhava aos da República Democrática Alemã e Romênia.
Conforme dito anteriormente, a maioria dos apologistas brasileiros da ditadura cubana viveu o tempo das ditaduras de direita na América do Sul e o tempo da Guerra Fria. Devido ao forte apelo emocional que Cuba exerceu sobre uma geração, discutir o regime cubano com pessoas desta geração é difícil e desnecessário. Basta esperar pelo ciclo natural das coisas. Uma geração se aposenta, surge uma geração mais nova, com outras idéias.
Entre comentaristas de blog e postadores de mensagens em comunidades virtuais, há alguns jovens que também defendem os senis irmãos Castro. Mas quanto a estes jovens, também basta esperar pelo ciclo natural das coisas: eles viverem mais anos e perceberem que a experiência de esquerda reformista do Brasil também pode ampliar muito os direitos sociais, e ao mesmo tempo, preservar os direitos individuais.
Portanto, acredito que estas sejam das últimas linhas que eu escrevo sobre Cuba.
Vamos esperar que os cubanos escrevam as linhas sobre seu próprio país.
O que faz algumas pessoas serem a favor do regime é puramente a emoção. Não há argumentos racionais favoráveis para, nos dias de hoje, louvar aquela ditadura. Isto fazia sentido nos anos 60 e 70. Naquele tempo, o regime cubano, assim como hoje, não era democrático. Mas muitos outros regimes da América Latina também não eram. E Cuba tinha melhores níveis de educação e saúde. A imagem de um moço barbudo de 33 anos tomando o poder em uma época de muitos governantes idosos (Eisenhower, Kruchev, De Gaulle, Adenauer) tinha forte apelo emocional. Além disso, Cuba era um país sedutor: um paraíso tropical do rum e da salsa.
Isto criou um apego emocional de uma geração de militantes de esquerda na América Latina com o regime. E muitos destes militantes, mesmo velhos, não conseguem se livrar deste apego. Aí tentam escavar argumentos para defender uma ditadura velhaca.
O argumento da saúde e educação não funciona mais. Cuba continua tendo uma das maiores expectativas de vida do continente americano, e uma das menores taxas de analfabetismo. Mas por que uma ditadura é necessária para obter estas conquistas? O Brasil tem indicadores bem piores, mas vem melhorando muito. Chile e Costa Rica têm excelentes indicadores de saúde e educação.
Ao observarmos os dez países com melhor IDH do mundo - Noruega, Austrália, Islândia, Canadá, Irlanda, Holanda, Suécia, França, Suíça, Japão - podemos observar que estes países, apesar de serem muito diferentes entre si em muitos aspectos, partilham de uma característica comum: são países capitalistas. Nestes países, há excelentes indicadores de educação e saúde, e além disso, a renda per capita é alta. E as pessoas não têm que enfrentar racionamento de produtos básicos.
Um castrófilo provavelmente diria: "ah, mas estes países sempre foram ricos, Cuba teve o mérito de melhorar o padrão de vida da população mesmo sendo pobre". Não é verdade. Japão e Irlanda não eram países ricos nos anos 50. Mesmo a França também não era muito rica. Outros países muito desenvolvidos, como Portugal, Espanha, Itália e Finlândia eram pobres nos anos 50.
Outra estranheza dos defensores do castrismo é o fato de muitos deles não terem sido simpatizantes dos outros regimes comunistas (ufa, ainda bem). Mas Cuba não tinha o regime menos pior. O regime comunista cubano era mais linha-dura que o da Polônia, Tchecoslováquia e Hungria e se assemelhava aos da República Democrática Alemã e Romênia.
Conforme dito anteriormente, a maioria dos apologistas brasileiros da ditadura cubana viveu o tempo das ditaduras de direita na América do Sul e o tempo da Guerra Fria. Devido ao forte apelo emocional que Cuba exerceu sobre uma geração, discutir o regime cubano com pessoas desta geração é difícil e desnecessário. Basta esperar pelo ciclo natural das coisas. Uma geração se aposenta, surge uma geração mais nova, com outras idéias.
Entre comentaristas de blog e postadores de mensagens em comunidades virtuais, há alguns jovens que também defendem os senis irmãos Castro. Mas quanto a estes jovens, também basta esperar pelo ciclo natural das coisas: eles viverem mais anos e perceberem que a experiência de esquerda reformista do Brasil também pode ampliar muito os direitos sociais, e ao mesmo tempo, preservar os direitos individuais.
Portanto, acredito que estas sejam das últimas linhas que eu escrevo sobre Cuba.
Vamos esperar que os cubanos escrevam as linhas sobre seu próprio país.
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